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Como administrador do blog, à margem de laços familiares, faço o seguinte relato para homenagear MARIA JULIETA COSTA CALAZANS, que faleceu na madrugada de ontem, 6 de abril de 2018.

Em sua página no currículo Lattes do CNPq, consta que:

Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1959) , especialização em Community Development pela University Berkeley e University Tenesse (1966) , especialização em Desarollo de La Comunidad Para Latinoamerica pela Crefal Mexico (1968) , especialização em Política Internacional do Trabalho pela Política Internacional do Trabalho (1963) , especialização em Auditeur Libre pela Faculdade de Direito e Ciências Econômicas de Paris (1969) , especialização em Aperfeiçoamento Sindical Em Programa pelo Confederação Internacional dos Sindicatos Cristãos (1962) , especialização em Planejamento Agrícola Em Israel pelo Governo de Israel (1963) , especialização em Planification et choix priortes dans le develpment pelo Organização das Naçõers Unidas (1969) e doutorado em Science Economiques Et Sociales III Eme Cycle pela École Pratique Des Hautes Ètudes Vie Section Sorbone (1970) . Atualmente é Consultora/Colaboradora/Pesquisadora-bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Associado desde a fundação até os dias atuais do Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa de Pós Graduação. Tem experiência na área de Educação. Atuando principalmente nos seguintes temas: Sindicato Campones, Participacao/Desenvolvimento, Instituicao/Promocao/Regional.

Durante sua rica vida acadêmica, muito resumidamente expressa nessa apresentação do CV Lattes, ela foi professora do departamento de educação da PUC-RJ, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da UFRJ. Uma parte dessa história deve estar na entrevista que concedeu ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, o famoso CPDOC da FGV, (http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/historia-oral/entrevista-tematica/maria-julieta-costa-calazans). Pelo que consta nesse endereço, a entrevista foi conduzida por Lúcia Hippolito e Maria Celina D’Araújo, em 28/10/1998, no Rio de Janeiro, e está disponível no capítulo 9 dessa publicação (http://biblioteca.jfpb.jus.br/wp-content/uploads/2017/10/fundacao-getulio-vargas-concretizacao-de-um-ideal.pdf).

Julieta orientou dezenas de estudantes de pós-graduação e teve seus trabalhos citados em inúmeras dissertações, teses, artigos e livros.

Em sua tese de doutorado, Marlúcia Menezes de Paiva (http://www.dhnet.org.br/potiguariana/igreja/tese_marlucia_paiva.pdf) assim se refere a Julieta Calazans: uma das primeiras idealizadoras do sindicalismo rural no Rio Grande do Norte. Foi membro da “equipe de sindicalização” do SAR e primeira delegada da Superintendência de Política Agrária (SUPRA) no Rio Grande do Norte, indicada pela Federação (FTRRN).

Textos que fazem alguma referência a Julieta aqui no blog (na ordem cronológica):

  1. https://areiabranca.wordpress.com/2008/12/01/a-familia-calazans/
  2. https://areiabranca.wordpress.com/2013/05/17/a-casa-das-tres-mulheres/
  3. https://areiabranca.wordpress.com/2016/03/18/clube-do-sesinho/
  4. https://areiabranca.wordpress.com/2016/03/24/fotografia-uma-viagem-no-tempo/

 

Como primo segundo e sobrinho por adoção, devo me penitenciar por jamais tê-la entrevistado. Nossos caminhos raramente se cruzaram durante a vida adulta. Quando voltei para Natal, em 2012, fui informado por Jória, sua irmã, que a doença de Alzheimer já havia tomado conta de sua consciência.

Na foto ao lado estão as quatro pessoas da família Calazans com quem mais tive contato, se não pela marca do tempo, mas pela marca sentimental, como descrevo na crônica https://areiabranca.wordpress.com/2008/12/01/a-familia-calazans/.  Acrescento a essa categoria, o saudoso Aldemir, com quem tive contato durante o período que estudei no Rio.

