Quando criança em Areia Branca, usava meu talento, aliado à minha criatividade, para de uma maneira relativamente fácil, sem muitos esforços físicos (mental, somente), sempre estar com dinheiro no bolso.

Era nesta casa azul que o autor passava suas férias em Areia Branca (Foto de A.F. Miranda, 2009).
Descobri que a distribuição de revistas na cidade era uma exclusividade de um dos irmãos de Josimar. Elas eram oriundas do monopólio de Moçoró (ortografia da época), vendidas em Areia Branca pelo estabelecimento comercial, localizado em frente à Praça do Cine São Raimundo. Só ali se encontrava o material citado, porém não achávamos o que mais queríamos: revistas HQ (revistas de história em quadrinhos, gibis). Eram muito escassas as que chegavam e um verdadeiro descaso com os amantes desta arte.
Eu era um aficionado pelas revistas Cavaleiro Negro, Mandrake, Tarzan, Zorro, Fantasma, Brucutu, Bolinha, Luluzinha, Flash Gordon, Batmam, Superhomem, Superboy, Supergirl, etc. No etc… você enumera uma infinidade delas.
Sabedor desta deficiência, vi uma maneira de ser um empreendedor (o SEBRAE não existia). Levava nas minhas férias escolares (Natal para Areia Branca), revistas que gostava, mas já tinha lido e assim fazia um bom capital de giro para despesas eventuais.
Uma das crianças mais velha que eu, o Francisco das Chagas, sempre queria arrematar o meu estoque. Ele residia (*casa amarela da foto) vizinho a Sra. Zinanã , avó de Ricardo Rogério e Betinho (filhos de Chico Martelo). Notava o seu interesse e como bom mercador persa, me fazia de difícil. Relatava da exclusividade, dificuldade de se adquirir, frete e um monte de desculpas esfarrapadas. Ele implorava e colocava um preço tão elevado, que seria bobagem recusar tal proposta. Bati o martelo ! Mercadoria vendida !
Por um lado ele ia causar inveja na molecada. Só ele que teria aquelas revistas tão raras e cobiçadas; por outro, minha mesada subiria e eu teria dinheiro suficiente pra gastar nos vesperais do Cine São Raimundo e Miramar, respectivamente. Ainda ia dar pra gastar no Bar do Nasir, de nome Risan Bar (é o nome ao contrário). Lá é que tinha pastéis deliciosos, compartilhados com suco de tamarindo.
Interessante era ouvir mamãe dizer:
- O dinheiro desse vive parindo, dando cria, nunca se acaba. Não sei o que ele faz pra nunca tá liso !

10 comments
Comments feed for this article
Março 3, 2009 às 12:27 pm
Carlos Alberto
Othon, quem é esse Francisco das Chagas? Você lembra seus pais, irmãos, irmãs? Se não me engano, a casa de Maria de Zinanã era na Silva Jardim, é isso?
Curiosidade: cresci ouvindo o nome de Maria de Zinanã, mas esta é a primeirva vez que vejo seu nome escrito. A grafia é essa mesma? Ô Miranda, você sabe quem era Zinanã?
Hômi, esse blog tá ficando é bom!
Março 3, 2009 às 12:42 pm
Othon Souza
1- Chagas (assim era chamado e conhecido), perdi o contato com o mesmo e não sei dos seus familiares; 2- Rua Silva Jardim; 3- escrevi do jeito que ouvi, não sei a ortografia; 4- o Risan Bar era localizado em frente ao Dr. Zé Leite (vizinho a Prefeitura).
Março 3, 2009 às 3:34 pm
Miranda
Zinanã ou Zinanam? era casada com Chico Duarte, irmão de Tião Duarte,que era casado com Dona Lici (era assim que conheci), diretora do Brito Guerra (na minha época). Ambos eram estivadores. Zinanam era mão de Maria José e João Duarte casado com Dona Geralda Cruz. Dona Lic, era mão de Ari e Araci. Ari, há uns anos atras, encontrei com ele em Areia Branca, era Major do Exercito, acredito que já esteja reformado. Chagas, como não é de minha época, não lembro. A casa de Zinanam era na Silva Jardim, como tambem de dona Lici.
Março 3, 2009 às 4:18 pm
Marconi Dutra
Maria de Zinanã era casada com Chico Martelo, tinha dois filhos, Rogerio e Roberto, e trabalhava no cartório deZé Brasil, salvo engano. Lembro bem que Rogerio tinha ( ou tem ) apenas 4 dedos num dos pés, o que era uma curiosidade.
Eram muito amigos da nossa família, e deles todos não tenho mais notícias. Quem se habilita a nos informar sobre êles ?
Marconi
Março 4, 2009 às 9:46 am
Othon Souza
Correção: 1-Zinanã era avó de Ricardo e Betinho; Maria era sua filha e mãe dos dois; 3- Rogério era carinhosamente autodenominado em épocas carnavalescas e chamado por nós de Cinderela, devido seu defeito físico; 4- Betinho ficou popularmente conhecido como Peninha; 5- Ambos irmãos e sua avó, vivem na eternidade.
Março 4, 2009 às 7:39 pm
Marcelo Dutra
Conheci muito dona Mazé Zinanã, que era bastante amiga da minha mãe e de dona Abelnice. Também tinha muita curiosidade quanto à grafia do nome Zinanã. Fui amigo de infância de Betinho e Rogério mas perdi todo o contato quando saí de Areia Branca. Estou pasmo com a notícia que ambos estão na eternidade. Alguem sabe como morreram? e a dona Mazé, mãe deles, continua viva?
Tenho uma foto de mamãe, dona Abelnice e dona Mazé, mas não consigo colar no post.
Março 4, 2009 às 8:57 pm
Carlos Alberto
Infelizmente, Marcelo, o blog não permite a colocação de figuras nos comentários. Se alguém desejar ilustrar alguma matéria com fotos ou outra ilustração, e o autor da matéria autorizar, basta enviar a figura para cas.professor@gmail.com
Março 4, 2009 às 10:53 pm
Pessoas de Areia Branca « Era uma vez em Areia Branca
[...] branca, tipos populares | by Marcelo Dutra O Othoh Souza, em seu post denominado Mercador Persa http://areiabranca.wordpress.com/2009/03/03/mercador-persa/ fêz uma alusão a dona Mazé Zinanã. Não consegui colocar na área de comentários, mas envio [...]
Abril 5, 2009 às 11:20 pm
Dodora
Lembro da Dna Zinanam(nao sei se esta correto a forma que escrevo, mais o meu computador nao tem os acentos da lingua portuguesa, o que peco desculpas) que morava na Rua Silva Jardim.
Vovo Zefa era amiga da familia
Nao sei o primeiro nome.Mais deve ser a mais velha de todas.
Abril 6, 2009 às 12:40 pm
Othon Souza
Dodora sempre um prazer ler seus comentários. Não se preocupe com a grafia; o mais importante é entendermos a comunicação. Continue colaborando com a memória da nossa amada Areia Branca.