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Dois meses depois de seus 80 anos, Toinho Tavernard nos deixa, vitimado por um AVC.

Ao lado de Antonio do Vale (Toinho do Foto), Toinho Tavernard é o grande responsável pelos registros iconográficos areia-branquenses. Muitos monumentos arquitetônicas de nossa cidade sobrevivem hoje apenas nas fotografias de AVale e nas magistrais pinturas de ATavernard.

Para quem com ele conviveu certamente jamais esquecerá suas interpretações de canções de Nelson Gonçalves. E como seu ídolo, ele tinha aquela voz de barítono que deixava seus ouvintes embevecidos. Aos 75 anos resistiu em repetir as performances, porque de vez em quando esquecia trechos das letras.

Eu nasci na casa ao lado da sua, nove anos depois que ele nasceu. Na sala de visitas de nossa casa tinha uma tela em óleo do casamento de meus pais, de sua autoria.

Sua arte manifestava-se em óleo sobre tela. Era a sua ferramenta preferencial. Em 2014 fiz-lhe uma visita e adquiri essa tela com do pôr do Sol, com o Tirol em primeiro plano.

Na ocasião o provoquei a experimentar grafite e nanquim e encomendei alguns quadros, que exponho na sequência. É claro que um artista do seu naipe produz obras-primas em qualquer técnica. Embora em tempos passados ele tenha feito alguns desenhos com grafite e caneta bic, para ele isso não passava de um divertimento. Insisti para que fizesse algumas tentativas profissionais.

Fazendo os primeiros esboços com grafite.

Esboço do Castelinho dos Dantas, de enorme valor histórico, uma vez que a fachada já foi alterada.

Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra, em nanquim.

Talvez esta seja a primeira fachada da prefeitura. Em grafite.

Esboço do moinho da Norsal, em grafite.

O que mais me entristece é que nossa pobreza cultural é de tal ordem, que um artista do quilate de Toinho Tavernard jamais teve de nossos gestores o apoio para criar uma escola de artes em Areia Branca.

É o que consta no registro civil e como foi pronunciado na pia batismal, mas na fala de seus conterrâneos e contemporâneos era simplesmente Zé Leite. Para os que o conheceram na fase adulta, o doutor que lhe foi outorgado na Faculdade de Odontologia da UFRN era acrescentado ao nome popular: Dr. Zé Leite.

Tenho razões para lamentar não ter privado de sua amizade. A única vez que estive em sua presença foi em julho de 1998, quando estive em Areia Branca visitando Antônio do Vale. Certa noite eles (AVale e Zé Leite) se encontraram na rua dr. Almino Afonso (hoje dep. Manoel Avelino), em frente à casa em que Zé Leite nascera. Tinha uma terceira pessoa que não recordo. Os três colocavam em dia papos de antanho, coisas de quando eu era adolescente de calças curtas. Permaneci na minha condição de testemunha privilegiada daquela conversa sobre uma Areia Branca de ruas de areia batida. Lembro que logo depois caminhei pela Rua do Meio (rua Cel. Fausto), em direção à praça da igreja, quando me deparei com Celso Luiz, Dedé de Zé Solon e Carlos Soares, na calçada da casa onde o patriarca José Justiniano Solon faleceria alguns dias depois.

Há um ano, Zé Leite publicou sua autobiografia, intitulada 100 livros para cem amigos. Consulto o exemplar que me foi emprestado pelo seu primo, Antônio José Gois Nepomuceno. Valho-me dessa fonte de primeira mão para relatar meu encontro virtual com Zé Leite. Sempre que alguém que foi meu contemporâneo em Areia Branca me chama a atenção tardiamente, logo passo a analisar as possibilidades de encontros passados. Quero dizer, na mesma época ou em épocas próximas estivemos nos mesmos espaços sem fazer qualquer contato. É por essa via retrospectiva e tendo como fonte seu livro, que faço meu encontro com Zé Leite. E o farei na ordem que os temas aparecem no livro.

