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Neste ano, nossa romaria teve como ponto futuro a cidade de Augusto Severo, digo, Campo Grande, e como destino final Areia Branca. Para chegar em Campo Grande, passamos por Currais Novos, almoçamos em Caicó, seguimos para Patu. Antes de chegarmos a Patu, passamos por Brejo do Cruz, a terra de Zé Ramalho. Na entrada, um belo portal homenageia seu filho ilustre. Estávamos na Paraíba, naquele espaço do mapa entre São Fernando e Messias Targino.

Em Martins, a preocupação com os perigos trazidos pela subida da serra foram compensados pela leveza da cidade e pelo encantamento do Hotel Serrano.

IMG_3560Neste pátio, um cavalo de barro me observa de longe.

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Na entrada da cidade, um belo portal nos adverte sobre as expectativas e sonhos de grandeza desta cidade no alto de uma serra. Naquele portal, a lembrança do Portal de Trevere, gigantesco monumento que emoldura e engrandece a cidade alemã onde nasceu Karl Max.

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Na saída de Martins, outro portal idêntico replica a foto e a emoção. Retornamos a Patu, para dali alcançarmos Campo Grande, dirigindo por estradas em razoável estado de conservação, sem qualquer sinalização, levando-nos a cometer muitos erros, e um deles nos levou a Pau dos Ferros.

Em Campo Grande, nada nos lembrava seus 106 anos de Augusto Severo, apesar de haver retornado ao nome original – Campo Grande – há apenas dois meses.

De Campo Grande a Areia Branca, uma passagem pela costela mindinho de Mossoró nos obrigava a um retorno àquela cidade, para a tradicional visita ao mercado público.

Em Areia Branca, uma agradável surpresa. Construíram dois novos blocos de três pavimentos, onde vários apartamentos foram postos à disposição dos viajantes. Inauguramos um deles. Tudo de bom. Achei a cidade triste, não sei por quê.

Saímos depois do café da manhã. Uma dívida a ser quitada. O mercado público de Mossoró nos esperava. Aqui, os aromas dos temperos, as redes e seus armadores  chamaram nossa atenção. E a bagagem ficou maior.

Uma passagem pelo Shopping Partage, um encontro com Sônia, um almoço e um telefonema para Chico de Neco Carteiro encerraram nossa visita a Mossoró.

Outros caminhos nos esperavam, Natal como ponto de chegada.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Em nossa romaria deste mês de maio/2019, saímos de Natal tendo como ponto final Areia Branca. Depois de Currais Novos, Caicó e Martins, Campo Grande era o nosso ponto de interesse. O objetivo era avaliar o ânimo dos moradores da antiga cidade de Augusto Severo face à solução definitiva de um imbróglio muito antigo.

Pracinha

Na chegada, em busca de um restaurante, passamos por uma pracinha limpa e charmosa. Percebia-se que ainda reinava um clima de ressaca moral que  se misturava à viva alegria da população. No salão, a percepção de um clima de pós-jogo, digo, pós-eleição. Restos de discussões pareciam ecoar na pequena sala, com as tensões já amainadas pelos dias que correram.

Cemitério

Entendamos o por que daquela ressaca moral. A cidade de Campo Grande foi emancipada de Assu através da Lei nº 114, de 04 de setembro de 1858. Com uma população atual de 9.742 habitantes, o município teve seu nome alterado para Augusto Severo, através da Lei nº 192, de 28.08.1903, no que seria uma homenagem ao então deputado pelo Rio Grande do Norte, Augusto Severo, natural de Macaíba e inventor do dirigível PAX, um aeróstato por ele projetado, construído em Paris. O novo nome não caiu no gosto das pessoas, que sempre consideraram a localidade com o nome de Campo Grande.

Igreja

Quase nove décadas depois, em 1991, a Lei nº 155 alterou o nome da cidade de Augusto Severo, que retornava ao seu nome de batismo: Campo Grande. No entanto, este decreto foi considerado inconstitucional, por se basear no resultado de um plebiscito em que a população optou pelo retorno ao nome de origem. O plebiscito foi considerado inválido, por ter sido feito em âmbito municipal. Quem tem poder legal para realizar plebiscito em qualquer cidade é a Assembleia Legislativa.

Isso ocasionou uma duplicidade de nomes. Os órgãos estaduais e municipais reconheciam o município pelo nome de Campo Grande, enquanto os órgãos federais continuavam a chamar a cidade de Augusto Severo, o que chegou a atrapalhar no recebimento de recursos federais, assim como a assistência dos carros-pipa operados pelo Exército. É que o município de Campo Grande não existia oficialmente.

PlacaAugusto Severo, apenas nesta placa

Nas eleições de 2018 foi realizado um novo plebiscito, com 95% das pessoas declarando sua vontade de devolver à cidade o seu nome original. Finalmente, este desejo seria oficializado no dia 22 de abril de 2019, quando foi sancionada a Lei 1.050, alterando o nome do município de Augusto Severo, que passou a se chamar, finalmente, Campo Grande.

