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As mesquitas são, para os mulçumanos, o que as igrejas são para os cristãos: um local dedicado ao culto. O objetivo principal de uma mesquita é servir como local onde os muçulmanos possam se encontrar para rezar, além de servir como equipamento comunitário, onde se ensinam os fundamentos do islã. Em Istambul destacam-se a Mesquita Azul – a única com seis minaretes em toda a Turquia -, considerada a mais bela mesquita do país, toda revestida de azulejos azuis e ornamentada com vitrais nos mesmos tons, e a Mesquita de Eyup – quatro minaretes -, a primeira mesquita construída depois que os Turcos conquistaram Constantinopla -, esta a mais sagrada de todas as mesquitas turcas.
Por toda Istambul ouvíamos, diariamente, o chamamento para as orações, atividade que, antigamente, era feita pelo almuadem do alto do minarete, de forma melodiosa, arrastada, em árabe, proferindo a frase Allah hu Akbar – Alá é grande. Hoje os altofalantes substituem o homem no alto dos minaretes, e os ouvidos de todas as pessoas, muçulmanos ou não, são abençoados com os mesmos cânticos, a relaxar mentes e corpos. Na Turquia, 99% das pessoas são muçulmanas.
Enfim, visitamos a maior – Mesquita Azul – e a mais sagrada – Mesquita de Eyup – de todas as mesquitas da Turquia, porém o que mais me tocou foi ser despertado, em plena Regiáo da Capadócia, no momento em que a madrugada entregava o plantão para a manhã que chegava, pelo chamado do altofalante de uma pequena mesquita, e sorri contemplando da varanda de um hotelzinho de dois andares, típico daquela região. É que aquele chamado, vindo de uma pequenina mesquita, com um único minarete, despertou íntimos e antigos códigos sonoros, e velhos portais foram se abrindo em sequência, dentro de mim, em um efeito dominó quase angelical. E retornei à Rua da Frente, ouvi o sino da igreja convocando os fiéis para os ofícios do dia, ou comunicando um fato recém-ocorrido, com suas badaladas características: um dó seco, curto, seguido de dois mais amplos e abertos. No primeiro caso, um ofício religioso a acontecer em seguida; neste, a questão era descobrir o nome do falecido.
Em Areia Branca, uma igreja austera, contemplativa, com uma torre e um sino. Na Turquia, uma mesquita singela, de um único minarete, desafiando os séculos.
Aqui e lá, a força da fé.