Meu pai, Clodomiro, era sobrinho de Antônio Calazans. Portanto, eu era primo segundo de Julieta, mas era insistia que eu a chamasse de TIA ÊTA. Quando ela fazia essa exigência eu tinha essa cara. Lembro de eventos antes dos meus 5 anos, quando ela chegava em Areia Branca no final do ano, com presentes para crianças pobres. Ela colocava os presentes em uma grande caixa, na sala de visita da casa de seus pais, cobria com raspas de madeira e as crianças “pescavam” seus presentes de Natal. Concedia-me o privilégio de na noite anterior, antes de montar a pescaria, escolher meu presente. Poucos anos depois, antes de completar os 10 anos, me admirava aquela mulher dirigindo um jeep verde, tipo veículo de guerra.

Soube depois que ela trabalhava no SESI, mas perdi o contato com ela durante toda minha adolescência e juventude. Foi o período em que ela partiu para seus estudos no exterior.

Certo dia, entre 1970 e 1971, quando eu fazia meu curso de física na PUC-RJ, a reconheci no interior de elevador do Edifício Cardeal Leme, o famoso Prédio Velho da PUC. Perguntei: você não é Julieta? Olhou-me meio que espantada, mas não me reconheceu. Marcamos de nos encontrar depois, mas não consigo lembrar porque esse encontro jamais aconteceu.

O curioso de tudo isso é que minha vida acadêmica tem muitos pontos de contato com a sua, razão pela qual não me conformo em jamais tê-la entrevistado.

Achei na internet um exemplar da revista infantil Sesinho de janeiro de 1954, dando conta de uma atividade cultural organizada por Julieta para comemorar o Dia da Criança de 1953. Gracinha de Dona Chiquita e Ivaldo Caetano são mencionados. Será que nosso colunista Evaldo Alves lembra disso?

 

 

 

 

 

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Não imagino alguém que não seja tocado por esta expressão usada por Evaldo em seu mais recente artigo aqui no blog. Eu diria que mais relevante para nossa saúde mental são os resquícios de nossos amores da infância. Amores aqui no significado mais amplo do sentimento. Amores pelos primeiros professores, pelos amigos e familiares. Mesmo que não tenha explicitado, imagino que Evaldo tenha pensado no significado freudiano de nossos primeiros amores sensuais. São fortes esses sentimentos, que persistem indeléveis em nossa memória sentimental.

Jamais esqueci do meu primeiro amor, aos 8 anos. Era minha colega na escola de Dona Chiquita do Carmo. Alice Carvalho era nossa professora. Jamais a reencontrei depois daquele ano. A impressão é que era mais velha do que eu. Não sei se por ser mais alta, ou por tomar as iniciativas que nos produziam sensação de prazer. Prazeres pueris, mas nem assim menos sensuais. Morava nas proximidades da minha casa. Todos os dias me acompanhava até minha casa e continuava em direção à sua. Não consigo extrair de minha memória o local de sua residência. Na verdade, não sei se em algum momento eu soube onde morava. Era depois da minha casa, mas em que direção? Ao Norte, Sul, Leste ou Oeste? Não sei. Simplesmente, não sei!

Além das nossas conversas, sobre as quais não lembro mais, os únicos momentos sensuais era quando ela trazia uma tesourinha e delicadamente cortava minhas unhas. Ainda hoje acho que não há nada mais pueril e sensual do que uma menina manipular delicadamente os dedos de um menino, enquanto corta suas unhas.

Conceição perdeu-se na realidade da minha história areia-branquense, restam a lembrança na memória sensual e a canção que tantas vezes Cauby Peixoto entoou, e que tantos pontos de contato tem com a minha história:

Conceição
Eu me lembro muito bem
Vivia no morro a sonhar
Com coisas que o morro não tem

Foi então
Que lá em cima apareceu
Alguém que lhe disse a sorrir
Que, descendo à cidade, ela iria subir

Se subiu
Ninguém sabe, ninguém viu
Pois hoje o seu nome mudou
E estranhos caminhos pisou

Só eu sei
Que tentando a subida desceu
E agora daria um milhão
Para ser outra vez Conceição

