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Ultimamente ando pensando nos quintais da minha meninice. Sempre gostei de conhecer quintais. E fiquei com esse pensamento represado. Seriam os quintais de hoje, aqui no planalto central, parecidos com aqueles da minha infância em Areia Branca?

No feriado do dia primeiro de maio, em conluio com um sol bem brasileiro, saí pelo quintal em busca de uma resposta. As formigas são as mesmas, com suas casinhas sempre arrumadas? E uma dúvida que agora se apresenta: Onde moram  os calangos que a toda hora passam à nossa frente em disparada? E os saguis que hoje nos espionam do alto de uma goiabeira, com aquelas carinhas de máscaras antigas?

Com essa ideia na cabeça, segui os passos de um calango pesado, animal que nos leva de volta ao mundo dos pequenos dinossauros. Acompanhei-o por um bom tempo, enquanto o mini dinossauro tentava me enganar em sua fuga. Logo ele desapareceria. Assim, sem que eu percebesse.

Tentei encontrar outro calango, mas nenhum apareceu para que eu continuasse minha observação. Nessa busca, deparei-me com verdadeiras edificações, onde centenas de elementos do reino das formigas trabalhavam forte, carregando em seus ferrões fragmentos de folhas bem maiores que elas. O ritmo era frenético, em um entra e sai incansável. De repente, saiu uma formiga soldado e fez uma varredura em torno do formigueiro. Retornou para sua casa, deu algum sinal da entrada e o entra e sai das formigas operárias recomeçou.

No mundo das formigas havia casas de muros altos, verdadeiras fortalezas, assim como outras no nível do chão, sem demonstrar preocupação com a segurança do grupo, que era extenso.

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Aqui, um condomínio gigante. Não dava para ver seus moradores, mas soube por algumas formigas que aquela moradia pertencia a um grupo de cupins da terra, metidos a bacana. Condomínio fechado.

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Revisitei a casinha-iglu das mini vespas, que eu sabia vazia. Elas saem de casa e na próxima estação constroem outra.

28-01-2018

Ao final daquela empreitada, descobri que o calango que eu perseguia se asilara em umas frestas nas pedras. Que os saguis vivem no alto das árvores, sem local demarcado, e que as formigas trabalham nos feriados nacionais.

Para coroar minha busca, uma esperança– louva-deus -apareceu e ficou junto de mim, em genuflexão.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

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Instituídos pelo Decreto 19.890, de 1931, este exame entrou na onda da Reforma do Ensino Secundário. Esse decreto determinava, para ingresso no primeiro ano do curso ginasial, a obrigatoriedade de aprovação em exame e obter classificação suficiente, isto é, o número de vagas na instituição deveria ser suficiente para efetuação da matrícula. Para se submeter ao exame, o estudante não poderia ter menos de onze anos de idade. O Exame de Admissão, por seu caráter seletivo, marcaria um período histórico de restrição no acesso ao ginásio, e perdurou até 1971.

Esse decreto foi assinado por Getúlio Vargas, que governou o Brasil de forma provisória entre 1930 e 1934. Em 1934 o próprio Getúlio foi eleito presidente constitucional do Brasil pela Assembleia Constituinte, com mandato até 1937. Porém, através de um golpe que teve apoio de setores militares, permaneceu no poder até 1945, encerrando assim o período conhecido como Estado Novo.

O aluno, depois dos quatro anos do curso primário, poderia fazer um quinto ano ou submeter-se ao Exame de Admissão, com conteúdos de Português, Aritmética, Geografia e História do Brasil. O exame de admissão funcionava como forma de restrição ao acesso, quando o Estado não conseguia oferecer vagas suficientes para todos os que concluíam o primário.

Em Areia Branca dos anos 1950, o Exame de Admissão representava uma difícil barreira a ser vencida pelos estudantes mais pobres, que desejavam continuar na luta pelo seu desenvolvimento pessoal. Lutavam, de forma desigual, com alunos de escolas particulares por uma vaga no Curso Comercial Básico, que funcionava à noite no Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra. As famílias com melhores condições financeiras enviavam seus filhos para estudar fora.

1959

Onde entra o nó Górdio nessa história? Foi na Frígia, província romana da antiga Anatólia, atual Turquia, que um camponês de nome Górdio foi coroado rei e, para não esquecer o seu passado humilde, colocou no templo de Zeus a carroça com a qual ganhara a coroa. E amarrou a carroça a uma coluna com um nó impossível de ser desatado.

Górdio reinou por muitos anos e, ao morrer, seu filho Midas – que transformava em ouro tudo que tocava – assumiu o trono. Midas não teve filho, e ao falecer ficou decidido que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor.

Quinhentos anos se passaram sem que alguém conseguisse realizar esse feito, apesar de sucessivas tentativas de algumas pessoas. No ano de 334 a.C., o jovem Alexandre ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Ficou intrigado, e pediu para ser levado até o templo de Zeus para observar o nó de Górdio. Pensou, analisou e, de súbito, sacou sua espada e cortou o nó. Assim não vale, disse alguém. E por que não? Era apenas uma solução nova para um problema antigo. O Grandefoi um epíteto juntado ao nome de Alexandre.

