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Texto de Antônio Fernando Miranda.
O início desta história todos os areiabranquenses conhecem, porém o final, por está arquivado por mais de 50 anos, apenas em meu PC (cérebro pessoal), e somente agora retiro uma cópia para dar uma pequena contribuição, que sem dúvidas será anexada à história de Areia Branca, nem os que escreveram sobre ele (Manoel Avelino), tinham conhecimento. Isto é o que me parece, pois não li até hoje, qualquer comentário sobre o assunto. É necessário inicialmente, descrever o que um pouco, o que os escritores areiabranquenses já descreveram.
No início dos anos 50, volta a Areia Branca o senhor Manoel Avelino Sobrinho, ostentando o titulo de Doutor, formado pela Faculdade de Direito do então Distrito Federal, o que foi motivo de orgulho para todos os filhos da terra, por ter sido o primeiro advogado areiabranquense. O seu escritório de advocacia foi montado em frente ao jardim (Praça da Conceição), à Rua João Felix.
Pouco tempo depois, surgiu na cidade uns panfletos apócrifos, em linguagem matuta, mais que era de fácil entendimento por todos, onde dois matutos (Zeferino e Malaquias) criticavam a política do então prefeito Zé Sólon. Todos os amigos do doutor Manoel Avelino, sabiam que o autor dos panfletos que o povo o batizou logo de “O Malaquias”, era o próprio Avelino, porém se fosse indagado quem seria o autor, negavam com todas as forças. Apesar de terem sido circulados vários “Malaquias”, passado o período de sua publicação, os correligionários do Dr. Manoel Avelino, foram aconselhados a desfazerem-se de todos, para não comprometer o futuro político do mesmo, conforme veremos mais adiante. Portanto dos vários Malaquias, guardei no meu PC, apenas uma frase de um deles, em que o Zeferino dizia para o Malaquias: “poisé cumpadi, o puliticu é cumu fejão de môiu, o qui sobi é pruque num presta”.
Como estava próxima a apresentação do candidato que iria substituir seu Zé Sólon, seu Dimas (Dimas Pimentel Ramos) como correligionário de Zé Sólon, esperava ver lançado a candidatura de seu Zeca de Celso (José do Couto Dantas), que era seu genro. Entretanto seu Zé Brasil (José Brasil Filho), com a sua habilidade de convencer as pessoas, não foi difícil convencer seu Zé Sólon, de que o substituto ideal seria o Dr. Avelino, tendo o mesmo aceitado a sugestão de seu Zé Brasil. Com esta decisão, houve um protesto dentro do PSP, e seu Dimas, Paizinho (como era conhecido popularmente Braz Pereira de Araújo), que era vereador e delegado do sindicato dos marinheiros, Dr. Vicente Dutra, os irmãos Manoel e Zé do Vale, Manoel Leandro Sobrinho e outros formaram um grupo dissidente, e em protesto lançaram as candidaturas de Braz Pereira e Manoel Leandro.
Seu Zeca de Celso, vendo suas pretensões desfeitas, e tentando ajudar aos novos candidatos apoiados por seu Dimas e os demais citados, lançou uma carta aberta ao prefeito Sólon, afirmando que o “Malaquias”, não era outro senão o Dr. Manoel Avelino que ele agora estava apoiando. Isto causou a principio um grande mal estar na candidatura da situação. Porém. em seguida seu Chico Avelino (Francisco Avelino dos Santos), como bom irmão, e não poderia ser diferente, lançou outra carta aberta, chamando para si toda a responsabilidade pelo Malaquias, inocentando de culpas o Dr. Manoel Avelino. Isto fez com que a candidatura do mesmo tomasse mais impulso. E talvez como marketing (na época, não se usava esta palavra), trouxe do Rio de Janeiro, seu irmão, o então acadêmico de medicina Zé Maria (José Maria dos Santos), para gratuitamente atender a população carente, oferecendo a ela os seus conhecimentos da medicina. Isto sem dúvidas deu mais um novo impulso à candidatura já vitoriosa, para desespero dos seus opositores. De nada adianta relatar a liderança que o Dr. Manoel Avelino exerceu sobre os areiabranquenses, pois os escritores Deifilo Gurgel, José Jaime, Francisco Rodrigues da Costa e outros já o fizeram, e muito bem.

