Não é o poeta de tinha uma pedra no meio do caminho, porem é um poeta popular, autor da marchinha carnavalesca “pagode”, e outras poesias. Chegou à Areia Branca no inicio dos anos 50, recém-casado, para tentar a vida nessa cidade. Lutou com dificuldade, iniciando sua vida como tropeiro buscando água em burros da praia de Upanema, para Areia Branca que era costume naquela época, devido à escassez da mesma na cidade.

Em pouco tempo, devido a sua seriedade, ganhou confiança de pessoas influentes na época, e conseguiu com esforço montar um pequeno bar. Posteriormente, ingressou na marinha mercante, embarcando na Companhia Comercia e Navegação (CCN). Na época eu também estava embarcado na mesma empresa, e em uma das viagens para Macau, iniciamos uma amizade infindável. Durante a “redentora”, sofreu indiretamente os efeitos do excesso da mesma, ficando certo tempo sem consegui embarcar, simplesmente por ser meu amigo. Como sempre foi um lutador, não desanimou, e se instalou com um quiosque que ficava entre o mercado do peixe e a alfândega, onde comercializava dentre outras coisas, “a marvada”.

Foi nesse quiosque, que ele conviveu com mais assiduidade com os pescadores. Naquela época, um navio foi a pique e para demarcar a posição do mesmo foi colocada uma bóia. Como acontece nestes casos, em pouco tempo o local se tornou ideal para pescaria com bons resultados financeiros. Porem certo dia a bóia afundou, e eles ficaram sem rumos para o local da pescaria advindo daí uma fase negra para eles, que passaram a comprar bebida fiado, e no carnaval alguns deles carnavalescos natos, venderam suas linhas de pesca para cair na folia. No ano seguinte, eles organizaram um bloco denominado bloco da lama, e Bandeira inspirado fez a marcinha intitulada “pagode” que podemos ouvir no link abaixo.

Esta marchinha anos depois, foi gravada em São Paulo por um sobrinho de Cleodon que lá reside, muito embora a letra esteja um pouco modificada da original, mais isto não diminui o brilho do bonito trabalho musical do artista que é baterista.

As dificuldades aumentaram, e ele teve que encerar as atividades do pequeno comercio, mudando com a família para a serra de Mossoró, no local conhecido como coqueiros sobrevivendo lá com muita dificuldade. Porem quando trilhamos o caminho do bem, sempre aparece uma “tabua de salvação”, e esta que foi para minha alegria e dele, surgiu quando o vi embarcado na Companhia de Navegação Loide Brasileiro, onde permaneceu ate obter a esperada aposentadoria. Em recente viagem a Mossoró, fui visitá-lo como sempre, e durante a visita, em contato telefônico com Chico de Neco carteiro, o mesmo veio ao nosso encontro, ficando a visita registrada com a foto abaixo.

Manoel Bandeira é o único na família que não carrega o sobrenome Bandeira como os demais. Isto porque, na época era costume dos pais colocarem nos filhos, os nomes de acordo com o santo do dia que vinha nas folhinhas (calendários). Porem durante a gravidez, sua mãe teve sérios problemas com a mesma, e uma irmã dela, fez em sigilo uma promessa para que quando a criança nascesse se fosse homem se chamaria Manoel, e se fosse mulher, se chamaria Maria. Naquele tempo, o sexo de uma criança, só era conhecido após o nascimento da mesma. Quando ele nasceu, foram consultar na “folhinha” qual era o santo do dia, e lá estava o nome de Messias, e assim seu nome seria Messias Bandeira de Melo. Porem foi quando sua tia contou da promessa que tinha feito, e diante da religiosidade da família, seu nome foi modificado para, Manoel Messias de Melo, que poderia ter ficado como Manoel Messias Bandeira de Melo. Naquela época, não se usava mais de 3 nomes em uma pessoa, isto era coisa rara, e assim, Manoel Bandeira, é o único na família que não tem bandeira no nome, apesar de ser conhecido como tal.

Este é um pouco da historia deste menino de 87 anos, completados no dia 7 de outubro ultimo, que alem da lucidez, tem a disposição de sair pedalando em sua bicicleta pelas ruas de Mossoró onde reside, não fazendo com assiduidade devido a vigilância da família. Parabéns meu compadre.