Já na p. 26, Zé Leite apresenta os moradores da rua da Frente da década 40-50, começando pela ponta da praça do Tirol. A descrição é detalhada até a casa do Cel. Jorge Caminha, onde nos anos 60 morou Manoel Lúcio, cujos filhos, saudosos Marques Neto e Elsinho foram meus colegas de escola desde o preparatório para o exame de admissão com Maria Felipe, até o final do ginasial no Marista de Natal. A partir daí a descrição tem lacunas. Essa parte bem descrita por Zé Leite está eternizada nesta foto de Antônio do Vale.

A propósito de registros iconográficos, o dr. Zé Leite cometeu o engano típico de quem não tem o hábito da escrita acadêmica. Refiro-me ao fato de que ele usa inúmeras fotografias sem a devida informação da fonte. Na p. 33, uma bela fotografia mostrando canoas e a lancha Santa Isabel de Luiz Cirilo, em frente à igreja é provavelmente de autoria de Antônio do Vale. Ele gostava muito desse ângulo. No meu arquivo tenho essa foto similar àquela usada pelo dr. Zé Leite.

Na p. 98, Zé Leite fala de Nicodemos e reproduz crônica que sobre ele escreveu o ilustre professor de português da salinésia. Texto também reproduzido na quarta capa do livro e aqui também.

Nessa página, Zé Leite me faz viajar no tempo, desde as memórias de meu pai em relação a Chico de Neco Carteiro, aos meus tempos de adolescente, que embevecidos com a sabedoria de Nicodemos ficávamos na praça da igreja, depois dos namoros, ouvindo nosso guru cultural falar sobre quase tudo. Nunca menos de meia dúzia de meninos em busca de conhecimento. É também nessa página que Zé Leite refere-se ao prefácio que Leontino para o livro Guanabara de Chico de Neco Carteiro. Caminhos cruzados esses que a vida nos reserva. Pois a orelha do livro Guanabara foi escrita por mim, e tomo a liberdade de reproduzi-la aqui, sem saber se Zé Leite a leu.

 

A dor e a paz do amor eterno

Lembro um olhar/lembro um lugar/teu vulto amado/lembro um sorriso/e um paraíso/ que tive ao seu lado . . .

Era assim que Chico de Neco Carteiro encantava Zezinha nas enluaradas noites da Fazenda Guanabara. E com a mesma e comovente entonação do seu cantar, ele revela-nos, em narrativa precisa, toda a dor que a perda da pessoa amada provoca. Revela-nos também que a dor é grande, mas não supera em intensidade a felicidade que viveram e a que persiste na forma da prole que criaram. É a paz que emerge do amor eterno que faz Chico suportar a dor.

Nos trechos mais tocantes deste livro, acompanho meu amigo como se estivesse caminhando na relva plantada pela sua dor e embalado pelo lamento de amor de Beethoven na sua obra dedicada ao luar, o mesmo luar em que inúmeras vezes Zezinha se viu enamorada pelo cantar de seu amado. No aconchego da fazenda Guanabara, até um inocente beijo era acompanhado pelos pungentes versos de Catulo da Paixão Cearense: Ontem ao luar nós dois em plena solidão/. . ./A dor da paixão não tem explicação/ . . . /É mister sofrer para se saber.

Nos trechos mais serenos, ao largo dos atropelos da vida, Chico me faz lembrar A. J. Cronin em seu magnífico Pelos Caminhos da Vida. E com a precisão e poder de síntese do médico e escritor escocês, o filho de Neco Carteiro nos leva pelas ruas de Areia Branca, sua tão amada terra natal, que jamais esquece e que lhe faz lembrar o paraibano José Américo de Almeida, quando diz que tudo se desfaz, menos os elos nativos que prendem o homem à terra.

E não é apenas a terra em que nasceu que ele descreve com emoção. Este sentimento transborda nas páginas do livro quando, por exemplo, narra cenas cariocas. Me surpreendi emocionado quando ele relata a primeira vez em que ficou no pátio da Igreja da Glória apreciando a movimentação dos carros dos carros no aterro da Glória. Chico me fez caminhar um pouco mais e chegar ao aterro do Flamengo, onde ficava minha primeira morada na Cidade Maravilhosa, em 1970, quando lá fiz meu bacharelado em física.