Nesta foto da campanha de Juscelino para presidente, aparecem da esquerda para a direita: Rudson Góis, Jofre Josino, Manoel Avelino (discursando), Vingt Rosado, Quinquinho Lucio, Juscelino, Jango, seu Dimas, e outros. Foto O Manoelito (de Mossoró).
Agora entra a parte principal e desconhecida até agora, inclusive dos biógrafos do Dr. Manoel Avelino. Talvez para referendar o crescimento da candidatura Manoel Avelino, surgiu um novo panfleto, desta vez em forma de verso, cujo mote era:
Sem ser Manoel Avelino
Onde está o candidato?
E a glosa era:
Perguntando a muita gente
E ao povo não satisfeito
Aonde anda o prefeito?
Me diga, Dimas Ramos
Só você é persistente
Por querer ser muito exato
Embora bancando o pato
Com seu instinto ferino
Sem ser Manoel Avelino
Onde está o candidato?
Esta glosa teve enorme repercussão na época, deixando os “avelinista” em estado de euforia. Apesar de apócrifa, a mesma era de autoria do grande poeta areiabranquense João Figueiredo, que era sogro do Dr. Manoel Avelino. Muito embora publicamente ele não assumisse a paternidade da mesma, e nem os avelinistas confirmavam.
Porém, como em Areia Branca sempre teve bons poetas, não demorou muito, e surgiu outro panfleto também em forma de glosa e apócrifo, cujo mote era.
Se diz Manoel Avelino
Porque não diz Malaquias?
E a glosa era:
Eis a resposta ao glosista
Que procura candidato
Chamando Dimas de pato
Mostrando ser pessepista
A este poeta sem pista
Eis a resposta em dias
Se diz Manoel Avelino
Por que não diz Malaquias?
Quem não viu há dias passados
Este que hoje é candidato
Imitando gestos de gato
Dando unhada e a se esconder
Quem não viu, podia ver
Fazia com garbo e alegria
E hoje desajeitado
Nega e briga avermelhado
Que não é o Malaquias.
Apesar da resposta ter sido bem elaborada dentro do tema, a glosa não teve repercussão no seio avelinista, e tampouco na candidatura Manoel Avelino, que àquela altura já estava consolidada. Sobre o autor da resposta, na ocasião foram citados vários nomes como, por exemplo, Zé e Amaro de Frederico, senhor barbeiro, Manoel do Vale e outros. Porém de todos os citados, e até hoje não confirmados, acredito que tenha sido Manoel do Vale (ou Manoel de Touzinho como também era conhecido), que também tinha sua veia poética, e além disso, era um dissidente. Como disse no início estes fatos estão arquivados apenas na minha memória, não tenho como fazer uma afirmação concreta, a não ser se tiver a oportunidade de me encontrar com o possível autor, que ainda está entre nós, para dirimir esta dúvida. Porém a glosa inicial deve ser anexado ao histórico deste grande poeta areiabranquense, que foi João Figueiredo. Sinto-me envaidecido, em poder dar esta pequena contribuição poética (não minha claro), para abrilhantar cada vez mais a história de Areia Branca.
Tá bem, o nome é pomposo, e nem o texto corresponde ao que se costuma entender por um cânone literário, visto como uma coletânea de obras clássicas, algo que eu fiz para o caso da literatura Einsteiniana no Brasil.

Mas, em se tratando de Areia Branca, que mal há nesse pequeno exagerozinho?
A idéia aqui é colocar os livros sobre Areia Branca. Começarei pelos que tenho em casa, com informações que facilitem suas aquisições. Sugestões para inclusão na lista são muito bem-vindas, desde que acompanhadas de informações similares a estas colocadas aqui. Tendo em mente sucessivas atualizações, a lista será apresentada em ordem cronológica.

Embora não se trate de um livro, o material apresentado por Wison de Souza Dantas (Wilson de Moisés) é interessantísssimo para quem curtiu futebol na Areia Branca dos anos 50-70. Trata-se de uma brochura de 44 páginas, impressa pela Gráfica e Editora Arte Virtual (Mossoró), em 1995. Não sei se continuam válidas as informações para contato com o autor:
Rua João Pessoa, 62 / 59655-000 Areia Branca, RN / Telefone: 332 2464
O telefone deve ser (84) 3332 2464

Da mesma forma que o trabalho de Wilson Dantas, este de José Jaime Rolim (Zé Jaime) é apresentado sob a forma de uma brochura com 50 páginas, impressa em 1998 pela Serigrafia IPE (Areia Branca).
