You are currently browsing the tag archive for the ‘anos 50’ tag.

Areia Branca, 24 de dezembro de 1955. Nessa época, era prefeito o Dr. Manoel Avelino, e a cidade passava por um momento de efervescência, apesar das escassas obras de infraestrutura urbana. A Escola Técnica de Comércio, onde funcionava o Curso Comercial Básico, criado em 1952 pelo prefeito José Solon, representava o nível de ensino por todos desejado, inclusive eu, onde cursei até o segundo ano. Os estudantes orgulhavam-se de ostentar sua farda cáqui com uma listra na lateral. Aliás, Listra era uma antiga cidade de uma província romana, situada ao sul de Icônio, atual Konya, por onde o Apóstolo Paulo anunciou o Evangelho em suas viagens missionárias, conforme relata o livro de Atos do Novo Testamento da Bíblia. Konya é a cidade onde viveu o profeta Mevlana, e hoje famosa pelo desenvolvimento das atividades dos dervishes dançantes.

G.E. Cons. Brito GuerraGrupo Escolar Conselheiro Brito Guerra

PracinhaPracinha com a igreja ao fundo

Na sonora do alto do Palacete Municipal, as músicas de Nelson Gonçalves (A Última Estrofe e A Camisola do Dia), Orlando Silva (Aos Pés da Santa Cruz e Curare), de Dalva de Oliveira e de Ângela Maria e Cauby Peixoto eram anunciadas em altos decibéis, e empolgavam grupos de estudantes e trabalhadores que se juntavam nos bancos da pracinha ou ao longo do passeio. Aqui, rapazes e moças a rodopiavam em torno da pracinha, no depois dos eventos religiosos. Os rapazes, preocupados com o Gumex ou com a brilhantina, confirmavam no tato a presença do espelhinho redondo no bolso da frente da calça; no de trás, um pente Flamengo aguardava a hora de ser utilizado às escondidas, na lateral da igreja, sob os auspícios da escuridão. Era noite de Natal.

Juventude da épocatirolsalmac

Juventude da cidade e foto do Tirol

No dia seguinte, as crianças de famílias com melhores condições econômicas saíam às ruas com o intuito único de ostentar seus presentes de Papai Noel. Eram carrinhos, bicicletas, pequenos triciclos e patinhos de madeira com um cabo, a fazer barulho na vizinhança.

Ao lado esquerdo da nossa casa, na Rua da Frente, Haroldo – o menino que queria ser paraquedista -, filho único de dona Hilda e José Leonel, em estado de euforia entrou gritando na sala da minha casa: Eu vi Papai Noel descendo pela parede! E nos levava apressado para vermos algumas arranhaduras na parede do seu quarto, bonito e arrumado. Eram as marcas do bom velhinho que escorregara com seu saco para deixar o presente, que ele punha à nossa disposição para brincar. Na minha mão direita, um balão colorido, desses de festa de aniversário, cheinho, quase a explodir. Era o meu presente, acalentado junto ao peito. Meu Papai Noel também tinha sido muito generoso. Comigo e com meus nove irmãos.

No meio da tarde, o som de um velho sax animava alguns salões, com o rodopio das meninas a alegrar rapazes acanhados, sem coragem para encarar uma contradança.

Ontem ou hoje, a alegria do Natal só depende de nós mesmos

Anúncios

miranda_paletoAntônio Fernando Miranda está beirando os 72 anos. Tem uma memória extraordinária e uma inigualável disposição para refrescar a memória dos outros. O conheci depois que ele entrou no blog para corrigir a legenda de uma fotografia, na qual colocamos Brás Benedito em vez de Brás Pereira de Araújo. A partir dali ficamos amigos cibernéticos. Sua colaboração tem sido valiosa para o enriquecimento das informações históricas deste blog.

É filho de Pedro Felipe Sobrinho, o primeiro e único deputado classista de Areia Branca. Foi Delegado do Sindicato dos Marinheiros em Areia Branca até 1964, quando mudou-se para o Rio de Janeiro. Lá, embarcou no Lloyd Brasileiro, em função do que conheceu 77 países e 127 cidades do exterior.

No final dos anos 50 e início dos 60 estivemos rondando os mesmos espaços físicos sem nos conhecermos. Do meu croqui_miranda1nascimento até a idade de 5-6 anos, morei numa casa ao lado da casa de Zé Tavernard (círculo 1 no croqui). Nessa época, o adolescente Miranda trabalhava na carpintaria que ficava nos fundos da casa de Tavernard. Eu, muito criança, costumava ir para a carpintaria admirar a habilidade de Antônio de seu Cosme. Quando não estava nos fundos da casa admirando a maestria desse fantástico artesão, eu ficava na frente da casa admirando a beleza das filhas de Tavernard.