Sabe aquela personagem da Escolinha do Professor Raimundo, Pedro Pedreira, interpretada pelo saudoso Francisco Milani? Pois em Areia Branca tinha alguém assim. Era Josimar Nogueira, que trabalhava no IAPM (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Marítimos), nos anos 60. Certo dia alguém chegou com a documentação para solicitar aposentadoria de acordo com a Lei 5.315, de 1967, cujo primeiro artigo reza que:

Considera-se ex-combatente, para efeito da aplicação do artigo 178 da Constituição do Brasil, todo aquêle que tenha participado efetivamente de operações bélicas, na Segunda Guerra Mundial, como integrante da Fôrça do Exército, da Fôrça Expedicionária Brasileira, da Fôrça Aérea Brasileira, da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante, e que, no caso de militar, haja sido licenciado do serviço ativo e com isso retornado à vida civil definitivamente.

Josimar não ficou satisfeito com os documentos apresentados pelo requerente, largou esse questionamento:

– Tem a âncora do Bismarck para provar que esteve na guerra?

 

Vim ao mundo pelas mãos de tia Ana, a mãe de Jofre, Jairo, Juranice, José Maria e outros dos quais não recordo os nomes. Ana Josino era prima carnal da minha vó. Seu pai era irmão da minha bisavó e sua mãe era irmã do meu bisavô. Por isso se diziam primas carnais. Ana Josino foi a parteira de quase todos que nasceram em Areia Branca nos anos 40-50. Fui colega de escola primária de José Maria, a quem carinhosamente chamávamos Teuca e sempre ficava embevecido com a beleza de Jurana. Por circunstâncias aleatórias da vida tive pouco contato com Jairo Josino, que ao amanhecer de hoje, 4 de novembro, faleceu aos 82 anos. Ex-prefeito de AB e prosador e poeta de mão cheia. A Jurana, Teuca e familiares, meus sentimentos.

Jairo era o Prático em atividade mais antigo no Brasil. Tudo indica que foi o único no país a exercer a profissão em dois portos, Areia Branca e Natal.

Seguem fotos que extraí do Facebook de Antônio José, o arquivista-mor da memória areia-branquense.

Jairo sem camisa. Ao seu lado Antônio José. À direita, sentado, Sebastião Leite.

Jairo assina seu termo de posse como prefeito de Areia Branca

Solenidade de posse como prefeito

Adendo: Compartilho a maravilhosa postagem de Gilvan Leite, em seu Facebook:

O VELHO LOBO DO MAR PARTIU! Hoje acordei com uma notícia triste. JAIRO JOSINO DE MEDEIROS, o Prático Portuário, Escritor, Poeta, Jornalista, lobo do mar, boêmio, amante da música, dos prazeres da vida e dos amigos partiu desta vida, depois de 82 anos bem vividos. Nasceu em Fortaleza/CE, filho de Ana Paulino de Medeiros e Miguel Josino da Costa ainda em tenra idade mudou-se para Areia Branca, onde cresceu, iniciou sua carreira como Prático do Porto e foi Prefeito Municipal, numa época de turbulência política, desempenhando sua gestão com brilho e galhardia. Amou e viveu a vida como ninguém! Casou n vezes e desses casamentos deixa uma maravilhosa prole de dez filhos e netos. Sua paixão por Areia Branca era contagiante, e em vida ele deixou registrado essa paixão num livro que escreveu. Foi um ícone no Setor Portuário do estado, tendo sido prático de Areia Branca e Natal, fato Sui generis em sua atividade. Foi irmão de Jofre Josino, falecido; Maria José, mora em Natal; Juranice Josino, casada com meu irmão Sebastião Leite; José Maria(Teuca), mora em Areia Branca e Neidinha, in memorian. Deixa como legado o exemplo de um trabalhador incansável na lida do mar, o amor à vida e à liberdade, a honestidade e retidão de caráter. Que Deus o receba no Reino Eterno e dê conformação à sua grande família e legião de amigos. Essa é a singela homenagem de seu amigo Gilvan Rodrigues Leite Leite.

