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A primeira vez que assisti ao Projeto Pôr do Sol fiquei maravilhado com a ideia. A participação das pessoas e a beleza do pôr do sol, visto pros lados de Tibau, nos leva ao nível do encantamento.

Era uma tarde de sexta-feira, e estávamos no hotel em Upanema quando alguém nos avisou: Vai haver música lá no Marco Zero. Pedi que me explicasse melhor. Chave do carro na mão, logo estávamos no rumo da igreja matriz. O sol iniciara sua descida no canto do mundo, como em uma brincadeira de esconde-esconde. O vento forte ameaçou presença, mas errou o caminho e se perdeu no rumo de Mossoró, deixando-se levar por nuvens sem compromisso com a verdade.

Chegamos no início, ainda nos acordes pré-termo, e nos encantamos com o show de música e entretenimento ali apresentado, em especial a seleção de MPB. Ali, a confirmação viva do apoio da comunidade e do pároco, em uma sintonia que lembrou os tempos de padre Ismar.

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Por se tratar de um programa desenvolvido pela prefeitura, fica o temor de que a próxima administração decrete o encerramento de mais uma boa inciativa.

Projeto Pôr do Sol. Uma boa ideia aguardando maior engajamento da sociedade. Que não seja como esta belíssima e gigantesca flor do baobá, que só desabrocha a cada 50 anos.

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O turismo agradece.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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No dia da Festa de Nossa dos Navegantes deste ano, em que a procissão marítima foi pela manhã, o entorno da pracinha e os arredores da igreja, como uma vaga lembrança da época áurea dos anos 1960, estavam abarrotados de comidas de todos os tipos e origens, com salgados que iam de salsichas a churrasquinhos no espeto, passando por sanduíches de formas e gostos variados. Mas os doces se sobressaíam com vantagem nos preços e na variedade.

Tinha alfenim, pipoca doce, quebra-queixo, algodão doce, cocada de rapadura, pirulito (enrolado num papel e enfiado num palito) sucos de frutas variadas. Nos quiosques próximos, sanduíches de boa qualidade, torradas e comidas de todos os tipos, de galinha ao molho pardo a frango assado. Tinha, também, saquinhos de castanhas de caju assadas. Uma delícia. Na hora do almoço, nada melhor que o Passárgada de Toinho Tavernard.

No meio de todo esse movimento, camelôs improvisados vendiam bugigangas de todo tipo, de piões a pequenos barquinhos, malabaristas de madeira, bonecas de pano, penduricalhos e para as garotas, bijuterias, perfumes.

Comidas de rua. É assim em todo lugar. Na capital da Turquia, Istambul, uma das maiores metrópoles do mundo, logo na esquina de uma rua do centro – Rua do Bonde, que é uma via de pedestres -, há algo a ser provado. Trata-se do suco de romã. A fruta é espremida na hora, ali mesmo, e há sempre uma pequena fila. Descendo a rua, em meio a uma multidão de turistas, nosso olfato é provocado por um cheiro estranho que vem de fogareiros nas calçadas. Quando chegamos mais perto percebemos que são castanhas portuguesas que, quando assadas, adquirem uma cor escura e um aroma indescritível.

Nas estradas da Turquia, vale a pena parar para provar o iogurte turco, no Brasil conhecido como iogurte grego, coberto com sementes de papoula. Imperdíveis o iogurte, a castanha e o suco.

Em Praga, capital da República Tcheca, uma rosca que mais parece um acessório para o braço nos encanta desde a primeira prova. É o Trdelnik, vendido nas ruas e em pequenos quiosques. É como se fosse uma rosca doce, em espiral, feita no local, assada e passada no açúcar. A palavra é quase impronunciável, mas a rosca é muito, muito gostosa.

Em Areia ou em qualquer cidade do mundo, as comidas de rua nos encantam.

Mesmo que ás vezes não saibamos pronunciar o seu nome.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Há sempre, em algum lugar de mim, um sentimento que aflora nos momentos inesperados, em lugares muitas vezes esquecidos do nosso GPS. São ocasiões em que o nosso sentimento é despertado pelo toque de uma emoção ou por uma imprevista convocação retrofílica.

Portugal, Évora, 2017. Adega da Cartuxa. Após uma proveitosa visita à vinícola, fomos levados a uma sala especial. Em torno de uma mesa, várias garrafas de vinho escolhidas por orientação de um profissional. Ali, ao alcance da mão, cinco delícias internacionais, a começar por uma Pera Manca. Era uma degustação de vinhos agendada do Brasil.

Areia Branca, década de 1950. A Rua da Frente amanhecera agitada, como toda a cidade. Era véspera da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes, e as pessoas se movimentavam pelas ruas em um frenesi inimaginável. Eram filhos da terra que retornavam para a festa, assim como visitantes de cidades e lugarejos próximos e distantes.

Na mercearia de papai, na Rua da Frente, eu procurava ajudar no que podia. Só não podia servir as bicadas e as meiotas solicitadas pelos frequentadores. O fornecimento de víveres às barcaças estava suspenso, pelos motivos óbvios. Era a festa. E a festa maior da nossa cidade, aquecia corações e vendas.