Exame de Admissão ao Ginásio. Um nó Górdio à brasileira com quarenta anos de duração.

Muitos ficaram pelo caminho, desistindo frente àquele desafio.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Bizarro é a característica do que é estranho, grotesco ou incomum. É assim que o Dicionário Online de Português conceitua esta palavra, adjetivo que é.

Em Areia Branca, na atualidade, considero duas estruturas, ambas construídas com o dinheiro do povo, às quais se pode acrescentar o adjetivo bizarro,por sua estranheza.

O mercado público atual, que fica ao lado do antigo e charmoso Mercado Público de nossa meninice, embora seja revestido de cores vivas e chamativas, poderia ter sido construído de forma mais simples, mais objetiva, oferecendo melhores condições para quem ali trabalha e aos consumidores que para lá se dirigem. Some-se a isso o agravo imperdoável de fechar no meio uma das melhores ruas da cidade, impedindo a passagem das pessoas e dos veículos.

A segunda estrutura é aquele monstrengo que ocupa o lugar da antiga pracinha do Tirol. Inacabado, sem utilidade, sem perspectiva.

Tenho em mãos duas fotos, a primeira feita por mim em São Miguel do Gostoso durante a festa em que comemoramos 45 anos de formados. Veja a estranheza deste arranjo.

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A segunda vem de um parque infantil na cidade de Petrolina-PE. Veja que esse escorrego termina bruscamente, deixando um espaço livre, de uns quarenta ou cinquenta centímetros, entre a ponta do escorrego e o chão duro. Agravante: o piso é calçado com tijolos de cimento. Tem tudo para provocar um trauma na coluna das crianças. É escorregar e se machucar.

Parque

Bizarrice, algo estranho em qualquer lugar.

Em Areia Branca, construções com o dinheiro do povo.

Nos outros dois casos, apenas a falta de bom senso.

Não sei onde esta foto foi feita

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Não tenho o dom nem o nível de conhecimentos de genealogia do nosso amigo Gibran Araújo. Se assim fosse, tal qual ele o fez quando tratou da família Calazans em uma de suas crônicas neste blog, iniciaria este texto referindo-me à origem da família, no início do século XX, em terras de São Fernando, assim como todo o emaranhado de nomes e sobrenomes que formaram essa família tão querida dos areiabranquenses.

Mas falarei dos que conheci quando criança. Julieta, que ajudou meu irmão João a transferir seu trabalho no Sesi de Areia Branca para Natal, quando nos mudamos. Já falei do incansável trabalho que Julieta desenvolveu no Sesi, e de sua ascenção profissional e técnica que todos conhecemos, baseada em seu esforço pessoal.

Jória é uma criatura doce e interessada nos meandros da cultura da nossa cidade. Foi Jória quem me permitiu entrar na casa de seus pais, há alguns anos. Um doce sonho de infância concretizado. Fui da Rua do Meio ao Beco da Galinha Morta por dentro da casa, visitando seus cômodos e seu quintal.

Jurineide foi a mulher mais bonita que Areia Branca já viu, quase todos estão de acordo. Quantas vezes passei em frente àquela casa da Rua do Meio, vizinha à casa de Dr. Vicente, com destino ao Cine Coronel Fausto e, de soslaio, dava uma olhada tentando avistar Jurineide, fosse sentada na calçada ou mesmo de longe, circulando perto da casa.

Também conheci Adário. Mas foi Toinho Calazans que melhor conheci. Era meu padrinho de crisma, junto com Vilani, filha de seu Assunção Barbeiro. Em uma de nossas conversas ele me contou que havia rolado um namorico entre os dois, por conta do meu apadrinhamento.

Toinho Calazans era uma pessoa agradável, preocupado com as coisas de Areia Branca. Em agosto de 1981 estávamos eu, Mauro e Zé Maria em Areia Branca e avistamos Toinho. Ele veio sorrindo nos abraçar e depois demos uma volta pelas salinas, conversamos, rimos muito e, como crianças, subimos em uma pirâmide de sal. Aquela foi a última vez que o vi.

Arquivo Escaneado

Arquivo Escaneado 4Eu era o fotógrafo

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituo Histórico e Geográfico do RN

Como administrador do blog, à margem de laços familiares, faço o seguinte relato para homenagear MARIA JULIETA COSTA CALAZANS, que faleceu na madrugada de ontem, 6 de abril de 2018.

