You are currently browsing the tag archive for the ‘carnaval’ tag.
Recolho na crônica que Alcindo de Souza publicou em seu blogue a inspiração para fazer minhas rememorações e entrar na fila dos que sonham em ver o Ivipanim eternizado naquele cantinho de tantos sonhos, alguns feitos, outros refeitos, e quem sabe quantos desfeitos. Leio que Rogério Edmundo é o presidente do Clube, e fico imaginando, se tiver tanta energia administrativa quanto demonstrava ter na sua infância-adolescência, o Clube terá boa vida em suas mãos. Posso afirmar, do alto da minha idade, da posição privilegiada de quem mais velho observava aquela meninada entre a rua dr. Almino, rua do Meio, rua da Frente e Jardim, repito, posso afirmar: Rogério era um capeta! Do pai, Valquírio, herdou a vivacidade contagiante, e como geralmente acontece, a energia deve ter sido canalizada para atividades empreendedoras na vida adulta. Taí, o homem é o presidente do Ivipanim Clube.
Alcindo abre sua crônica com uma jóia, uma pérola maior, uma preciosidade, a letra de Bandeira Branca. Completo aqui esse toque nostálgico com a companheira inseparável de Bandeira Branca, nos carnavais de antigamente e de sempre: Máscara Negra, de Zé Keti e Pereira Mattos. E para provocar lágrimas, risos e suspiros, aqui vai a inesquecível interpretação de Dalva de Oliveira.
| Quem tem mais de 50 anos e costumava ir a bailes de carnaval, sabe o que estou falando. Carnaval é festa para animação, todo mundo solto, cada um por si, certo? Errado! Quantos não passaram por uma reconquista ao som de Bandeira Branca?
Saudade, dor que dói demais / Vem, meu amor / Bandeira branca eu peço paz E quantos não iniciaram ou reiniciaram uma arrebatadora paixão cantando Máscara Negra? Foi bom te ver outra vez / Está fazendo um ano / Foi no carnaval que passou / Eu sou aquele pierrô / Que te abraçou e te beijou meu amor O ritual era bem definido. A orquestra atacava de Máscara Negra e os casais se abraçavam para dançar agarradinhos. Uma maravilha! Juras e promessas de amor eterno com a voz sussurrante no pé do ouvido. Arrepios, arrepios e olhos revirados. Tudo tinha que ser rápido, para a explosão final de completa alegria e convencimento de que tudo era verdade, no momento que a orquestra entoava o alegro maestroso (desculpe Eyder, pela imagem mal ajambrada) Vou beijar-te agora / Não me leve a mal / Hoje é carnaval |
Quanto riso oh quanta alegria Foi bom te ver outra vez |
Depois da alegria pela conquista do amor, só o prazer de uma sopa quente no bar ao lado do Clube. Aquilo sim, revigorava.
Obrigado, Alcindo, por me provocar essas lembranças.
Para que a festa seja organizada com aquele sabor de quero mais, você precisa indicar que pretende comparecer a este encontro de amigos e amigas de longa data, e de outros que ingressarão no círculo a partir da festa.
É simples, basta clicar aqui e seguir as instruções.
![]() |
![]() |
|
|
Em 1966 chegava as telas de cinema o filme cult Django. Com direção de Sergio Corbucci e ator principal Franco Nero. Era mais uma contribuição ao surgimento do gênero western spaghetti, que ganhou notoriedade, principallmente com o também diretor , Sergio Leoni (Por um punhado de dólares ; O bom, o mal e o feio), dando-lhe fama e prestígio internacional. Trata-se de um bangbang com Franco Nero fazendo o papel do antiherói. Sempre vestido de preto, com o fato inusitado de Django arrastar com uma corda um caixão de defunto, feito em madeira. Carregava-o para todo lugar. Em seu interior se encontrava uma metralhadora ao invés de um cadáver (imagem extraída de http://www.costabrancanews.com/falamemoria.html).

Nos últimos anos de 1960 em Areia Branca, existiu uma figura folclórica, o qual incorporou tão bem o personagem, que desde então, autodenominou-se como tal e passou a ser chamado pela população de Django.
Era um sósia perfeito. Sempre com a barba por fazer e de indumentária, das botas ao chapéu, idêntico ao personagem. A
semelhança era tão verossímil, que até hoje me pergunto: será que no seu íntimo, ele pensava mesmo que era o próprio ?
No último dia de carnaval, Django atingia o ápice. A pessoa e o personagem se corporificavam, assim como numa transmutação de Franco Nero. Pairavam dúvidas de quem era quem. Ele saía pelas ruas da cidade, arrastando o seu caixão de defunto (em madeira). Logo atrás, naquele cortejo fúnebre, seguia-o uma súcia de malfeitores, todos fortemente armados. Tudo encenação! Nada mais que uma cena de teatro ao ar livre. Eles em plena rua e nós, sua platéia, de um lado e do outro da mesma, nas calçadas. Seguíamos ansiosos por ver a cena final, digna de inclusão na obra de William Shakespeare.
