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Naquela manhã de festa em Areia Branca, ele desceu da pequena lancha conduzida por Zé Cirilo, a Ida, que ainda não era Marta. Subiu os degraus do Tirol, margeou a praça e caminhou rápido pela rua da frente. Passou diante da casa de Georgino Queiroz, do armazém de Antonio Calazans, da casa de D. Cota, mãe de Manoel e Chico Avelino, contornou pela calçada a Capitania dos Portos até chegar ao Jardim. Era assim que os areiabranquenses chamavam a praça que ficava entre a igreja e a prefeitura.

Vestia uma calça faroeste azul e uma camisa branca desabotoada do meio para cima. Tinha na cabeleira um topete sutil e uma leve camada de brilhantina glostora. No rosto, a expressão cafajeste de James Dean em juventude transviada. Mal caía a noite e já tinha em seus braços a bela menina de uma distinta família da alta sociedade. Foi um escândalo quando descobriram que suas raízes atravessavam o rio e estavam fincadas do outro lado do mangue, na pequena Grossos. Os meninos roendo de ciúmes, a ponto de tirar as calças e pisar em cima, não cansavam de repetir: e além do mais, fuma maconha, fuma maconha!
Ninguém sabe mais onde anda, nem qual era seu nome. Parece que o nome tinha a ver com um filósofo, Tales, aquele de Mileto, que mais de 600 anos antes de Cristo descobriu a eletricidade. Mas, este só descobriu como conquistar mulhers bonitas, fazer o estrago nos corações, deixar mágoas nas mentes e desaparecer.
Foi em algum dia do do final dos anos 1950 e início dos 60. Além dos personagens-título, podiam estar presentes: Antonio José, os irmãos Lúcio (Mete e Elsinho), este narrador e não sei quem mais. Lutávamos algo que conhecíamos como jiu-jitsu. Provavelmente nem sabíamos escrever esta palavra. O golpe fatal era o balão. Deitado de costas, colocávamos os pés na barriga do adversário e o impulsionávmos para trás. Normalmente ele dava uma cambalhota antes de se estatelar no chão.
Este narrador pagou o maior mico quando tentou aplicar o golpe no grandão e pesadão Dedé Queiroz. O pé foi colocado na barriga, no local certo, mas cadê força para a impulsão? O gordinho caiu por cima do intrépido lutador.
Depois de muitas lutas, todos pingando suor, nada melhor do que um banho de bica, com água doce da sisterna, que seria liberada através de uma simples torneira. Alguém tentou desatarraxar a torneira. Não conseguiu. Outros também não tiveram sucesso. Daí o mais provável candidato ao sucesso, o grandão e fortão Dedé Queiroz. Argh, também não conseguiu. Foi quando Duarte, o pequeninho e magrinho disse:
- Deixa que eu abro. E abriu, para desespero de Dedé, o fortão!









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