Em sua página no currículo Lattes do CNPq, consta que:

Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1959) , especialização em Community Development pela University Berkeley e University Tenesse (1966) , especialização em Desarollo de La Comunidad Para Latinoamerica pela Crefal Mexico (1968) , especialização em Política Internacional do Trabalho pela Política Internacional do Trabalho (1963) , especialização em Auditeur Libre pela Faculdade de Direito e Ciências Econômicas de Paris (1969) , especialização em Aperfeiçoamento Sindical Em Programa pelo Confederação Internacional dos Sindicatos Cristãos (1962) , especialização em Planejamento Agrícola Em Israel pelo Governo de Israel (1963) , especialização em Planification et choix priortes dans le develpment pelo Organização das Naçõers Unidas (1969) e doutorado em Science Economiques Et Sociales III Eme Cycle pela École Pratique Des Hautes Ètudes Vie Section Sorbone (1970) . Atualmente é Consultora/Colaboradora/Pesquisadora-bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Professor Adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Associado desde a fundação até os dias atuais do Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa de Pós Graduação. Tem experiência na área de Educação. Atuando principalmente nos seguintes temas: Sindicato Campones, Participacao/Desenvolvimento, Instituicao/Promocao/Regional.

Durante sua rica vida acadêmica, muito resumidamente expressa nessa apresentação do CV Lattes, ela foi professora do departamento de educação da PUC-RJ, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da UFRJ. Uma parte dessa história deve estar na entrevista que concedeu ao Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil, o famoso CPDOC da FGV, (http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/historia-oral/entrevista-tematica/maria-julieta-costa-calazans). Pelo que consta nesse endereço, a entrevista foi conduzida por Lúcia Hippolito e Maria Celina D’Araújo, em 28/10/1998, no Rio de Janeiro, e está disponível no capítulo 9 dessa publicação (http://biblioteca.jfpb.jus.br/wp-content/uploads/2017/10/fundacao-getulio-vargas-concretizacao-de-um-ideal.pdf).

Julieta orientou dezenas de estudantes de pós-graduação e teve seus trabalhos citados em inúmeras dissertações, teses, artigos e livros.

Em sua tese de doutorado, Marlúcia Menezes de Paiva (http://www.dhnet.org.br/potiguariana/igreja/tese_marlucia_paiva.pdf) assim se refere a Julieta Calazans: uma das primeiras idealizadoras do sindicalismo rural no Rio Grande do Norte. Foi membro da “equipe de sindicalização” do SAR e primeira delegada da Superintendência de Política Agrária (SUPRA) no Rio Grande do Norte, indicada pela Federação (FTRRN).

Textos que fazem alguma referência a Julieta aqui no blog (na ordem cronológica):

  1. https://areiabranca.wordpress.com/2008/12/01/a-familia-calazans/
  2. https://areiabranca.wordpress.com/2013/05/17/a-casa-das-tres-mulheres/
  3. https://areiabranca.wordpress.com/2016/03/18/clube-do-sesinho/
  4. https://areiabranca.wordpress.com/2016/03/24/fotografia-uma-viagem-no-tempo/

 

Como primo segundo e sobrinho por adoção, devo me penitenciar por jamais tê-la entrevistado. Nossos caminhos raramente se cruzaram durante a vida adulta. Quando voltei para Natal, em 2012, fui informado por Jória, sua irmã, que a doença de Alzheimer já havia tomado conta de sua consciência.

Na foto ao lado estão as quatro pessoas da família Calazans com quem mais tive contato, se não pela marca do tempo, mas pela marca sentimental, como descrevo na crônica https://areiabranca.wordpress.com/2008/12/01/a-familia-calazans/.  Acrescento a essa categoria, o saudoso Aldemir, com quem tive contato durante o período que estudei no Rio.

Meu pai, Clodomiro, era sobrinho de Antônio Calazans. Portanto, eu era primo segundo de Julieta, mas era insistia que eu a chamasse de TIA ÊTA. Quando ela fazia essa exigência eu tinha essa cara. Lembro de eventos antes dos meus 5 anos, quando ela chegava em Areia Branca no final do ano, com presentes para crianças pobres. Ela colocava os presentes em uma grande caixa, na sala de visita da casa de seus pais, cobria com raspas de madeira e as crianças “pescavam” seus presentes de Natal. Concedia-me o privilégio de na noite anterior, antes de montar a pescaria, escolher meu presente. Poucos anos depois, antes de completar os 10 anos, me admirava aquela mulher dirigindo um jeep verde, tipo veículo de guerra.

Soube depois que ela trabalhava no SESI, mas perdi o contato com ela durante toda minha adolescência e juventude. Foi o período em que ela partiu para seus estudos no exterior.

Certo dia, entre 1970 e 1971, quando eu fazia meu curso de física na PUC-RJ, a reconheci no interior de elevador do Edifício Cardeal Leme, o famoso Prédio Velho da PUC. Perguntei: você não é Julieta? Olhou-me meio que espantada, mas não me reconheceu. Marcamos de nos encontrar depois, mas não consigo lembrar porque esse encontro jamais aconteceu.

O curioso de tudo isso é que minha vida acadêmica tem muitos pontos de contato com a sua, razão pela qual não me conformo em jamais tê-la entrevistado.

Achei na internet um exemplar da revista infantil Sesinho de janeiro de 1954, dando conta de uma atividade cultural organizada por Julieta para comemorar o Dia da Criança de 1953. Gracinha de Dona Chiquita e Ivaldo Caetano são mencionados. Será que nosso colunista Evaldo Alves lembra disso?

 

 

 

 

 

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