You are currently browsing the category archive for the ‘tipos populares’ category.

Era uma vez… um professor universitário teve uma ideia. Criar um blogue sério, comprometido com a história de Areia Branca, desde os mais antigos habitantes. A preocupação era manter viva a memória do seu folclore, com foco em seus pastoris, seus carnavais, sua religiosidade, seus aspectos econômicos, suas praias, seu turismo.

No início, um pequeno grupo passou a elaborar textos descritivos e crônicas comentando sobre fatos e pessoas que fizeram a história da cidade, seus trabalhadores, estudantes, suas ruas, praças e monumentos. A esse grupo inicial se juntariam outras pessoas, que enfocaram a importância do rio Ivipanim e a necessidade de preservação do manguezal que o cerca e o ampara. Outro ponto importante é a preocupação com a destruição de algumas das mais antigas edificações urbanas, e do descaso pelo que ainda persiste.

Jamais fugimos da crítica às autoridades quando a defesa dos interesses da nossa cidade estava em jogo, ou nos negamos à crítica por temor de se sentirem ofendidas as autoridades do poder público.

Desse modo, figuras do povo foram evidenciadas, com seus apelidos, predicados e modo de ser. Pessoas comuns tiveram vez e voz em nossos textos, preocupados que somos com o respeito à verdade. Práticas antigas foram evidenciadas, como a serração da velha, sem esquecer a aura de mistério envolve as noites em que a cruviana saía pelas madrugadas disfarçada de vento, assessorada pela escuridão.

Areiabranquenses ou naturalizados pelo coração passaram a colaborar com este espaço, escrevendo sobre as pessoas do povo, suas famílias, seu modo de vida, seus hábitos, suas profissões.

Com o congraçamento entre os que escrevem e os que leem e comentam, foi-se formando um amálgama temperado pelo respeito e amizade, fazendo com que profissionais de muitas partes do Brasil e até do exterior se encontrem todos os anos quando da realização da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes.

Aqui, areiabranquenses reencontraram filhos, parentes, amigos já quase no nível do esquecimento, renovando amores de família e amizades da infância.

Aqui, a história da cidade. A verdade dos fatos.

Obs.: Em um único dia (8 de janeiro deste ano) houve 525 acessos a este blogue, um recorde histórico. Uma prova de sua importância e grandiosidade. Mantenhamo-nos na luta.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Anúncios

Ancorado no descompromisso, iniciei uma romaria/via-sacra pessoal em agosto deste ano, saindo de Natal com destino a Juazeiro do Norte, desligado de relógio e calendário. Era o deixar-se ir.

Nos caminhos de ida, Tangará e Boa Saúde nos orientavam para as terras de Santa Cruz; daí a Currais Novos e Caicó foi fácil. Logo depois, enfim, conheceria Pombal e um rio de nome estranho – Saco do André. Um tropeço no mapa e fomos parar na cidade de Patos, na contramão do nosso ponto futuro, Juazeiro do Norte. Mais uma boa surpresa ao nos depararmos com uma cidade que nos impressionou por seu estágio de desenvolvimento. Finalmente, Juazeiro do Norte nos receberia ao cair da noite.

Entre Barbalha e Milagres, mais um tropeço e adentramos Pernambuco. Foi um sem-querer-querendo que serviu como amostra – tipo biópsia – do alto nível de desenvolvimento daquele Estado.

Cajazeiras muito nos impressionou. Imaginava uma cidade pequena, de população reduzida. O que vimos foi uma efervescência de pessoas e mercadorias que nos profetiza o futuro promissor que se avizinha.

Mas eu tinha um encontro com o Padim Ciço, que foi marcado em um quintal de uma festa de são-joão em Brasília, ele vestido a caráter.

dsc04304

Ainda na estrada, utilizando os binóculos do interesse, uma metrópole despontava altaneira, vibrante. Eram os primeiros sinais de Juazeiro do Norte na paisagem. Ao transitarmos por suas ruas bem calçadas, a certeza de uma economia forte, onde a aura e a mística do Padre Cícero Romão Batista influenciam comportamentos e decisões. Em Juazeiro percebemos uma aura mística semelhante à que flui nas cidades de Assis, na Itália, e Santiago de Compostela, na Espanha. Só indo para entender.

2016-08-11-photo-00000134

No cedinho de uma manhã que se anunciava quente, uma parada que obedecia a um quase inaudível chamado. Era o Padim Ciço em pessoa.

dsc04325

– Garoto, finalmente!

– Eu, garoto?!

– É que tens apenas alguns minutos de vida. Ela começa a partir de agora.

– Soube que fizeste uma bonita litania do penitente. Sei que tua via sacra pessoal foi um tempo de reaproximação e de descobertas.

– Ora, padim, foi uma simples ladainha.

– Litania, garoto! Isto é o que é. E por que não vieste aqui falar comigo? Eu te diria sobre os modos do meu povo, suas lutas e necessidades. Sei que conheces – e bem – os caminhos e as encruzilhadas. Falta o mote.

– É que fiquei sem jeito.

– Pois retoma o tema. Atrás, à tua direita está o roteiro. Toma a caneta, coloca o chapéu e refaz o percurso.

Fortalecidos com o encontro, enfim chegamos a Areia Branca na antevéspera da festa de Nossa Senhora dos Navegantes, trazendo conosco os bons fluidos de Apodi e Mossoró. Areia Branca, apesar das conhecidas dificuldades, caminha com passos decididos no rumo de um desenvolvimento ordenado.

