Texto escrito em 6 de abril de 2004
Fotos de Antônio do Vale

Areia Branca é como qualquer cidadezinha de qualquer parte do mundo. Com seus personagens típicos em quase tudo similares. Basta repassar a literatura e o cinema para verificarmos os pontos de contato comportamental entre sociedades tão diferentes. Minha referência neste assunto é o filme Amarcord, de Fellini. A Amarcord de Fellini está para Macatuba, a cidade imaginária de Tarcísio Gurgel, assim como Rimini está para Areia Branca.

Amarcord também tinha um farol, como o da praia de Upanema.

Em Amarcord os meninos sacanas incomodam o ceguinho que toca acordeon e roubam-lhe a bengala. Em Areia Branca a meninada traquina infernizava casca-de-ovo, um doidinho manso que adorava acompanhar procissão.


Em Amarcord os adolescentes masturbam-se em grupo, nos escombros de uma velha edificação. Em Areia Branca,… ah, se o Campo da Saudade falasse! Era este o nome do campo de futebol da cidade até o início dos anos setenta. Tinha esse nome porque era ao lado do cemitério.

Em Amarcord, Bischaine, o vendedor bobo-da-corte, mentia feito nosso Chico Pavão.

Recentemente revi Era uma vez no Oeste, de Sergio Leone. Uma edição em DVD, com comentários, entrevistas e depoimentos de pessoas envolvidas com o filme ou profissionais de cinema. Bernardo Bertolucci confessa que sentia-se o próprio caubói, depois que assistia um filme com John Wayne. Também éramos assim em Areia Branca. Havia casos até mais curiosos: um amigo estava convencido de que era a encarnação salineira de Jean-Paul Belmondo.

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