 Por volta de 1955 fomos morar na Silva Jardim (círculo 2), esquina com a rua Joaquim Nogueira. Nesta rua Miranda foi vizinho de Toinho do Foto e da minha tia Geraldinha (círculo 3), em cuja casa eu ia diariamente, sem tomar conhecimento da sua existência.

afmiranda_posse62_num

Posse como delegado do Sindicato dos Marinheiros, em 1962.

1 – Dr. Gentil / 2 – Pe. Ismard / 3 – Chicão (membro da comissão do Sindicato de Macau) / atrás da bandeira, sem numero – Raimundo de Bagaé secretário do Sindicato. (Raimundo Batista de Souza). / 4 – Nilo Machado, Delegado substituido. / 5 – membro da comissao de Macau / 6 – Miranda, atento ao discurso de Pe. Ismar / 7 – Zacarias Francisco Rodrigues, Delegado do Sindicato de Macau. Por traz de Zacarias, Faustino presidente do Sindicato dos Salineiros. / 8 – Zé Tavernard / 9 – Brandinho (Hildebrando Soares de Amorim. / 10 – Dandinho quixabeira (Raimundo Nonato de Oliveira). / 11 – Pascoal Fonseca de Souza / 12 – Luiz Gomes.

afmiranda_ago62_num

Festa de N.S. dos Navegantes, 1962. Num caso raro, nosso Doutor Honoris Causa não conseguiu identificar as pessoas indicadas com os números 1, 2, 4 e 6. Quem se habilita?

3 – João Quixabeira (calafate) / 5 – Abdias (marinheiro) / 7 – Maninho de Luiz Mariano (à direita da sua mãe) / 8 – Luiz da Costa Nepomuceno (Luiz Mariano), irmão de Raimundo Nepomuceno (Raimundo de Chiquita do Carmo), presidente do Sindicato dos Carpinteiros / 9 – Antônio Fernando Miranda.

Nosso homem em outras paragens:

Londres

londres

Madagascar

madgascar

No mar, esfolando um tubarão de 2 metros.

tubarao_2_metros

Na década de 50 reinava o grande bailarino russo Rudolf Nureyev. Em Areia Branca atingia o apogeu , o nosso pé de valsa, Dedeca de Quinca Simeão. Enquanto o primeiro dispunha de todo o aparato do governo e da Academia de Balé Soviética; o segundo era um autodidata aprimorando seu talento nos bailes areiabranquenses. Nureyev limitou-se ao balé clássico; Dedeca (José Bertoldo do Amaral), filho de Joaquim Bertoldo do Amaral (Quinca de Simeão), e da Sra. Maria Nogueira do Amaral, imortalizou-se nas danças de salão ( bolero, valsa, tango e qualquer rítimo). Os bailes raramente não tinham a primazia de Dedeca, pois, enquanto pairavam dúvidas e vergonhas, sobre o primeiro a adentrar o salão; Dededeca prontamente todo serelepe, acompanhado por seu par, abrilhantava os presentes com a primeira dança. Sua companheira era como se fosse sua irmã gêmea siamesa. Partícipe de uma simbiose perfeita, brilhava conjuntamente com o mesmo, mas na realidade não passava de uma mera atriz coadjuvante. Como a cascavél injeta o veneno em sua vítima; ele destilava em pequenas doses homeopáticas , o seu vinho peculiar. Saracoteava de um lado a outro do salão. Ziguezagueava que nem uma cobrae e rodopiava que nem um pião. Deslizava no salão como um cisne rei, no lago em plena lua cheia. Enchia os olhos dos presentes ve-lo dançar. Causava inveja principalmente naqueles duros de cintura. Era um Garrincha de pernas normais, driblando toda adversidade à qualquer passo dançante, por mais difícil que fosse. Não havia concorência , ele imperava absoluto.

Como em toda época e em todo o lugar, existe uma turma boa que gosta da gozação; Areia Branca também tinha seus atores e suas peculiaridades. O Zé Antonio prático de profissão era um deles. Combinou com a turma: Chico de Boquinha, Hugo Costa, Ribamar Siqueira e outros, que naquele baile iriam aprontar uma boa pra o Dedeca. Todos teriam que fitar um outro dançarino, elogiá-lo e relegar Dedeca ao ostracismo. Dito feito e cumprido. Os amigos eram olhos, elogios e admiração pelo dito cujo. Dedeca sem entender o porque do ocorrido, caprichava na dança perto deles, se esmerando ao máximo por agradá-los. Apresentava todo o seu riquíssimo repertório. Demonstrava toda a sua ginga, criatividade, desenvoltura de um exímio dançarino e nada funcionava. Não satisfeito , chegou perto dos amigos e falou:

– Viu como danço bem ?