E com sua precisão também me sinto caminhando em ruas históricas que jamais visitei na cidade do Recife: apanhamos um ônibus e descemos na Av. Guararapes. Depois de passarmos em frente ao Savoy, paramos um pouco na esquina do Cine Trianon, confrontando com o prédio dos Correios e Telégrafos; logo adiante a ponte Duarte Coelho, que separa a Av. Guararapes da Av. Conde da Boa Vista.

E com a sensibilidade saindo pelos poros, Chico não poderia deixar de terminar o livro por onde comecei esta breve apresentação:  lembro a saudade/ que hoje invade/ os dias meus/  para o meu mal/ lembro afinal/ um triste adeus/ sou agora/ no mar desta vida/ um barco a vagar/ onde está seu olhar/ onde está seu sorriso/ e aquele lugar/ eu devia, sorrir eu devia/ para o meu padecer ocultar/ mas diante de tantas lembranças/ me ponho a chorar

Carlos Alberto dos Santos

 

Na p. 101 Zé Leite faz uma justa e merecida homenagem Máximo Rebouças e suas iniciativas para preservação do acervo histórico areia-branquense. Visitei, há uns 5 anos, e fiquei deslumbrado com seu pequeno e valioso museu.

Na p. 150 ele reproduz uma bela e clássica foto de Antonio do Vale, reproduzindo o pôr do Sol, com o Tirol em primeiro plano. Essa foto eternizada no óleo de Antonio Tavernard, que mantenho em posição de honra na sala de visitas.

Finalmente, na p. 199 Zé Leite reproduz uma foto de incalculável valor histórico. Trata-se de uma das raras edificações de dois andares feito de taipa construído por Alexandre de Souza Nogueira no final do século 19. Passou a ser conhecido como o sobrado de Zé Filgueira, depois que este adquiriu a edificação.

Por tudo isso que li em seu livro é que disse acima e aqui repito: lamento não ter privado da sua amizado.

A foto foi obtida por Antônio do Vale, mundialmente conhecido como Toinho do Foto, durante o carnaval de 1971. Pertence a Antônio José.

O depoimento sobre o Ivipanim Clube é de Maria José Saraiva, que viveu aqueles trepidantes e felizes dias na salinésia:

O ano era 1967, época em que a sociedade areia-branquense já se reunia nesse sodalício para festejar e abrilhantar, com muito requinte, a tradicional festa de agosto de nossa cidade. Convidados importantes vinham de todo o RN para serem homenageados, em festa a rigor, no salão do nosso inesquecível Ivipanim Clube, ao som das famosas orquestras de Ivanildo e seu sax de ouro, Itanildo e seu conjunto, Eder Mandarimo… Orquestras bastante solicitadas naquela época.
Mulheres da nossa sociedade ricamente vestidas, desfilavam no salão com seus cônjuges, também vestidos apropriados para o momento.Tudo era minuciosamente preparado.
O desfile da Miss RN, em passarela armada, coberta com um tapete vermelho, na ocasião era apresentado o desfile também de belas jovens da nossa sociedade, entre elas, estava eu, talvez não tão bela, mas com a beleza natural que a juventude nos dar, o desfile era comandado pelo nosso cronista social, conhecido como “seu Chico de Janjão”. Tudo era perfeito, mesa julgadora composta por casais da nossa sociedade e cronistas de Natal, Mossoró e pela própria Miss RN, esse era um mundo mágico de fantasias e sonhos reais. Fiz parte desse mundo, dessa sociedade concorrendo com outras jovens da época, fui eleita “Miss Verão 1967” recebendo a faixa do então doutor Francisco Fernandes da Costa, médico querido de nossa cidade, formado no Rio de Janeiro, todavia, por amor, exercia sua profissão na sua cidade querida, Areia Branca. Esse era o nosso Ivipanim Clube, local de festas sociais, onde cada presidente sentia orgulho de trazer ao nosso convívio tudo que se relacionava à sociedade daqui e do RN. Participei com orgulho de vários carnavais, em que havia sempre a concorrência da melhor fantazia, melhor passista, melhor apresentação, o que coube o trofeu por três anos seguidos ao bloco “Tropicalistas”, de dona Maria de Pereira, no qual eu também participei dessa festa com orgulho. Saudades da organização, do respeito que se tinha entre os blocos, as normas tinham que ser respeitadas, ficava proibido de frequentar o clube, por determinadas semanas, quem infringisse os estatutos do clube, fosse numa tertúlia ou em qualquer outra festa, lá só o prazer de viver momentos inesquecíveis contava. Foi nesse meio que convivi na minha juventude, por isso, sinto muita tristeza de ver nosso Ivipanim Clube resumido apenas a um única festa anual pra nossa geração, o “carnaval da saudade”.
Sua estrutura envelheceu, seus sócios se acomodaram, a nossa sociedade deixou pra trás não só um prédio que faz parte da nossa história, mas tudo que ali foi vivido por uma sociedade que, juntamente aos seus sócios, edificaran o nosso saudoso Ivipanim Clube.

