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Por Chico de Neco Carteiro.

2017.05.07 FOTOS DE AREIA BRANCA 043

O Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra, inaugurado em 1934, mesmo depois de sua ocupação por um contingente do Exército Brasileiro durante a Segunda Guerra Mundial, manteve suas linhas arquitetônicas originais. Durante essa ocupação, a escola se transferiu para o Rua do Meio, somente voltando ao seu belo prédio depois de terminada a hostilidade entre as nações.

O bairrismo que sempre me acompanha faz lembrar o saudoso Joufre Josino, com aquela sua maneira bem característica de querer “abafar” quando elogiava as professoras do Grupo Escolar 30 de Setembro, de Mossoró. Aí eu dizia:

─ Prefiro dona Alice de Lalá, dona Chiquita do Carmo e dona Edite Belém, do nosso Brito Guerra.

Fazendo Ciência Contáveis na FUURN, hoje UERN, por ocasião das avaliações de final de ano, eu nunca me esqueci de lembrar as “provas” do nosso Grupo. Com o aprendizado adquirido ali, não me foi difícil concluir o curso escolhido.

Quem, por exemplo, estudou no Conselheiro, não se lembra da famosa banca examinadora composta pelo inspetor de ensino estadual, o senhor Lauro da Escóssia, pela diretora Licy Duarte e pela professora Chiquita do Carmo?

Ordenado, o aluno enfiava a mão num caixa de talco Gessy sorteando o “ponto”, contido num papelzinho enrolado tal qual bilhete de rifa. O estudante discorria sobre a matéria até o “estamos satisfeitos” dos severos examinadores. Isso depois da prova escrita, para ver se o estudante havia colado.

Sobre a famosa Universidade de Coimbra, em Portugal, diz a canção popular: “O livro é uma mulher/ só passa quem souber”. No nosso glorioso Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra também era assim, só passava quem soubesse.

2017.05.07 Conselheiro brito guerraEle, com suas professoras Licy Duarte, Alice Rebouças, Chiquita do Carmo, Lídia Leite, Edite Belém, Julieta Batista, Naná, que era hóspede da casa de seu Arquelau Bernardo; Apolônia, hóspede de seu João Alfredo, do bar Porta Larga, e Alice Garcia, que era o orgulho dos que estudaram de 1942 a 1946. O saudoso Brito Guerra, onde, no final das aulas, cantávamos: “Até amanhã escola/ com saudade lhe dizemos/ na certeza que consola/ quem bem cedo voltaremos”. O Conselheiros das divertidas trocas de bilhetinhos em “GA-DE-RI-PO-LU-TY”, na sala de aula, ou no linguajar de Oneide de seu Arthur Paula: “vô-pô ce-pê vá-pai pa-pá ra-pá o-pu ci-pi ne-pê ma-pá ho-po je-pê”?

Era o Grupo Escolar de dona Inês, a eficiente zeladora que tocava a sineta anunciando a hora do recreio. Finalmente, o querido GECBG dos dias de declamação.

─ Marlene Monte, venha recitar ─ intimava a professora. E a aluna, com seus versos na ponta da língua:

─ “Deixando a bola e a peteca/ com que inda há pouco brincavam/ por causa de uma boneca/ duas meninas brigavam.”

─ José Antonio, sua vez ─ convocava a educadora.

─ “Somos desta terra/ os filhos queridos/ sejamos unidos/ na paz e na guerra.”

─ Francisco Rodrigues! ─ exclamava dona Chiquita. E lá se ia eu todo encabulado, sem saber onde botava as mãos:

─ “Oh! que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida/ da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!” Nas minhas veias, em vez de sangue, corria saudade.

Por isso é que eu preferia as professoras do meu Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra às do Grupo 30 de Setembro, de Mossoró, estas mais do agrado do meu saudoso Joufre Josino de Medeiros.

(⁕) A crônica A “UNIVERSIDADE” DE AREIA BRANCA está livro Porto Franco, do escritor areia-branquense Francisco Rodrigues da Costa, o nosso Chico de Neco Carteiro. A obra foi lançada no último dia 03/05/2017 em Areia Branca.