Campo Grande. A restauração da vontade do povo, 106 anos depois.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

A foto foi obtida por Antônio do Vale, mundialmente conhecido como Toinho do Foto, durante o carnaval de 1971. Pertence a Antônio José.

O depoimento sobre o Ivipanim Clube é de Maria José Saraiva, que viveu aqueles trepidantes e felizes dias na salinésia:

O ano era 1967, época em que a sociedade areia-branquense já se reunia nesse sodalício para festejar e abrilhantar, com muito requinte, a tradicional festa de agosto de nossa cidade. Convidados importantes vinham de todo o RN para serem homenageados, em festa a rigor, no salão do nosso inesquecível Ivipanim Clube, ao som das famosas orquestras de Ivanildo e seu sax de ouro, Itanildo e seu conjunto, Eder Mandarimo… Orquestras bastante solicitadas naquela época.
Mulheres da nossa sociedade ricamente vestidas, desfilavam no salão com seus cônjuges, também vestidos apropriados para o momento.Tudo era minuciosamente preparado.
O desfile da Miss RN, em passarela armada, coberta com um tapete vermelho, na ocasião era apresentado o desfile também de belas jovens da nossa sociedade, entre elas, estava eu, talvez não tão bela, mas com a beleza natural que a juventude nos dar, o desfile era comandado pelo nosso cronista social, conhecido como “seu Chico de Janjão”. Tudo era perfeito, mesa julgadora composta por casais da nossa sociedade e cronistas de Natal, Mossoró e pela própria Miss RN, esse era um mundo mágico de fantasias e sonhos reais. Fiz parte desse mundo, dessa sociedade concorrendo com outras jovens da época, fui eleita “Miss Verão 1967” recebendo a faixa do então doutor Francisco Fernandes da Costa, médico querido de nossa cidade, formado no Rio de Janeiro, todavia, por amor, exercia sua profissão na sua cidade querida, Areia Branca. Esse era o nosso Ivipanim Clube, local de festas sociais, onde cada presidente sentia orgulho de trazer ao nosso convívio tudo que se relacionava à sociedade daqui e do RN. Participei com orgulho de vários carnavais, em que havia sempre a concorrência da melhor fantazia, melhor passista, melhor apresentação, o que coube o trofeu por três anos seguidos ao bloco “Tropicalistas”, de dona Maria de Pereira, no qual eu também participei dessa festa com orgulho. Saudades da organização, do respeito que se tinha entre os blocos, as normas tinham que ser respeitadas, ficava proibido de frequentar o clube, por determinadas semanas, quem infringisse os estatutos do clube, fosse numa tertúlia ou em qualquer outra festa, lá só o prazer de viver momentos inesquecíveis contava. Foi nesse meio que convivi na minha juventude, por isso, sinto muita tristeza de ver nosso Ivipanim Clube resumido apenas a um única festa anual pra nossa geração, o “carnaval da saudade”.
Sua estrutura envelheceu, seus sócios se acomodaram, a nossa sociedade deixou pra trás não só um prédio que faz parte da nossa história, mas tudo que ali foi vivido por uma sociedade que, juntamente aos seus sócios, edificaran o nosso saudoso Ivipanim Clube.

Deus não pode estar em todos os lugares, e por isso fez as mães.

Ditado judaico

Quantas vezes lembrei de você quando, nas noites da cruviana, voltando para casa, caminhando pela escuridão da Rua da Frente, falava alto comigo mesmo, para espantar os fantasmas da noite, escondidos nos pés de fícus benjamina que ladeavam a calçada em toda a rua, da igreja até a esquina da minha rua. Apesar da pressa, pensava em você. Hoje, só acredito em fantasmas à noite, e no escuro. Durante o dia, ou com as luzes acesas, brinco com eles.

Nos momentos em que a vida me cobrava discernimento e determinação para as escolhas mais difíceis, lembrei de você.

Lembrei de você quando, em momentos de desespero, palavras de conforto e carinho me foram exigidas.

Quando a dúvida exigiu de mim um posicionamento coerente, em que momentos de paz são essenciais para uma decisão, lembrei de você.

Lembrei de você no momento em que, não dando ouvido a vozes dissonantes, fiz eu próprio o meu caminho.

Quando o laço da vida exigiu um nó que o contivesse, lembrei não só de Górdio, mas também de você.

Lembrei de você quando a provocação de uma oferta quase irrecusável bateu de frente com minha honestidade. A resistência para o não-vacilo.

Lembrei de você quando, de frente  para a estátua de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, rememorei sua participação em uma romaria pelos caminhos da fé, Areia Branca como ponto de partida.