 

Texto enviado por Miranda, que deve ter esquecido a senha e não conseguiu fazer a postagem (Carlos Alberto).

No dia 18 de junho de 1937, nascia na cidade de Areia Branca-RN, o sexto filho de uma prole de dez, do casal Pedro Felipe Sobrinho e Ana Maria de Miranda, que recebeu o nome de Antonio Fernando Miranda.

Como todo menino do interior, jogou bola de meia, pulou fogueira e soltou balão. Aos dez anos, começou a trabalhou como ajudante de marceneiro, para não ter que esperar pela mesada, coisa na época inexistente. E assim, ia aos sábados assistir no Cel. Fausto, os filmes de Buck Jones, Durango Kid, Zorro, Hopalong Cassidy, e tantos outros.

Aos treze anos, iniciei um namoro com uma vizinha de 26 anos. Apesar da vigilância de minha mãe, que era contra, aconteceu o inevitável. E aos 17 anos me casava, por ter “bulido” com ela. Apesar da menoridade, o meu pai ao ser contatado pelo irmão dela, acertadamente “lavou as mãos” deixando essa decisão comigo. Como na época, era comum quem “bulisse com uma moça” se casava, seguindo essa norma me casei.

Desde casamento, nasceram dois filhos. A partir daí, passei a trabalhar, não para ir ao Cel. Fausto, mais sim, para sustentar a família. Trabalhei de aprendiz de calafate na Companhia Comercio e Navegação. Depois na mesma empresa, trabalhei como Moço de Convés, passando a marinheiro. Fui Delegado do Sindicato de Marinheiro em Areia Branca, e depois, deposto pela “redentora”. Sabendo que devido a prisão (injusta), não teria mais chance de trabalho na cidade, fui para o Rio de Janeiro.

Embarquei no navio passageiro Anna Nery, depois no navio cargueiro Guarujá, e outros, que me permitiu conhecer 77 países e 127 cidades do exterior. Destes tenho algumas lembranças boas.

Em 1984, me aposentei, e me casei pela segunda vez. Deste casamento, nasceu minha filha em 06/09/1986, na Clinica Dr. Aloan, na Rua Chaves Faria em São Cristóvão -RJ. Em junho de 1988, vim residir em Fortaleza. E aí ficou fácil voltar sempre a terrinha, especialmente nas festas de agosto, final de ano.

Em 1998 como minha filha já estava necessitando de entrar para a informática, comprei um PC sem nada conhecer desse “animal”. Entretanto aos pouco fui me familiarizando com o mesmo, pois o teclado me lembrava das maquinas de escrever, nas quais, “catei milho” durante muito tempo, quando era Delegado sindical. Lembro que a memória desse “animal”, era de 468 MB, considerada na época pelos expert, como suficiente. Hoje existe Pendrive de mais de 15 Gigabytes.

Em 2002, pela primeira vez acessei a internet. Encontrei através da rede social Orkut, algumas pessoas de Areia Branca, que quando de lá saí, eram pequenas porem ao indagar pelos nomes dos pais, sem dúvidas o conhecia. Encontrei Sueli filha de Geraldo de Zé Guilherme, mestre da CCN. Encontrei Mércia Lopes, filha de Luis Lopes, funcionário do INSS, grande amigo do meu saudoso cunhado Zé Nicodemos, e que tive o prazer de revê-lo. Encontrei Luzia Neponuceno, salvo engano filha do saudoso Azevedo. Encontrei também uma filha de Hildebrando Soares de Amorim, conhecido também como Brandinho, ou alicate.

Conheci também este Blog do Professor Carlos Alberto dos Santos, um dos maiores Físicos do Brasil, filho do saudoso Clodomiro, que ainda não tive tempo de encontrá-lo. Neste blog, tive algumas participações, tendo me ausentado por falta de tempo, e que hoje ao completar 40 anos (sim, porque a vida começa aos 40), decidir que iria aos pouco, publicando minhas lembranças de Areia Branca, do Brasil e do mundo, que sem dúvidas será uma bela historia.

maio 2018
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