Pelos caminhos, boas estradas. Pelas cidades, sinais de vida pujante.

Coisas do desenvolvimento.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Surpreendi Toinho Tavernard concluindo esta tela que sua filha, Leila, encomendou para me presentear.

ATavernardEinstein2014e

A propósito, ele está planejando produzir séries numeradas de alguns monumentos areia-branquenses que desapareceram, ou foram modificados ou correm o risco de desaparecerem. Para quem não está habituado com esse tipo de produção, muito comum na serigrafia, trata-se de telas com numeração certificada pelo artista. O adquirente sabe a quantidade de cópias existentes, e qual é o número da que adquiriu.

Um dos monumentos em vista é o Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra, na forma em que se encontrava nos anos 60-70. Talvez ele produza apenas 10 telas 40×50 desse sacrossanto edifício da educação areia-branquense.

G.E. Cons. Brito Guerra

Queca gostava de tirar uma soneca leve depois do almoço, numa espreguiçadeira na entrada da sua mercearia. Um dia uma mocinha chegou e perguntou:

– O senhor tem maizena?

– Maizena eu tenho, não tenho quem vá despachar.

capaChicoNecoCarteiro_2012Becos, ruas e esquinas, recebi com o autógrafo do autor, na grafia conhecida de todos, Chico de Neco Carteiro, no seu lançamento na Academia Norte-Riograndense de Letras. Publicado pela editora Sarau das Letras e lido de uma talagada só. Não é que eu seja um voraz devorador de páginas impressas, como se pastéis de Belém fossem. É que livros de memórias, se bem feitos como esse, são apetitosas iguarias, que, fora da metáfora, são consumidas avidamente.

Chico de Neco Carteiro mudou-se para Mossoró antes que eu fizesse, ao meu tempo e ao meu jeito, muitas das estripulias que ele praticou. Por isso, por causa dessa desconexão temporal, seu livro me toca o imaginário afetivo apenas levemente, em breves referências de uma parte da vida areia-branquense por nós compartilhada. Em compensação me instrumentaliza intelectualmente, como inestimável fonte histórica que é. Entre as figuras populares citadas, bem me lembro de Marciana, mas Chico não menciona Casca de Ovo, personagem que mencionei em crônica aqui (https://areiabranca.wordpress.com/2012/08/15/nos-de-macatuba-eles-de-amarcord/). Quando teria surgido esse doidinho manso da minha adolescência?

Não posso deixar de registrar a emoção que senti ao ler a referência ao bar de meu pai, logo na crônica que dá nome ao livro. Apesar dessa emoção, aquele beco continua sendo o beco de Alfredo Piriquito e seu famoso café. A menção ao bar de meu pai, que existiu (o bar) até meus 5 anos de idade, me faz recuperar lembranças felizes e tristes, que não devem ser contadas aqui, neste espaço dedicado ao livro de Chico de Neco Carteiro.

Não sabia que o time de futebol da Cruzada Eucarística tinha uma história tão longa. Fui seu atleta no final dos anos 1950, quando ele já existia há mais de uma década, sei agora após a leitura da crônica Era um descampado só.

Invejo as pessoas de boa memória, e este meu amigo é um dos principais alvos. Como ele consegue lembrar os nomes de todas aquelas embarcações, iates, barcaças e rebocadores que singravam o rio Ivipanim? Se não lembra, mas tem tudo anotado, ou fez pesquisa, aí já entra em outra rota de inveja que tenho, daqueles possuidores de talento para a pesquisa histórica. Na crônica Francisco Ferreira Souto, Chico me obriga a um mergulho hoje imaginário e outrora real, da popa do iate Narciso e do rebocador São Miguel, este quase permanentemente ancorado em frente à Salmac, na rua das Almas, onde residi por mais de uma década.

Zé de Cadinha, amigo e companheiro de futebol de Chico de Neco Carteiro, e um dos mais elegantes jogadores de futebol que vi em minha vida. Lembro de um jogo no velho Juvenal Lamartine, ABC contra não lembro qual time. Um atacante coloca a bola entre as pernas de Cadinha e corre para apanhar a bola nas suas costas. Seria um drible avassalador, não fosse a calma, habilidade e sangue frio de nosso ídolo. Fez um giro de 90 graus para a direita e apanhou a bola, deixando o atacante chupando o dedo. Anos depois tive o prazer de conhece-lo. Com muita frequência ia na nossa casa, em Potilândia, para caminhar com meu pai. Com aqueles cabelos brancos ainda preservava a elegância do jovem centro-médio do ABC.

O beco do Panema, por ali passei inúmeras vezes, a pé e na Sopa de Luiz Cirilo, nome pelo qual conheci aquela espécie de ônibus. Curioso que Chico a denomina Escandalosa. Estamos falando de transportes diferentes, ou de nomes diferentes para o mesmo transporte? Fiz muitas viagens naquele pequeno coletivo, mas apenas uma resiste ao tempo na minha memória, quando criança fui a um piquenique, com galinha e farofa.

Ficaria aqui, agradecendo ao Chico por me trazer essas doces lembranças, mas não posso deixar de dizer que sua prosa gostosa navega por mares literários e históricos para além da Serra do Mel. De Intérpretes da MPB a Mário Negócio, passando por Ignácio de Loyola Brandão, Chico nos alimenta com seu extenso e profundo conhecimento.

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Para receber as novidades do blog