2017.04.19 Porto Franco capa

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2017.05.02 CNC e o sino2Desde a serra de Martins/RN, onde foi tratar de Literatura com o imortal da AMOL (Academia Mossoroense de Letras), Dr. Paulo Negreiros, e com o intelectual François Silvestre, o escritor Francisco Rodrigues da Costa, o nosso Chico de Neco Carteiro, toca o sino, avisando-nos do lançamento de PORTO FRANCO, seu mais recente livro. O evento acontecerá amanhã, quarta-feira, 03 de maio, na Câmara Municipal de Areia Branca, às 19 horas, e contará com a cobertura da TV TCM de Mossoró. A obra é o retorno de Chico ao seu memorialismo apaixonado e puro, que fala do cotidiano areia-branquense dos anos 30, 40 e 50 do século passado. Ele se havia enveredado por dois romances: Perdão e Guanabara. Agora, está de volta com suas crônicas encantadoras, transformando em poesia a cidade do passado. “Assim como as águas das chuvas caídas na serra de Luís Gomes correm para o rio Apodi, para desaguar no mar, o trem deslizava nos trilhos desde a cidade de Alexandria até chegar a Porto Franco, à beira da maré de Areia Branca. […]”, é como o escritor se refere ao antigo trem que fazia a linha desde a região serrana potiguar até o saudoso porto que outrora marcou época em nossa região, hoje conhecida como Costa Branca. Mas, Chico não abandonou sua paixão pelas coisas simples da meninice daqueles tempos. Vejam o trato que dá às brincadeiras tão comuns entre crianças de sua época: “[…] Os banhos de maré, que maravilha! Idas e vindas a nado até as barcaças […] ‘─ Cheiro de melancia!’ ─ gritava algum menino avisando o perigo que rondava nossa área de lazer. Esse odor assustador significava arroto de tubarão. […]”. Fala-se, nos bastidores do mundo literário, que toda essa poesia vem do seu amor transcendental por Areia Branca; um sentimento profundo que faz Chico de Neco Carteiro escrever textos maravilhosos. É um amor que enche seu coração de saudade; saudade que não se acaba. “[…] Eu sei que você já viu um pé de goiaba, um pé de laranja e um pé de manga. Pode até ter plantado algum no quintal da sua casa […] Mas suponho que você nunca viu um pé de saudade. […]”, diz o escritor.

Para quem gosta de Areia Branca e de boa literatura, vale a pena participar. Não percam.

2017.05.03 PORTO FRANCO Folder

“[…] Eu sei que você já viu um pé de goiaba, um pé de laranja e um pé de manga. Pode até ter plantado algum no quintal da sua casa […] Mas suponho que você nunca viu um pé de saudade. […]”

O trecho acima está no livro “PORTO FRANCO”, a mais recente obra do escritor areia-branquense Chico de Neco Carteiro, a quem, no meio literário, insistem em chamar de Francisco Rodrigues da Costa. Porto Franco é o retorno de Chico ao seu memorialismo apaixonado e puro, carregado de saudade, após ter ele se enveredado em dois romances: Perdão e Guanabara. Quando muitos pensavam que se haviam esgotados todos os dizeres do memorialismo areia-branquense, mais uma vez com o selo da Editora Sarau das Letras, o escritor reaparece com suas crônicas encantadoras, falando sobre o antigo porto que marcou época na região da Costa Branca. O lançamento ainda não tem data definida. Mas, quando chegar a hora, vale a pena conferir.

2017.04.19 Porto Franco capa.png

Abaixo, recortes da crônica “A Igrejinha da Barra”, de Porto Franco.

A IGREJINHA DA BARRA

Do patamar da nossa igreja matriz em Areia Branca, avistava-se, no outro lado da maré, uma capelinha branca. Um belo quadro. Mas, para que os areia-branquenses desfrutassem dessa paisagem, foi preciso a iniciativa de Chico Amâncio, morador da Barra. Ele podou uma área do manguezal que encobria a capelinha. […]

[…]

Dia desses eu estava em Areia Branca. Um sábado. Tomei conhecimento que o meu amigo Dom Marcelo iria cantar a Ave-Maria de Schubert num programa musical intitulado: Projeto “Pôr do Sol”. Justamente na hora em que a Estrela-mor nos abandona e vai iluminar a outra parte da Terra.
Fui prestigiar o filho de Manoel de Marina. Cheguei cedo, antecipando-me ao salmista oficial da paróquia, nomeado pelo padre César.
Enquanto isso, do patamar da igreja, eu procurava ver a Igrejinha da Barra. Não conseguia, os mangues me impediam. A Capitania dos Portos, numa preservação ao meio ambiente, não permitiu que outro Chico Amâncio podasse o manguezal.

