You are currently browsing the tag archive for the ‘antonio calazans’ tag.

Em Areia Branca, as mulheres sabiam, os homens frequentavam ou teciam comentários a respeito. Seus nomes: Honorina, Marina, Beata, Joana André, Antonio Carpina, Manoel Pemota e Arlindo, dentre outros. As crianças, temerosas e inocentes, tinham vagas noções de sua existência e quase nada sabiam do que acontecia naqueles locais.

Todos sabiam da existência dos cabarés de Marina e Beata, localizados bem ali na rua Joaquim Nogueira, segundo o Comandante Miranda. Nas proximidades, ficavam os cabarés de Joana André e outros. Em seguida, o cabaré de Marina mudou-se para o cercado – como eram chamadas as chácaras – de Zé Lourenço e, algum tempo depois, para o cercado de Antonio Calazans. Além desses, havia os cabarés mantidos por homens, como Antonio Carpina, Manoel Pemota e Arlindo.

Por ser uma cidade pequena, à época, ficava fácil encontrar os caminhos do amor profano e da falsa felicidade. Tais elementos de nossa paisagem não deixaram escritos em livros ou sinais explícitos em nossa arquitetura. Era proibido falar em tal assunto.

Boa parte dos meninos de minha geração sempre ouviu falar do cabaré de Horonina como o mais importante da cidade, a meio caminho entre Upanema e a cidade, exatamente nas proximidades de tais cercados. O Comandante Miranda também pôs os pingos nos is e nos informou que ali funcionava, na realidade, um misto de bar o lanchonete. Confesso que me decepcionei com meus conhecimentos de nossa história.

Éfeso foi uma cidade grego-romana da Antiguidade, situada na Ásia Menor, hoje pertencente à província de Esmirna, na Turquia. Durante o período romano, era a segunda maior cidade do Império Romano e do mundo, atrás apenas de Roma, com uma população de 250.000 habitantes.

Éfeso era famosa pelo Templo de Ártemis, uma das Sete Maravilhas do Mundo, construído por volta de 550 a.C., e pela Biblioteca. Destruída por uma multidão no ano 401 d.C., teve boa parte de sua estrutura reconstruída pelo imperador Constantino I, que ergueu seus famosos banhos públicos. Foi em Éfeso que São Paulo proferiu muitas de suas Cartas.

Caminhando pelas ruas hoje e outrora bem cuidadas, nos deparamos com inscrições bem feitas, caprichadas, indicando um caminho, um local, sua função e se os serviços ali oferecidos eram pagos  ou gratuitos.

Caminho TurquiaNo alto da foto, um coração sinaliza a possibilidade de encontro amoroso; no meio, um pé indica o sentido a ser seguido pelo cliente; embaixo, lado direito, um retângulo – símbolo do dinheiro – indica que o encontro deve ser pago.

Sauna Turquia

Sauna pública. Por baixo dessas aberturas corria água.

Em Areia Branca 1950 como em Éfeso a.C., a importância do mercado do sexo.

 

 

 

 

Aproveito o texto de Marcelo para dar meus depoimentos sobre a família Calazans. Sim, é no plural mesmo, porque o farei na forma de pequenos verbetes sobre alguns membros da famíla. Tenho laços familiares com essa família. Do ponto de vista genealógico são tênues, mas foram emocionalmente intensos. Aos 11 anos de idade meu pai foi morar na casa de Antonio Calazans e trabalhar no seu armazém, que ficava na rua da frente, próximo à igreja. Pelo menos era lá quando eu passei a freqüentá-lo, no final dos anos 1950.

Durante minhas andanças infantis pelas ruas em torno do jardim (a praça entre a prefeitura e a igreja), costumava dar um pulo na casa de D. Julinha. A impressão que eu tinha era que ela fazia bolo todos os dias. Sempre tinha um diferente e saboroso. O generoso pedaço, devorado com aquele prazer que só o manjar dos deuses provoca, era sempre acompanhado de um suco de lamber os beiços.

Lembro bem da campanha de Antonio Calazans para a prefeitura de Areia Branca. Em algum momento da campanha quase houve uma tragédia. Não sei bem a história, e meu pai não está mais aqui para contá-la, mas lembro que em certa noite papai pegou seu revólver e saiu zangado para a rua. Tinha havido um comício e muitas provocações. Os Lúcios do outro lado. Ao contrário do meu pai, fiz boas amizades com todos meus contemporâneos de sobrenome Lúcio de Goes. Os filhos de Antonio Lúcio, Zé Lúcio e Manoel Lúcio.

O casal Calazans teve muitos filhos, alguns belos, outros nem tanto, e por esses últimos, surpreende a observação feita por D. Julinha a respeito de Marco Aurélio.

Julieta, Jória, Jurineide, Toinho, Adário e Aldemir foram os que conheci, e sobre os quais falarei em futuras mensagens.

A partir da esquerda: Julieta, Toinho, Seu Antônio e D. Julinha.

Nasci em Areia Branca em 1953 e mudei-me para Fortaleza em 1963, com 10 anos de idade. Por este motivo minhas lembranças são vagas e muita coisa eu tenho conhecimento através de estórias contadas por pessoas mais velhas ou amigos que por lá ficaram.

Lembro-me que tínhamos por vizinhos de um lado o Cine Miramar, e do outro lado o casal Sr. Antônio Calazans e Dona Julinha, êle que foi prefeito da cidade. Tínhamos bastante aproximação com eles, não somente pela vizinhança mas também pela amizade que meus pais tinham por eles. Tenho muito nítida a lembrança de conversas à noite com as cadeiras colocadas na calçada, costume aliás muito comum por lá. Quase todo mundo à noite ia para as calçadas bater papo e fazer hora enquanto a luz não apagava, pois o gerador desligava às 22 horas. Enquanto os adultos conversavam, as crianças se divertiam na rua.

Conta minha mãe que quando Marco Aurélio, meu irmão, nasceu, Dona Julinha foi visitá-la e ao ver a criança exclamou na maior inocência: “Vixe, Dona Nenen, nunca vi um menino tão feio!!!!”

Até hoje rimos dessa estória.

setembro 2019
S T Q Q S S D
« ago    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30  

Para receber as novidades do blog