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Final de tarde. O sol já cansado recolhe-se no horizonte, deixando ver o cocuruto quase calvo de pequenos arbustos ressequidos. Aqui termina a estrada, digo, a vereda. Pelas características do local, bem depois de Pedrinhas, no sentido de Mossoró. Não há barulho de carro na estrada de terra que passa ao lado. Quase não há carro por aqui. Na acomodação de uma visão quase turva, a descoberta de algumas casas formando um semicírculo. No centro, aquele espaço de terra que antecede os degraus de uma igrejinha. Mas onde está a igrejinha?

Com a visão acomodada e a alma em desespero, percebo que não há pessoas nas casas, que estão vazias, sem qualquer sinal de vida. Comigo, apenas o silêncio e a perplexidade. Não há ruído algum. Tento retornar para Areia Branca, porém a vereda que me trouxera desaparecera na semiescuridão, em um Uber do tempo.

Imagino avistar a imagem de um jumento no centro do pátio, mas ela desaparece.Orientando-me pelos cacos de luz de que a penumbra se apoderou, percebo uma roda gigante parada no movimento do tempo. Do outro lado, um elemento me lembra um carrossel. Aproximo-me. Desejo, melhor, balbucio algo desejando que o carrossel gire comigo, mas a cinética ficou onde estava, e o silêncio não me responde.

Tem que haver alguém por aqui, pensei em minha estranheza isenta de temor. E o silêncio junto a mim, falando comigo, enquanto contemplo com dificuldade todos os elementos em meu campo visual, sem vida e sem luz.

No final da madrugada quase manhã, descubro-me caído no banheiro de minha casa. Levanto-me sem dor em qualquer região do corpo. Acho estranho a posição em que me encontrava, deitado com o peito sobre a tampa do sanitário. Quanto tempo estive caído, como que desmaiado? E a visão do meu lugarejo encheu-se de cores. Porém na foto que busco em minha mente falta algo. Não lembro o quê.

No dia seguinte, uma ecografia não mais registra um cálculo renal de 5 mm que até a véspera estava ancorado na entrada do ureter, junto ao rim.

No corpo, a higidez dos sem dor. Na alma, o entendimento de um passeio onírico que me livrara de uma terrível cólica nefrética. Agora vamos tomar um café com tapioca, falei comigo, como gosto de fazer.

Ele, mais uma vez.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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