Zé Jaime apresenta pequenas crônicas e algumas informações similares a verbetes de uma enciclopédia sobre diversos assuntos, desde o Congresso Eucarístico de 1938 até amenidades do dia-a-dia, como as aventuras no beco do carago. Embora não tenha passado por um bom tratamento editorial, para uma apresentação mais ordenada das crônicas e dos verbetes, o material é muito interessante.
Contatos com o autor podem ser feitos pelo endereço informado na última página:
Rua Antônio Fernandes do Nascimento, 50 / IPE / 59655-000 / Areia Branca, RN
Mais um trabalho temático de Wilson de Moisés. Desta vez uma bela coletânea de registros da Escola de Comércio de Areia Branca, desde a sua fundação em 1952 até o ano de 1979. Trata-se de uma brochura com 35 páginas, impressa na Serigrafia IPE (Areia Branca), em 1998.
O endereço para contato informado nesta obra é:
Wilson de Souza Dantas
Escola Técnica Comercial Profa. Geralda Cruz / Rua Jorge Caminha, 118 / 59655-000 Areia Branca, RN.
Infelizmente esta bela obra de Francisco Souto Sobrinho (Chico de Janjão) está “escondida”, em alguma das estantes que acomodam meus 4000 livros. Assim que achá-lo farei os comentários que ele merece.
Sei apenas que foi publicada em 1999.
Editado pelo autor e impresso na Grafpar (Parnamirim), este livro de Aristides Siqueira Neto tem um pequeno e inevitável vício. Um atento leitor que não conheça a história de Areia Branca anterior a 1970 dirá que se trata de um livro quase que exclusivamente familiar. Quem viveu em Areia Branca naquela época haverá de compreender a razoabilidade do vício.
Do ponto de vista histórico, este trabalho tem sua significância por se tratar de depoimento de uma fonte primária. Em boa parte do livro Aristides fala daquilo que ele viveu, daquilo que penetrou nas suas entranhas emocionais e de lá não deve ter saído.
É de se lamentar algumas falhas editoriais, entre as quais destaco duas: A primeira é que não há identificação das pessoas na maioria das fotografias. Mesmo quando alguns nomes são apresentados na legenda, a localização na foto não é indicada. A outra refere-se ao fato de que Aristides não dá os devidos créditos aos autores das fotografias, a maioria delas de Antônio do Vale, ou Toinho do Foto, como é popularmente conhecido.
Não sei se continuam válidas as informações para contato com o autor:
artistide@ntl.matri.com.br (talvez haja um erro de digitação. Talvez seja aristides@ntl.matriz.com.br).
Grafpar – Gráfica e Editora / Av. Getúlio Vargas, 132 / Centro / Parnamirim, RN / (03184) 272 4405 (aqui foi colocada a operadora, que obviamente não precisa ser a o31, e o número atual deve ser 3272 4405).

Este livro de Evaldo Alves de Oliveira, publicado em 2001, é inteiramente autobiográfico. As deliciosas 76 páginas podem ser devoradas em algumas dezenas de minutos, de tão agradáveis. Aqui não importa se você viveu ou não em Areia Branca. Leia o livro, é universal. Corresponde perfeitamente ao princípio: Nós em Areia Branca, eles em Amarcord.
Verano Editora e Comunicação Ltda.
SIG/Sul – Quadra 6, n. 2080/90 – 70610-400 Brasília, DF / (61) 344 3673 / veranobsb@tba.com.br.
Para quem deseja conhecer os primórdios da história areiabranquense, essa é uma obra primorosa. Publicada pelo autor, Deífilo Gurgel, em 2002, é o resultado de treze anos de pesquisa. Renomado folclorista, o autor é mais do que afeito à pesquisa historiográfica, é um competente investigador de arquivos históricos e alfarrábios diversos. Se isso serve para justificar a qualidade da obra e lhe emprestar confiabilidade, também orienta críticas a algumas falhas editoriais.