No balcão, novos produtos eram ofertados, novas marcas de cachaças eram provadas, aprovadas ou rechaçadas. A de jatobá era uma das preferidas. Nesse vai e vem, eu me empolgava com o clima das ruas e o calor dos bebericantes.

Em Areia Branca, suspiros, a dose do santo, comentários maliciosos, conversas de botequim. Alguém fugira (roubara) uma moça, e o pai exigia casamento. Um tubarão muito grande fora apanhado em Upanema com a perna de um pescador em sua barriga.

Em Évora, discussões sobre o bom momento que vive Portugal, atraindo mais e mais brasileiros tentando fugir da bandalheira que aqui foi instalada por grupos políticos e econômicos agora na mira da justiça.

Em Areia Branca ou em Évora, a alegria de viver. Tim-tim.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Ele não é um areiabranquense qualquer. Oriundo de família pobre; seu pai, Manoel Marcelino de Souza (Manoel Lagartixa) perdeu o emprego no serviço de estiva e, desiludido, viajou para Santos no navio Volta Redonda, como estivador do Lloyd Brasileiro. No ano de 1969, seu pai embarcou no navio Itaberá, também do Lloyd Brasileiro, onde permaneceu até sua aposentadoria em 1985. No final do ano de 1970, a família viajaria para Santos, junto com a mãe, Jovina Joana, onde permanece até hoje.

Daí, junto com seus primos Zacarias e Carlinhos, trabalhou na empreiteira de uma pessoa da família; em seguida prestaria serviços em uma padaria. Logo seria técnico de rádio e televisão e trabalharia em uma empresa autorizada da Phillips, para em seguida tornar-se auxiliar de escritório de uma empresa multinacional (Techint). Trabalhou na Embraer e no INSS, até se firmar como funcionário da Receita Federal, em Santos, onde trabalha até hoje.

E nunca mais retornou a Areia Branca. É que um emaranhado de nós existenciais, em conluio com lembranças das dificuldades vividas em sua cidade, o impediam de empreender a viagem de volta. De uns tempos para cá , no entanto, foi se formatando em sua mente o ambiente para o retorno, que se efetivou neste mês de agosto de 2017, talvez tocado por seu amor pela avó Antonia e seu avô Vital Marcelino de Souza, personagens frequentes em seus comentários no Era Uma Vez em Areia Branca.

Em Areia Branca, tentamos de todas as formas encontrar nosso amigo, que se anunciava hóspede da Pousada do Mestre, na rua Silva Jardim. De posse do seu endereço na cidade, formamos um grupo – eu, Sônia, Chico de Neco Carteiro, Ivo e Assis Câmara – e fomos à pousada indicada, onde nada conseguimos além de uma vaga indicação de que ele ali estaria hospedado.

No dia seguinte, véspera da procissão marítima, saíamos do café da manhã e fomos abordados em nossa pousada por um homem sisudo segurando o riso e tentando esconder seu espírito brincalhão. Logo imaginei ser ele aquele que há um dia procurávamos. Acertei.

Jerônimo, areiabranquense sério, inteligente, crítico ardiloso, de humor sutil. De volta a Areia Branca, tentou de todas as maneiras manter-se oculto.

Quase conseguiu.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Era final de uma tarde de sexta-feira, a quatro dias da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Estávamos reunidos no hotel de Upanema quando fomos avisados de que em frente ao Marco Zero, voltado para o patamar da igreja, estava ocorrendo a apresentação semanal de um conjunto musical que acontecia ao cair da noite. Um happy hour com direito a um belo pôr de sol. Saímos de forma estabanada no rumo da Rampa.

Uma pequena multidão se aglomerava entre o Marco Zero e a Rampa. Na frente da igreja, as pessoas, em postura viking, saudavam a apresentação do alto do patamar – agora em forma de um barco – e pareciam dispostas a invadir o rio, no resgate dos últimos fragmentos de um sol muito vermelho que agonizava pros lados de Tibau. A música como incentivo.

De fato, ali, em pleno Marco Zero, alguns músicos prestavam uma homenagem ao pôr do sol mais belo do Rio Grande do Norte.

Ao sairmos, assistimos a um sol confuso, cominutivo, tentando espalhar os restos de vermelho em um céu gris. Um convite à reflexão. Puro encantamento.

Somente depois viríamos saber que se tratava de mais uma apresentação do Projeto Pôr do Sol, iniciativa da Prefeitura Municipal para incentivar o deslocamento das pessoas nos finais das tardes das sextas-feiras para, de forma comunitária, curtir o pôr do sol do patamar da igreja, ao tempo em que assiste à apresentação de músicas de boa qualidade, sejam cantadas ou executadas por excepcionais instrumentistas.

Projeto Pôr do Sol. Um oásis de boa música. Uma sobremesa para a Poesia Nos Muros.

Uma seresta, ao final.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

maio 2018
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