[…]

Finalmente, a apresentação. Além dos aplausos do público, Dom Marcelo recebeu calorosas palmas de uma turista francesa, acompanhadas do incentivo:

─ Bravo, monsieur.”

(*) Os grifos em negrito são nossos.

N. S. Navegantes original

Imagem descoberta em Ponta do Mel

Em Areia Branca, a grande importância da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes no ano de 2011 não se resumiu ao fato de ser a comemoração de seu Centenário. Foi muito mais além. É que essa festa nasceu do povo.

Não foram Conselhos Eclesiásticos ou nenhuma outra autoridade religiosa que inspiraram o povo a valorizar o evento, mas a fé de um marítimo-maquinista, homem da gente areia-branquense, chamado Manoel Félix do Vale, que, em maio de 1911, mergulhou em águas bravias para cortar uma corda enroscada na hélice do Vapor Assu, que rebocava a embarcação “Sucesso” de Areia Branca à Cidade do Recife. Félix se comprometeu consigo e com Deus, caso triunfasse, a comprar uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes para, todos os anos, realizar uma procissão no Rio Ivipanim. O ato heróico salvou os barcos, sua própria vida e a de todos os tripulantes. E ele, ao retornar, deu início ao cumprimento da promessa.

Contudo, houve muitas pedras na trajetória histórica da celebração à Virgem dos Navegantes areia-branquense até que se tornasse o esplendor que é hoje. Fala-se que a idéia dum cortejo marítimo de veneração à Santa dos Marinheiros não foi bem aceita pelo Clero local que, naturalmente, influenciava o pensamento dos representantes político-administrativos da época. E isso, certamente, deve ter sido um dos mais importantes fatores que tornaram muito difícil sustentar a penitência.

A dificuldade de manter seu compromisso com a Senhora dos Marítimos talvez tenha sido uma das razões do marujo Félix ter-se ido de Areia Branca, deixando aqui a Imagem, que, posteriormente, foi levada para Ponta do Mel por seus familiares. Lá ela foi descoberta quase cem anos depois.  Mas, apesar de todos os obstáculos e intempéries, e a exemplo de toda fé que nasce do seio popular, como aconteceu com as “Crianças de Fátima” em Portugal, com Joana D’Arc na França e com tantos outros, a profissão de fé dum marinheiro se transformou em identidade religiosa do povo areia-branquense, fundindo-se, logo, à sua cultura e à sua tradição

Procissão marítima

Procissão na época dos barcos à vela e nos tempos de hoje

Por isso é que a Celebração de 2011 foi tão importante. Foi um Centenário que relembrou o jeito de crer duma gente e sua maneira de demonstrar gratidão a Deus e aos Santos.  Certamente, se não fosse uma festa de origem essencialmente popular, poderiam ter passado cem, duzentos e até mil anos, e poucos teriam dado importância. O ato de fé do marujo estaria perdido no tempo, se não tivesse sido acolhido e incorporado pelo povo.

Então, digamos Viva a Manoel Félix do Vale, esse nobre marinheiro, e a Nossa Senhora dos Navegantes, de Areia Branca.

(*) Atualização da crônica publicada no blog areia-branquense Costa Branca News em 31/07/2011.

O escritor areia-branquense Chico de Neco Carteiro, a quem, no mundo literário, insistem em chamar de Francisco Rodrigues da Costa, lançou, na última terça-feira, 17/11/2015, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, Guanabara, sua mais recente obra. Chico, naquela noite, exalava alegria, devido ao contato com grandes amigos que haviam ido prestigiá-lo e, principalmente, matar a curiosidade sobre o conteúdo do novo livro. De fato, Rodrigues já cravou alicerces no universo literário potiguar. A cada trabalho, há um novo frenesi de leitores fiéis, sobretudo os areia-branquenses.