Estou reeditando esta crônica em função de observações feitas por Antônio José e Rosa Tavares, a respeito da casa onde nasci, a casa amarela ao lado da casa de primeiro andar, que informei ser a casa de Zé Tavernard. Não é nada disso, e para eu concordar tive um arranca-rabo dos brabos com AJosé. No final ele estava certo e aqui vou dizer por quê eu fiz a confusão.

Em primeiro lugar, a casinha amarela tem a mesma fachada da casa onde nasci e vivi até meus 5 anos de idade. Fiz essa foto em algum dia de 2015. Antônio José me telefonou para dizer que essa casa não mais existia. Começamos o perrengue por causa dessa informação. Em seu comentário, Jerônimo, cuidadoso como sempre, envio o link do Google que mostra a casa. Capturei a tela que mostra a casa. Essa foto mostra que o arquivo do Google está desatualizado.

CasaNasciGoogle12maio2019

Quando falei para AJosé sobre esta foto do Google, ele respondeu irritado:

  • Pois o Google está errado. Vou pedir que Aila Tavernard faça fotos agora para mostrar que estou certo. Também vou pedir a Cid Filho.

Em algumas horas recebi uma dezena de fotos, entre as quais selecionei essa por ser a mais relevante no contexto dessa crônica. Ela claramente que a casinha amarela não existe mais, e não foi nessa casinha que eu nasci. A casa de primeiro andar que eu havia informado ser de Zé Tavernard, é de fato das famílias de João e Vicente de Baleia.

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A casa de Zé Tavernard é essa de cor clara, entre o primeiro andar e a biblioteca. O primeiro andar ao lada da casa de Zé Tavernard foi construída na terreno da casa onde nasci. O primeiro andar à esquerda dessa foto, foi construída no terreno da casinha amarela que eu fotografei em 2015.

De onde vem minha confusão ao associar a casinha amarela àquela que eu nasci, e o primeiro andar vizinho, à casa de Zé Tavernard? A confusão vem do fato que eu nasci numa casa ao lado da casa de Zé Tavernard. Nossos quintais eram separados por uma cerca. Lembro-me bem que quando Edna pegou coqueluche, mamãe ficava desesperada por seguidamente nos surpreendia conversando no quintal. Eu de um lado e Edna do outro.

Em conversa com Rosa Tavares, filha do grande pintor Toinho Tavernard, ela me lembrou de algo que eu tinha esquecido. Aquelas casinhas ao lado da casa de Zé Tavernard tinha arquitetura muito semelhante. A casinha amarela era igual à que eu nasci.

Antônio José, o caçador de mitos areia-branquenses estava certo, e a minha memória emocional continua vivíssima.


Segue o texto original da crônica.

Em crônica anterior, manifestei meu entusiasmo com a ideia que Evaldo teve de fazer relatos pessoais sobre os rumos que tomou depois que de Areia Branca saiu. Relatei minha primeira viagem para Natal, onde fui fazer o exame de admissão. Agora ele escreve sobre a casa onde nasceu e os locais de sua infância areia-branquense. É o que farei nesta crônica.
Nasci nessa casa, na rua Cel. Liberalino, ao lado da casa de Zé Tavernard. Sua fachada está inteiramente preservada, ao contrário da casa de Zé Tavernard que ganhou mais um andar.