Por exemplo, uma obra desse gênero não pode deixar de ter um índice remissivo. Não digo nem um índice onomástico, que é muito comum, digo mesmo índice remissivo, que é mais completo. As fotos são utilizadas sem os créditos às fontes, quer seja dos autores, ou das publicações onde elas foram obtidas. Deífilo não relaciona, ao final do livro, a bibliografia consultada. Ele o faz ao final dos capítulos. Poderia fazer assim, desde que repetisse no final. Essa é uma regra básica da editoração. Descobri que Deífilo usou 39 livros, assim distribuídos: 3 na página 23, 18 nas páginas 55 e 56, 3 nas páginas 80 e 81, 4 nas páginas 91 e 92, 1 na página 128 e 10 na página 163.
Acho instrutivo chamar a atenção para esses aspectos. No caso de depoimentos pessoais, como os livros de Aristides e Evaldo, apresentados acima, isso é tolerável. Mas o trabalho de Deífilo é uma obra no estilo acadêmico, editada por um profissional do ramo.
Para contatar o autor: Rua Miguel Barra, 779 / 59014-590 Natal, RN / (84) 3221 2767.
Finalmente, temos aqui o autor de quase todas as fotografias sobre Areia Branca nos anos 1950 – 1970: Antônio do Vale de Souza, ou Toinho do Foto, como é popularmente conhecido. Ele costuma dizer que uma imagem vale mais do que mil palavras, e excetuando as legendas de suas fotos, nada mais escreveu no livro.
O livro foi editado pelo autor e impresso na Natal Gráfica. Infelizmente os pecados editoriais mencionados acima são aqui potencializados. Não há sequer a data da impressão, mas eu sei que foi em 2005.
Para contatar o autor: Av. Amintas Barros, 5278 / Natal, RN / (84) 3231 7156.

Capa e comentários enviados por Othon, profícuo colaborador deste blog.
Crônicas primorosas, relativas às suas memórias, abrangendo fatos históricos e pitorescos da recente história de Areia Branca, escritas numa linguagem simples, ao entendimento de qualquer leitor.
Autor: Francisco Rodrigues da costa (Chico de Neco Carteiro).
Editora: Sarau das Letras.
Mossoró-RN- dezembro de 2005.
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Faz algum tempo que a capa e o texto acima me foram enviados por Othon. Agora, que acabei de ler esta obra primorosa, e já estou folheando o segundo livro de Chico de Neco Carteiro (Folhas de Outono), faço minhas as palavras de Othon e acrescento: a memória que me falta, Chico recupera. Será que daria mote para um repente? Não sei, mas vai virar crônica neste blog.
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Livros sugeridos por Marta Maria Cirilo Wanderley
Livros de Máximo Rebouças, também sugeridos por Marta Maria Cirilo Wanderley, publicados pela Tipografia Expressa Ltda.
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O cais da rua da frente, de Marco Juno Flores. Editado pelo autor, em 2007. ISBN 978-85-86206-59-7.
Veja resenha: http://areiabranca.wordpress.com/2010/09/05/o-cais-da-rua-da-frente
Capa e texto enviados por Marcelo Dutra (Nota do Editor).
O autor descreve pessoas da história da cidade, fatos relevantes e lugares onde a história ocorreu. Impresso em 2010 em Natal pela Contato Gráfica com tiragem de 500 exemplares. O livro é bem interessante e registra fatos que eu ainda não conhecia. Contém deficiências de revisão ortográfica e de sintaxe mas não compromete seu objetivo. Recomendo a todos sua leitura.
Você pode adquirir o livro na Livraria Siciliano, no Midway Shopping em Natal. Pode também adquiri-lo diretamente com o autor, no endereço jairojosino@hotmail.com
Nota do Editor: Como inúmeros viventes em AB, vim ao mundo pelas mão de Ana Josino, mãe de Jairo. Tia Ana, como a chamávamos em família, era prima-irmã de minha vó (Carlos Alberto).
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Faz um bom tempo que recebi esses dois livros de José Francisco Ferreira, mas a roda-viva da minha atividade profissional me levou a esquecer de colocá-los aqui. O volume 1 foi publicado em 1997 e o 2 em 1999. Os dois volumes merecem ser apreciados e mereceria aqui uma boa resenha, mas estou passando por fase de sofrimento pessoal que me deixa a inspiração longe, muito longe de mim. (Carlos Alberto)



