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Carlos Alberto, Chico, Zé Rodrigues e Liacir

Tendo começado na Literatura como cronista, focando-se no memorialismo do mundo areia-branquense, ele agora se aventura pelos romances. Este é o seu segundo. O primeiro foi Perdão. Mas, não deixou cair no esquecimento os traços iniciais. Seus textos são recheados de memória. É uma literatura de romances memorialistas, ou de memorialismos romanceados. Em Guanabara, Chico despeja, em 180 páginas, os dramas de sua vida. Conta sua história de amor com a falecida esposa Zezinha, e o sofrimento com a doença e o falecimento de suas duas filhas. É uma história de vida e de morte. Contudo, ele não se desfez da leveza de sua narrativa, tampouco esqueceu Areia Branca, presença constante em sua obra. Tal qual no universo real, na dimensão literária, Rodrigues jamais perdeu a ternura e a poesia. Certamente, esse romance seria trágico, se não fosse terno e poético.

Para homenagear a Chico, em razão de sua literatura encantadora, como escritor que não esquece, jamais, Areia Branca, e também para brindar aos fiéis leitores, transcrevo, a seguir, um recorte de Guanabara. É uma crônica memorialista, inserida no romance.

“[…] O Silêncio de Daniela

Muitas vezes, acompanhei Telé à salina Monteprimo, a ele arrendada, para ver o andamento dos serviços contratados. Sempre visitávamos a casinha do motor. Ali, foi instalada uma bomba de sucção. Meados da década de sessenta, os moinhos de vento já estavam em desuso. O encarregado da estação captadora de água geralmente dormia tranquilamente, apesar da barulheira infernal que o mecanismo fazia. Certa vez perguntei como ele conseguia tal façanha.

– Desperto de supetão quando o motor pára. – foi a resposta.

2015.11.22 Guanabara capaEu lembrava aquele diálogo de quarenta e cinco anos passados, justamente a idade de Daniela, quando olhava o seu corpo já sem vida. Mergulhado em pensamentos, eu rezava pelo descanso de sua alma. Eram as primeiras horas do dia nove de agosto, e, na capelinha de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro, acontecia o velório de minha filha, cujo óbito se dera no final da tarde do sábado recém findo.

Minha mente, naquela hora, se enchia de lembranças, como se eu pudesse mudar o destino traçado por Deus: nesses últimos cinco anos, após a retirada, com sucesso, de um nódulo na hipófise, tudo fazia crer que vencêramos a guerra contra o inimigo. Muitos detalhes foram passados. Quantas viagens, Jesus, fiz com Daniela a Fortaleza. Algumas para simples visitas médicas. Outras tantas, quando sua saúde complicava, para internamento hospitalar. E, inúmeras vezes, quase desesperado, reclamei contra aquela espécie de castigo que desabava sobre mim. Mas, logo, encontrava consolo para minha queixa destituída de fé: ‘Deus só entrega uma cruz a quem suporta carregá-la’. Refeito, tomava o lenho, continuando a caminhada.

Hoje, quinze dias que Daniela não vive mais comigo, algumas pessoas ainda me consolam: ‘Deus reservou para sua filha um lugar livre de sofrimentos’.

Ainda bastante saudoso pela falta de minha filha, decido me deslocar até Areia Branca no dia 15 de agosto. Na cabeça de qualquer areia-branquense é difícil não latejar, nesse dia, a lembrança da procissão marítima, dedicada à Virgem dos Navegantes. Acompanhado por Zélia, minha irmã, Néo, meu genro, Rodrigues e Rachel, meus netos, me mando para lá, buscando lenitivo.

Ao alcançar as imediações da praia de Upanema, o cheiro da maresia começa a me retemperar. Esse odor me leva ao passado, em saudosas e alegres recordações. Prefiro sempre a Travessa dos Calafates para chegar ao centro da cidade. Tomo a Rua Coronel Liberalino e alcanço a pracinha da igreja.

Do seu patamar, apreciava o movimento na maré. Aquele cenário me fez recordar o ano de 1982, quando levei Daniela para a festa de agosto.

Em meio ao turbilhão de imagens e sentimentos, lembrei do operário que acordava de súbito com a parada do motor. Naquele instante, apossou-se de mim a dor da saudade, era o silêncio de Daniela […]”

novembro 2017
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