 A turma respondeu-lhe :

– Você não tá vendo que fulano dança muito melhor ?

_  O quêêêêê “… ?  Vocês não vêem que ele se parece com um macaco dançando ?

E fazendo a imitação perfeita de um macaco dançarino, a turma caiu na gargalhada. Não se distinguia os risos; se pela imitação dele; por o mesmo ter caído na armadilha; ou por ambas.

O texto abaixo é do meu irmão Marconi, que solicitou sua publicação neste espaço. Atenção para a proposta de um encontro em Areia Branca, no último parágrafo.

Meu nome é Marconi, segundo filho do Dr. Vicente Dutra e D.Nenen. Nasci em 1.951 e sou de Areia Branca, como meus outros quatro irmãos Marta, Marco Aurélio, Marcelo e Márcia. Aos onze anos fui estudar no Colégio Militar em Fortaleza, para onde a família se mudou definitivamente no final de 1.963, em busca de melhores condições de educação.
Nos quatro anos seguintes, as nossas férias eram em Areia Branca viajando na companhia de Duarte e Júlio César, que moravam em Fortaleza.
Muitas coisas aconteceram neste período… as primeiras namoradas, serenatas, passeios, futebol, voley, praias, pescarias, carnaval, conversa fiada e muita diversão.
Daí pra frente a Universidade, os estágios, o trabalho, novas perspectivas de vida, o namoro e os novos amigos, fizeram com que as idas fossem ficando raras.
Em 1.973 me formei Engo.Mecânico na UFC, e desde 1.975 estou casado com e cearense Diva, com quem tive três filhos – Igor e Leo cearenses e casados, e Tiago, baiano e solteiro, um neto e o segundo sendo esperado para maio próximo.
Voltei a Areia Branca em 1.975 para conhecer o porto ilha da Termisa, num passeio maravilhoso e emocionante a bordo da lancha Natal da C.C. Navegação.
Em 1.977 vim transferido para Salvador na Bahia, cidade onde moro e que por opção escolhi para viver.
Retornei a minha cidade em 1.978 já com a família e novamente em 1.984, agora acompanhado dos meus irmãos. Nas duas ocasiões fomos muito bem recebidos por Gracinha e toda a sua família, com sua conhecida hospitalidade de seus pais Sérvulo e Celi .
A cidade tinha crescido, vimos alguns dos nossos velhos amigos e visitamos os lugares conhecidos.
Em dezembro de 2.003, de férias em Fortaleza e sem qualquer programação prévia, resolvi que depois de quase vinte anos deveria rever Areia Branca, e acompanhado por Diva e Tiago, fizemos uma viagem relâmpago mas bastante interessante, onde em apenas um dia visitamos a cidade, passeamos e almoçamos na praia de Upanema, e fomos até a Ponta do Mel que ainda não conhecíamos e ficamos encantados com a beleza do lugar e do hotel que ali se instalou, não tendo a oportunidade de procurar ou rever nenhum dos velhos amigos.
Encontramos uma cidade bem diferente. Mais populosa, ruas pavimentadas, um comércio mais vigoroso, novas praças, um novo mercado municipal, um novo cais, um sistema de travessia do rio para Grossos por “ferry”, mais moderno e eficiente, uma indústria naval ativa e a bela praia de Upanema bem mais estruturada com restaurantes, casas novas e um novo farol.
Mas ainda pude ver a velha Maternidade Sara Kubitscheck, o Ivipanim Clube, a Prefeitura Municipal, a Igreja Matriz e a casa onde moramos na rua Cel. Fausto. A decepção ficou por conta do Cine Miramar, que vimos inaugurar e que estava em ruínas.
Pensando nisso tudo, conversei ontem com Marcelo e propus a ele que visse com os velhos amigos, a possibilidade de organizar um encontro em Areia Branca, aproveitando um dos feriados que teremos este ano numa das terça ou quintas-feiras.
Sei que não é tarefa fácil juntar tantos amigos, mas quem sabe se não teremos sucesso !!!
Um abraço,
Marconi

outubro 2017
S T Q Q S S D
« set    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Para receber as novidades do blog