Acima de tudo, lembrei de você quando uma voz falou em meu ouvido: Volte e retire seu carro dali! e, em seguida, metade de uma árvore desabou justo no local onde se encontrava o carro que eu acabara de retirar. Em outro momento, em Brasília, passando pelo Buraco do Tatu, em pela madrugada, ouvi a mesma voz determinar: Saia daí agora!, e na sequência, um automóvel na contramão passou ao meu lado enlouquecido, em alta velocidade, pela faixa à esquerda, onde há alguns segundos eu estava.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Estou reeditando esta crônica em função de observações feitas por Antônio José e Rosa Tavares, a respeito da casa onde nasci, a casa amarela ao lado da casa de primeiro andar, que informei ser a casa de Zé Tavernard. Não é nada disso, e para eu concordar tive um arranca-rabo dos brabos com AJosé. No final ele estava certo e aqui vou dizer por quê eu fiz a confusão.

Em primeiro lugar, a casinha amarela tem a mesma fachada da casa onde nasci e vivi até meus 5 anos de idade. Fiz essa foto em algum dia de 2015. Antônio José me telefonou para dizer que essa casa não mais existia. Começamos o perrengue por causa dessa informação. Em seu comentário, Jerônimo, cuidadoso como sempre, envio o link do Google que mostra a casa. Capturei a tela que mostra a casa. Essa foto mostra que o arquivo do Google está desatualizado.

CasaNasciGoogle12maio2019

Quando falei para AJosé sobre esta foto do Google, ele respondeu irritado:

  • Pois o Google está errado. Vou pedir que Aila Tavernard faça fotos agora para mostrar que estou certo. Também vou pedir a Cid Filho.

Em algumas horas recebi uma dezena de fotos, entre as quais selecionei essa por ser a mais relevante no contexto dessa crônica. Ela claramente que a casinha amarela não existe mais, e não foi nessa casinha que eu nasci. A casa de primeiro andar que eu havia informado ser de Zé Tavernard, é de fato das famílias de João e Vicente de Baleia.

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A casa de Zé Tavernard é essa de cor clara, entre o primeiro andar e a biblioteca. O primeiro andar ao lada da casa de Zé Tavernard foi construída na terreno da casa onde nasci. O primeiro andar à esquerda dessa foto, foi construída no terreno da casinha amarela que eu fotografei em 2015.

De onde vem minha confusão ao associar a casinha amarela àquela que eu nasci, e o primeiro andar vizinho, à casa de Zé Tavernard? A confusão vem do fato que eu nasci numa casa ao lado da casa de Zé Tavernard. Nossos quintais eram separados por uma cerca. Lembro-me bem que quando Edna pegou coqueluche, mamãe ficava desesperada por seguidamente nos surpreendia conversando no quintal. Eu de um lado e Edna do outro.

Em conversa com Rosa Tavares, filha do grande pintor Toinho Tavernard, ela me lembrou de algo que eu tinha esquecido. Aquelas casinhas ao lado da casa de Zé Tavernard tinha arquitetura muito semelhante. A casinha amarela era igual à que eu nasci.

Antônio José, o caçador de mitos areia-branquenses estava certo, e a minha memória emocional continua vivíssima.


Segue o texto original da crônica.

Em crônica anterior, manifestei meu entusiasmo com a ideia que Evaldo teve de fazer relatos pessoais sobre os rumos que tomou depois que de Areia Branca saiu. Relatei minha primeira viagem para Natal, onde fui fazer o exame de admissão. Agora ele escreve sobre a casa onde nasceu e os locais de sua infância areia-branquense. É o que farei nesta crônica.
Nasci nessa casa, na rua Cel. Liberalino, ao lado da casa de Zé Tavernard. Sua fachada está inteiramente preservada, ao contrário da casa de Zé Tavernard que ganhou mais um andar.

Vivi nessa casa até 1952, quando a família mudou-se para a rua Silva Jardim, que agora se chama rua Francisco Ferreira Souto.

Nessa casa da Silva Jardim vivemos até 1960, quando nos mudamos para a rua das Almas. Nunca lembro o nome verdadeiro da rua. O nome popular é uma referência ao cemitério, que ficava na mesma rua, ao lado do campo de futebol, que era conhecido como campo da saudade. Também não lembro se esta era uma denominação popular, ou se era o nome verdadeiro.

Em julho de 1960 fui para Natal fazer um curso preparatório de 3 meses para o exame de admissão no Marista, onde fiz o ginasial, de 1961 a 1964.

 

 

Em 2015 estive em Areia Branca para fazer essas fotografias e me deparei com essa cena desoladora. A casa onde vivemos até 1967 foi destruída por uma empresa salineira, não lembro o nome. A casa ficava ali onde se enxerga uma faixa azul. Ficava ao lado das casas de João Rodrigues e Chico Paula. Nesse terreno baldio à direita da foto, ficavam, a partir da esquina, onde existia o prédio da Mossoró Comercial, onde no primeiro andar morava a família Jacinto. Na sequência, ficavam os fundos das casas de Reinério, Zé Cirilo, Zé Barros, entre outras, e terminava, quase em frente à nossa casa, com a oficina de Reinério, um dos mais criativos ferreiros que conheci.

Em meados de 1967 a família mudou-se para Natal, e minhas visitas a Areia Branca passaram a ser esporádicas. Permanente mesmo só a lembrança e a saudade de uma infância e uma adolescência feliz.

 

maio 2019
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