Vivi nessa casa até 1952, quando a família mudou-se para a rua Silva Jardim, que agora se chama rua Francisco Ferreira Souto.

Nessa casa da Silva Jardim vivemos até 1960, quando nos mudamos para a rua das Almas. Nunca lembro o nome verdadeiro da rua. O nome popular é uma referência ao cemitério, que ficava na mesma rua, ao lado do campo de futebol, que era conhecido como campo da saudade. Também não lembro se esta era uma denominação popular, ou se era o nome verdadeiro.

Em julho de 1960 fui para Natal fazer um curso preparatório de 3 meses para o exame de admissão no Marista, onde fiz o ginasial, de 1961 a 1964.

 

 

Em 2015 estive em Areia Branca para fazer essas fotografias e me deparei com essa cena desoladora. A casa onde vivemos até 1967 foi destruída por uma empresa salineira, não lembro o nome. A casa ficava ali onde se enxerga uma faixa azul. Ficava ao lado das casas de João Rodrigues e Chico Paula. Nesse terreno baldio à direita da foto, ficavam, a partir da esquina, onde existia o prédio da Mossoró Comercial, onde no primeiro andar morava a família Jacinto. Na sequência, ficavam os fundos das casas de Reinério, Zé Cirilo, Zé Barros, entre outras, e terminava, quase em frente à nossa casa, com a oficina de Reinério, um dos mais criativos ferreiros que conheci.

Em meados de 1967 a família mudou-se para Natal, e minhas visitas a Areia Branca passaram a ser esporádicas. Permanente mesmo só a lembrança e a saudade de uma infância e uma adolescência feliz.

 

A crônica que Evaldo publicou nesta sexta-feira, Por Por onde andei, Areia Branca, nos instiga a fazer relatos similares. A história de uma cidade também pode ser contada pela história de seus habitantes, que por uma ou outra razão tiveram que partir para outras paragens. Tenho a nítida sensação de que esta crônica define um novo rumo para o blog. Tivemos uma longa fase de rememoração, curtindo a saudade de tempos passados, fazendo emergir nossa imaginação da Macatuba (Tarciísio Gurgel), da Macondo (Gabriel Garcia Marquez), e da Amarcord (Fellini), de cada um. Foi uma fase onírica que sempre faz bem ao espirito. Temos agora que mostrar no quê resultou esta vivência inicial nos desdobramentos de vida que se seguiram.

Não deve ser por acaso que a Areia Branca dos anos 50-60 tenha marcado tão profundamente quem ali viveu sua infância e adolescência.

Até julho de 1960, minhas saídas de Areia Branca limitavam-se a visitar parentes em Grossos e passar férias no sítio dos meus avós maternos, em Miramar, um povoado entre Grossos e Tibau. Em certa tarde de julho ou agosto daquele ano tomei um misto, como esse da foto, que extraí da página, em direção a Mosoró.

Pernoitei em Mossoró, na casa de um parente de meu pai. Pode ter sido, na casa de Tarcísio Gurgel, cujo pai era primo do meu, ou na casa de um tio de Tarcísio Gurgel. Ambas as casas ficavam em frente a uma praça, acho que a do PAX. Depois do jantar me disseram que do outro lado da praça havia uma exposição de bonecos de cera em tamanho natural. Fiquei impressionado. Toda a tropa de Lampião em estátuas perfeitas.

Recentemente tentei descobrir mais informações sobre aquela exposição, mas não achei ninguém se lembrasse de sua existência. Tarcísio Gurgel acha que não estava em Mossoró naquela época. Consultei os arquivos do jornal O Mossorense e não achei nenhuma matéria sobre o evento.

Esse é um ponto cinza na minha memória. Ele está lá na penumbra, mas não há quem o ilumine para eu contar melhor a história.

No dia seguinte peguei o ônibus para Natal. Mais de 10 horas de viagem, partindo de Mossoró por volta das 4 horas da manhã. Mas aí já é outra história.

 

agosto 2019
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