Quando o féretro chegou nas imediações do sobrado de João Rolim, em frente à quadra (hoje, INSS), bem em frente à Viação Nordeste, o tiroteio começava.
Ali, na época, era a grande concentração e o maior movimento dos brincantes. Tudo acontecia lá: desfile de blocos, escolas de samba, bloco de sujos, ursos, anônimos, mascarados,etc…Verdadeiro carnaval, literalmente falando.
Django começou a atirar e a ser revidado. Eram balas de festim para todo os lados. Os mais desavisados pensaram se tratar de um autêntico massacre, tal era uma grande saraivada, com cheiro forte de pólvora e fumaça. Víamos ao vivo o que se vê nos filmes atuais. Os atores corriam, caíam feridos e se fingiam de mortos. A produção era tão bem elaborada, pois víamos brotar manchas de sangue, tingindo a roupa dos mortos e feridos. Verdadeira apoteose, digna de uma comissão de frente na Sapucaí.
Ao término do espetáculo, Django e o seus eram ovacionados pelo público em êxtase ! Os atores reverenciavam e agradeciam ao público, que se encontrava em estado de graça !
Com todos já refeitos e relaxados, Django abria o caixão, retirando do seu interior uma garrafa de aguardente, que servia a sua trupe.
Relação de adereços por ordem alfabética:
anéis, apito, argola
baton, bata, batina, bombo, boton, brilhantina, brinco, broche
carvão, cocar, colar, colar havaiano, colete, confete, corneta, chapéu, chapéu peruca, chupeta
diadema (tiara)
fantasia, farda, figa
gravata
lançaperfume (metal) , lançaperfume (plástico), lenço, língua de sogra
maizena, máscara , máscara de papelão do zorro, mamadeira, medalhas
óculos plástico todo branco de lentes verdes
peruca, pulseira, purpurina, pandeiro
serpentina
talco, tambor, tapa olho, tênis conga, touca, turbante
Bocos: Aztecas, Gregos, Hippie’s, Iguais, Os Metralhas, Nômades, Psicodélicas
Escola de samba : Bafo da onça
Sábado de carnaval é assim em Porto Alegre. Estou aqui lendo uns artigos para a próxima coluna na Ciência Hoje Online. É um dia comum, nada como naqueles velhos carnavais de Areia Branca. A folia começava no Ivipanim Clube, na noite da sexta-feira. Para alguns eram 5 noites em claro e 4 dias em farra contínua. Era a época dessas músicas (veja http://areiabranca.wordpress.com/musicas-de-antigamente/musicas-de-carnaval/):
| Tanto riso oh, quanto alegria Mais de mil palhaços no salão Arlequim está chorando pelo amor da Colombiana No meio da multidãoFoi bom te ver outra vez Ta fazendo um ano Foi no carnaval que passou Eu sou aquele Pierrot Que te abraçou Que te beijou, meu amor A mesma máscara negra Mulata bossa nova Caiu no hully gully E só dá ela . . . Mamãe eu quero, mamãe eu quero Mamãe eu quero mamar! Dá a chupeta, dá a chupeta, Dá a chpeta pro bebê não chorar! |
Olha a cabeleira do Zezé Será que ele é… Será que ele é… Será que ele é bossa nova Será que ele é Maomé Parece que é transviado Mas isso eu não sei se ele é Corta o cabelo dele Corta o cabelo dele Corta o cabelo dele Corta o cabelo dele Cidade maravilhosa Cheia de encantos mil Cidade maravilhosa Coração do meu Brasil . . . Allah-lá-ô, ô ô ô ô ô ô Mas que calor, ô ô ô ô ô ô Atravessamos o deserto do Saara O sol estava quente Queimou a nossa cara . . . |
Quando a orquestra era competente, a mistura de músicas dava um tempero especial. Por exemplo, quando tocava Máscara Negra era uma maravilha para os casais novos ou velhos e muito apaixonados. O ritmo lento do trecho
Foi bom te ver outra vez
Ta fazendo um ano . .
permitia as carícias rápidas e necessárias, um beijo mais ousado, um apertão na cintura, para imediatamente tudo se extravasar no allegro mais que vivace do trecho seguinte:
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval . . .
Mas, hoje, nem eu tenho mais o espírito carnavalesco, nem esta cidade dá a mínima ajuda. A banda segue em muitas outras partes deste país. Volto aos artigos da Nature!



