You are currently browsing the daily archive for janeiro 30, 2012.

Quando saí de Areia Branca, em 1964, não existia nem o hino nem a bandeira. Segundo o saudoso Professor José Jaime, em seu livro Resgatando Areia Branca pagina 44, a bandeira foi criada pela lei nº 612/76, de 25/08/1976 pelo então prefeito Carlos Antonio Soares. E o hino (letra e musica) foi criado pelo professor José Nicodemos em 02/09/1976, segundo o professor Deífilo Gurgel em seu livro Areia Branca a terra e a gente pagina 33.

Citar o autor do hino é dar um mergulho profundo no Grupo Escolar “Conselheiro Brito Guerra”. Isto porque, Toinho de seu Pedro Felipe, Nicó de dona Hilda Borges e Manoel de seu Cosme, desde o primeiro dia de aula ate a obtenção do “Certificado do Ensino Primário”, formaram um trio inseparável. O certificado foi assinado pela diretora dona Francisca de Souza Duarte (dona Lici), em 30 de novembro de 1951, que graças ao zelo de minha saudosa mãe, ainda está em perfeito estado e plastificado, para ser doado futuramente a Casa Museu Maximo Rebouças. Alem desses dois, não poderia esquecer Amauri, Alderi e Araci de Fransquinha de dona Tomázia, Ari e Araci de seu Tião Duarte, Dorinha e Vicente Cirilo, Ivaldo Caetano, Titico de seu Lalá, Titico Germano, Zé Dimas e Dejanira de seu Mirabeuax, Tonho Tavernard, Toinho, Zezinha e Humberto de seu Zé de Euclides (Zé Guilherme), Milton, Hamilton e Aldeniza de Cirilo Noronha, Alberto de seu Lucas Quixabeira, Julinho, Elza e Marlene de Pedro Amâncio, Zé Jaime de dona Ana de Souza, Maninho e Gracinha de Luiz Mariano, Valdir, Cocadinha e Valdízio de seu Samuel, e tantos outros, de uma extensa lista.

Não necessariamente pela ordem, tivemos como professoras, dona Edite Belém (uma doçura de pessoa), dona Alice de seu Lalá, dona Lidia Rebouças, dona Francisca Alcântara (outra doçura), dona Chiquita do Carmo (educadissima, que posteriormente foi minha comadre), Aldivete Costa, e salvo engano, Alda sua irmã e outras.

Como estudávamos pela manhã, à noite depois do jantar (sempre às 18 horas), íamos para pracinha até “a luz dá sinal” às 22h30min, quando regressávamos. Próximo das 19 horas, o serviço de alto falante da prefeitura era ligado, quando escutávamos a voz de Carlos de Anita de Albino (Carlos Nascimento), anunciar: “e neste momento, o serviço de alto falante da prefeitura municipal de Areia Branca, passa a retransmitir A Voz do Brasil”, e os acordes do inicio da opera o guarani de Carlos Gomes, contínua ainda gravada em minha memória.

O trio, após fazer o “exame de admissão”, continuou na escola Técnica do Comercio, de 1952 a 1954, quando tive que sair. Anos depois, encontro Manoel de seu Cosme, como funcionário do Tribunal Marítimo, na Praça XV, no Rio de Janeiro, próximo ao LLOYD BRASILEIRO, e Nicó (já professor e poeta), encontrei por duas vezes em Mossoró, onde reside, e onde trocamos rápidas palavras.

Não poderia sair desse mergulho, sem falar numa dupla inesquecível do Brito Guerra, dona Inez e Barroso. Dona Inês era a zeladora do Grupo, tinha uma dedicação maternal por tudo que se referia a ele. Era uma criatura simples e amiga de todos. Barroso seu marido, que na época era “cabeceiro”, e por ter muito tempo disponível, ajudava a dona Inês no asseio dos banheiros e salas de aulas etc.. Criaram-lhe dois apelidos, o gordo e a magra, e Olivia palito porem só para ela, pois para Barroso ser Popeye, seria necessário pelo menos dez.

Era uma alegria quando dona Inês tocava a sineta anunciando o recreio. Porem por duas vezes, essa alegria para mim, foi transformada em sofrimento. A primeira, quando Amauri de dona Tomazia me deu um golpe com gilete (que naquela época era o apontador de lápis), no ante braço direito do qual houve um sangramento intenso. Como morava no lado oposto ao Grupo, fui para casa e tive o seguinte tratamento: minha avó recomendou que fosse colocado pó de café no ferimento, e o braço tivesse uma atadura de pano comum. Isto porque, o IAPM (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos) funcionava na rua Dr. Almino, no final da Rua do Meio, e assim era muito distante. Cicatrizado o ferimento, pouco tempo depois, brincando no recreio de “agarrado” com Zé Dimas de Mirabeuax, ele me derrubou por cima do mesmo braço, e este “saiu do lugar”, encostando a costa da mão no ombro, provocando uma terrivel dor, e novamente foi aplicado o remédio caseiro. Desta vez, o curativo foi uma certa quantidade de breu pilado, um ovo de galinha “batido”, e esta mistura posta em algodão, envolvendo a articulação do braço, e depois colocada talas de “caixa de charutos”, e o braço envolvido com gaze até que todo algodão se despregasse, indicando que estava sarado. Fiz este relato, apenas para mostrar uma parte da medicina caseira, que na epoca surtia os efeitos desejados. Quanto aos dois protagonistas, infelizmente um já não está entre nós, e o outro continuo com a mesma amizade do tempo do Brito Guerra.

Que saudades dos bons tempos…..

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.