lourinho1Lourival Rocha é seu nome, Chico Mariquinha seu pai. A foto ao lado retirei de uma foto maior, exposta em http://portalcostabranca.blogspot.com/2008/10/reviva-areia-branca-do-passado-no-nosso.html. O portal não informa a autoria da foto. Talvez seja de Antônio do Vale, mas não há sua famosa assinatura, AVale.

Entre 1953 e 1959 morei na rua Silva Jardim, quase ao lado da casa do seu pai. Na adolescência cheguei a jogar futebol de Salão com ele, acho que no Renner (com Chico Carlos, Décio de Pascoal) e no América de Jonas de Josué, com Chico Carlos, de quem falarei em outra oportunidade.

Tenho na memória duas historinhas. Uma eu presenciei, boquiaberto, no Campo da Saudade. A outra me foi relatada pelo meu irmão, Clécio, e teria acontecido na quadra de Futebol de Salão (Praça de Esportes Maria Duarte). 

Não lembro o ano (década de 1960) nem o time pelo qual ele jogava. Muito menos o time adversário. Mas, a jogada, que jogada, está ainda hoje nítida na minha memória. Parece que estou me vendo de pé na lateral do campo, na altura da meia-cancha adversária. Lourinho atacava pela ponta esquerda, a cinco metros de onde eu estava, quando alguém deu um balão em sua direção. Foi um alvoroço naquela zona do campo. Os defensores, uns dois ou três correram para o local, olhando para cima e se encandeando, enquanto a bola descia. Lourinho ali, parado, olhando com calma a trajetória da bola. Quando ela aproximava-se do chão, deu dois ou três passos para trás. A bola quicou em algum buraco do terreno, encobriu os defensores e foi cair mansa no seu peito. Depois do primoroso lançamento para a pequena área, seu centro-avante, que não lembro quem era, cumpriu a tarefa do seu métier com um gol antológico.  

Lourinho não era apenas um jogador genial, era um malandro. Sabia driblar e irritar os adversários, duas armas fatais no futebol. No time de futebol de salão adversário, um marcador implacável, fungando, como se diz na gíria futebolística, sem parar. Bola na direção de Lourinho e lá vinha o zagueirão junto. Conhecedor do pavio curto do adversário, Lourinho postou-se atrás e passou a mão na sua bunda. Coisa que qualquer jogador de futebol suporta olimpicamente, não aquele zagueirão. “Não faça isso, sou homem casado”, disse irritado com o dedo em riste. Lourinho corre de um lado para outro, deixa passar umas duas jogadas e de novo passa-lhe a mão, dessa vez com um pouco mais de vigor. Não deu outra, o zagueirão virou-se, meteu a mão na cara de Lourinho e foi expulso.

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