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Fim de tarde no Campo da Saudade. O time de Manoel de Marina empata com Mossoró, 1×1. Faltando 15 minutos para o término da partida, Manoel manda entrar 3 jogadores. Juiz apita, parando o jogo e indaga:
- 14 jogadores?
Manoel invade o campo e aos berros diz:
- Não tem o 13 de Campina Grande? Aqui é o 14 de Areia Branca.
É o fim do Jogo.
O quebrar das ondas na praia de Upanema; a batida de martelos pregando cavilhas nos cascos das barcaças; o “chuá” de pequenas marolas da maré de enchente; são ruídos encasquetando o juízo deste saudosista incontrolável, remetendo-me para um encontro com minha não esquecida meninice. E, num sonho memorável, ouço o cantar de galos madrugadores: seria o de dona Zulmira de Quinca Caetano, ou o de dona Cecília de Alfredo Bernardo ou, quem sabe, o de dona Nanola de Zé Birunga?

Praia de Upanema, 1990 (Foto Vale).
E outros sons invadem meus ouvidos, como invadiam as ouças daquele menino acostumado às andanças pela beira do cais. Agora, são os apitos dos rebocadores “Salinas”, “São Miguel”, “Mossoró”, “Macau”, ou o longo apito do trem, ao alcançar Carro Quebrado, prestes a chegar em Porto Franco. E, como se estivesse no patamar da igreja, escuto o plac-plac-plac da matraca, convidando os fiéis para os ritos da Semana Santa.

Porto Franco, anos 1960 (Foto Antônio do Vale)
E o acorde do clarim do Exército também me comove: Será o cabo Brasil, ou o soldado Canindé executando tão bem o toque de silêncio? Sim, o toque de silêncio. Aquele som plangente que varava a noite de incertezas ordenando à população o recolhimento ao lar. Em Areia Branca vivíamos o período de apreensões causado pela Conflagração Universal.
Quem não tem saudade da sirene do velho Cine coronel Fausto, avisando aos seus habitués a hora de começar a sessão? E o dobrar do sino da Igreja, (sem ser aquele do filme “Por Quem os Sinos Dobram?”) cujos repiques, Antônio Sacristão, irmão de Marciana, tocava tão bem? E, por falar em Marciana, quem esqueceu dos seus alaridos, suas queixas?
- “Valei-me meu padrinho Lustosinha”, – que deixavam José Brasil preocupado, pois era na saleta do seu cartório que ela, Marciana, despejava o produto de suas lamúrias!

Prédio onde funcionou o Cine Cel. Fausto (dois andares), na época calçamento da Rua Cel. Fausto (antiga Rua do Meio). Foto Vale.
Ah! E do misto de Chico Germano, cuja buzina tocava aquela modinha do cangaço? “Acorda Maria Bonita/ Levanta vem fazer o café/ O dia já vem raiando/ E a polícia já está de pé”. Se não posso ouvir todos esses ruídos, pelo menos tenho esperança de escutar, brevemente, as batidas do relógio da igreja, há algum tempo “aposentado”. O prefeito Souza prometeu que restauraria o marcador das horas com suas badaladas. E Souza não é homem de prometer para faltar! Somente um pedido, senhor prefeito: aproveite, e recupere a varanda que havia no topo da torre. Era linda e dava um charme todo especial. Os saudosistas agradecem.

(Crônica publica na Gazeta do Oeste, Mossoró, RN.)
Este é o título de uma crônica que publiquei na Tribuna do Norte, em 1987, sobre um fato ocorrido em 1984. A foto foi usada para ilustrar a crônica. Lembrei dela depois que li os belos textos de Lauro Duarte (veja os links abaixo). Ele não informa quando os fatos ocorreram, mas o importante nisso tudo é que a falta de respeito ao passageiro é recorrente. No meu caso, foi a superlotação. Para ver a crônica completa, clique na imagem abaixo ou aqui.
Veja os comentários de Lauro Duarte:(http://areiabranca.wordpress.com/2009/02/14/o-revolver-que-dispara-sozinho/#comment-133 e http://areiabranca.wordpress.com/2009/02/14/o-revolver-que-dispara-sozinho/#comment-135).
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Quando Antônio José tinha essa cara, aí por volta dos anos 1962-1967, costumávamos praticar muitos esportes durante as férias. Um dos esportes era o ping-pong, na companhia de muitos, mas vou citar apenas Wilson Quixabeira, de suadosa memória. Antônio José jogava bem, mas costumava encher nossa paciência afirmando:











