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Estava digitalizando fotos da família, quando dei de cara com essa raridade. Foto obtida por Antônio do Vale, nosso querido Toinho do Foto, em 1972.

ObraPortoIlha_1972

No verso, a descrição, com sua inconfundível caligrafia

ObraPortoIlha_1972_verso

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Caros leitores, pesquisadores, memorialistas e colaboradores que visitam e promovem o blogue “Era uma vez em Areia Branca”,

sou Gibran Araújo, areia-branquense há mais de um século, com inexperientes 23 anos de idade. Apesar de eu ser estudante de Engenharia de Energia da UFERSA – Universidade Federal Rural do Semi-Árido, antiga ESAM, eu gosto sobretudo de ler, pesquisar, conversar e escrever sobre a história, a fotografia e a genealogia de Areia Branca. Despretensiosamente, um dia quero ser engenheiro assim como o grande sertanista Euclides da Cunha era, e ainda assim gostar de história e de escrever como ele gostava.

É com muito prazer que aceito o convite para publicar os meus trabalhos literários neste espaço que há muito tempo tem sido um recanto, um recurso, uma fonte infinita e inesgotável para minhas pesquisas e compilações de informações de Areia Branca.

Este blogue já me proporcionou muitas coisas boas, inclusive um grande orgulho pela minha terrinha, com o que conta os escritos de Marcelo Dutra, de Othon Souza, de Evaldo Alves de Oliveira, de Francisco Rodrigues da Costa, de Antonio José de Góis, de Antonio Fernando Miranda, de Carlos Alberto dos Santos e de tantos outros, inclusive os escritos de rodapé dos comentaristas, alguns até anônimos, e os registros visuais dos fotógrafos, como o saudoso Antonio do Vale Souza, este sim foi, e ainda tem sido, o nosso recurso mais utilizado desde sempre. Suas contribuições são inefáveis.

Caro primo terceiro, Dr. Carlos Alberto, muito obrigado pelo convite, e principalmente pela atenção e estima com que tem recebido e prontamente respondido às minhas correspondências. Somos primos terceiros, pois meu bisavô Manoel Pedro de Araújo, conhecido, por causa de seu ofício, como Manoel Ferreiro, era irmão de sua bisavó Maria Engrácia, casada com Pedro Ferreira de Medeiros. Assim, temos em comum o casal de trisavôs, ou terceiros avós, João Pedro e Engrácia, que apesar de serem primos, receberam a dispensa de consangüinidade e se casaram no dia 25 de novembro de 1869 na Fazenda Amparo, por onde moraram e deixaram descendência. Na época essa fazenda se situava no território do município de Caicó, hoje o território pertence ao município de Jardim de Piranhas.

Já que infelizmente não vivi os Anos de Ouro da portuária Areia Branca, e ainda sou de tenra idade, portanto não tenho memórias de outrora por assim dizer, aproveitarei este espaço concedido neste blogue não para memorialismos, mas sim para publicar aperiodicamente artigos e crônicas que versam, principalmente, sobre a história e a genealogia areia-branquenses. Há ótimos livros publicados sobre Areia Branca nas bibliotecas, nas livrarias.

Há tempo, pesquiso e compilo informações e obras que tratam de nosso município e região. Ultimamente com a perda de ilustres e queridos escritores de nossa terra, como José Jaime Rolim, Antônio Silvério e mais recentemente Deífilo Gurgel, eu me vi obrigado a transformar uma pesquisa inicialmente particular em algo público, modestamente tentando manter acesa essa chama do amor pelos escritos de Areia Branca que não pode se apagar jamais. Foi uma conseqüência, não uma escolha. De qualquer modo não pude me acovardar. E agradeço sempre por ter tido tais grandiosas oportunidades. Hoje me orgulho ao saber que, por exemplo, uma professora do ensino infanto-juvenil das escolas públicas utiliza, para dar aula sobre Areia Branca, os meus textos publicados em O PIRATA – Jornal Cultural da Ilha da Maritacaca, onde disponho de uma página para tratar da história local. Eu me sinto bem em poder contribuir indiretamente para a formação da opinião crítica dos jovens areia-branquenses. Me sinto como alguém vivo na sociedade, podendo contribuir minimamente para sua melhoria, e para o reconhecimento e o engrandecimento das virtudes de Areia Branca, mas é claro que sem bairrismo exacerbado.

Até mais.
Muito obrigado pela atenção.
Até a próxima publicação.

 

 

O autor Gibran Araújo é membro da Academia Apodiense de Letras – AAPOL, eleito como sócio correspondente pelos imortais por seus relevantes serviços prestados à genealogia potiguar.

O título é muito maior do que a pequena nota que o acompanha. Foi Antônio José quem me chamou a atenção para os fatos relatados, em duas mensagens enviadas recentemente. São contribuições importantes para a montagem do nosso cenário histórico. Um estudante de pós-graduação de ciência política ou sociologia bem que poderia apropriar-se do mote e desenvolver um estudo mais sistemático. Que resultaria em relevante material não tenho a menor dúvida. E aqui mesmo no blogue temos o início do caminho das pedras, representado pelos textos relacionados abaixo. Antes do relato de Antônio José, um lembrete do Editor. O objetivo deste espaço é contribuir para o resgate da História de Areia Branca. Não devemos cair na tentação da discussão política contemporânea, que poderia desvirtuar a tão apreciada rota do blogue. A referência que Antônio José faz a Paulo Wagner tem a sua justificada pertinência tão somente pela contextualização histórica.

Nosso memorialista resgata fatos que já se esvaíram da minha memória. Por exemplo, em 1962, Areia Branca teve quatro candidatos a deputado estadual: Manoel Lúcio, Antônio do Vale, Celso Dantas Filho e Manoel Avelino. Reclama que nós, areia-branquenses, não soubemos aproveitar, ou que a classe política não soube dar um seguimento consistente dessa inserção na política estadual. Nesse contexto lembra que depois de décadas, Areia Branca tem um representante no cenário nacional, o deputado federal Paulo Wagner, sobrinho de Sebastião Leite e do Procurador Geral do Estado, Miguel Josino Neto, que vem a ser filho de Sebastião.

Euclides Leite Rebouças, o saudoso Quidoca, avô de Paulo Wagner e Miguel Josino, foi vereador, eleito com 100% dos votos de Ponta do Mel, comunidade que representava na Câmara de Vereadores de AB. Será que há outro caso igual no Brasil?

O Editor acrescenta: dos quatro candidatos a deputado, Manoel Avelino foi o eleito. Foi deputado durante 4 ou 5 legislaturas (Antônio José, pode confirmar isso?). No final da carreira perdeu uma eleição para prefeito, após o que ocupou o cargo de representação do governo do RN em Brasília, até sua morte prematura, resultado de um infarto fulminante.

Textos sobre política em AB:

Wellington, de saudosa memória, tinha a minha idade e Wilton era um pouco mais novo. Um era meu companheiro de farra, o outro era companheiro do meu irmão, Clécio. Mas, com a diferença de idade era muito pequena, frequentemente estávamos juntos nas costumeiras estripulias de antanho. Vou precisar de pelo menos três crônicas para falar deles, mas antes não posso deixar de dizer duas palavrinhas sobre o pai. Reinério era um artista com um maçarico na mão. Um ferreiro como poucos. A arte corria-lhe no sangue, filho que era de Neco Ferreiro. Dessa arte, Wellington herdou quase nada, mas Wilton tinha no DNA todos os códigos do pai.

Moravam na rua da frente, na ponta oposta àquela que Evaldo imortalizou nos seus livros e aqui no blogue. Essa foto de Antônio do Vale, com a sua amada Geraldinha em primeiro plano, parece que foi feita para o relato que farei a seguir. Excetuando a circunstância de ter sido obtida em um dia de maré extraordinariamente cheia, a foto representa exatamente o palco dos acontecimentos ocorridos nos anos 1960 com os irmãos Wellington e Wilton.

Vamos descrever o cenário. À esquerda tem, na esquina, o prédio que foi da Mossoró Comercial, gerenciada pelo “Seu” Adauto (informação que Miranda deu no seu comentário), pai de Gilton, Genildo, Suerda e Sônia (tinha outros filhos, cujos nomes não recordo). No andar superior desse prédio morava “Seu” João Jacinto, pai de Jacinto Filho, que foi meu colega de turma no Marista de Natal. Depois tem a casa de Reinério e a de Zé Cirilo, pai de Marta, que frequentemente escreve aqui nesse blogue. Não tinha me dado conta da perfeita simetria dessas duas casas; incrível, uma parece a reflexão da outra. Numa das outras casa morava Zé Barros, pai de Kléber, de saudosa memória. Ao fundo os prédios da Salmac e de F. Souto.

Wellington e Wilton resolveram construir um barco. Na verdade, acho que foi ideia de Wilton, que deve ter obrigado Wellington a ajudá-lo na espinhosa tarefa. Wilton, embora mais novo, tinha uma ascendência danada sobre o irmão. Era um barquinho pequenininho, não tinha mais do que um metro e meio de comprimento. Era também muito tosco, mais parecia um caixão triangular. Apesar de tudo isso, deve ter exigido muita engenhosidade dos meninos, ou pelo menos de Wilton. Cortar a madeira, pregar, calefatar, isso não era coisa para qualquer um que não fosse profissional.

Determinado dia foi anunciada a inauguração do barco. A maré estava cheia, não tanto quanto naquele dia da fotografia mostrada acima, mas as pequenas marolas faziam a água lamber a parte superior do cais. Não sei porque, diferente dos outros dias de maré cheia, naquele quase ninguém estava tomando banho na maré. Eu lembro que estava de roupa trocada. Ou seja, já tinha tomado meu banho de chuveiro daquele dia.

Ninguém ainda tinha visto o barco. Ele fora construído quase em segredo. Começamos rindo do formato triangular e tosco da obra náutica. Wellington, tímido como era, tinha a vergonha estampada no rosto. Wilton, voluntarioso que nem um rei, nos desafiava com o olhar, prenunciando a glória final e ordenando que Wellington tivesse mais cuidado, não deixasse que o barco caísse no chão. Cada um segurando um lado, colocaram o barco na água. Pegaram seus remos, sentaram-se e comecaram a remar. Não durou um minuto. O barco começou a afundar e dali não saiu.

A gargalhada, geral e estrondosa, deve ter ecoado para as bandas de Grossos, Barra, Pernabuquinho, Areias Alvas, quiçá Tibau!

É mentira Terta?

Reaprendendo a brincar: uma viagem à minha infância é um livro de apenas 74 páginas. Você pode ver as informações editoriais no Cânone areiabranquense. Mas, esse livro que não consegue ficar em pé, de tão fino, me causa uma inveja imensa, uma incurável dor de cotovelo. Quase chego a dizer pra mim mesmo: tá com raiva? Tire as calças e pise em cima! Hei de me vingar, viu Evaldo? Qualquer dia desses vou plagiá-lo e escrever um igualzinho. Como eu queria ter escrito esse livro! Tem nada não, vou fazer minhas as lembranças de Evaldo, pedindo-lhe permissão para dar meus retoques pessoais.

Lá na página 15, depois de mencionar o nome da sua primeira professora, Dorinha, ele escreve: “Outro método usado em classe era a professora atirar uma régua comprida, de madeira, lá de onde estava, no rosto de quem estivesse atrapalhando a aula.”  Fica subentendido que era um método usado pela professora Dorinha. Não conheci Dorinha, mas fui aluno, na 5a série, da professora Geralda Cruz. Um dia, um aluno atrevido fez alguma traquinagem que não lhe agradou. Recebeu nas costas uma reguada. A régua era daquelas triangulares, tipo um serrote de sal, com uns 40 centímetros de comprimento. O gemido do coitado deve ter sido ouvido lá no meio da rua.

Professora Geraldo Cruz, em 1965-1966. O primeiro à esquerda, sentado, é Clodomiro Alves Jr. O terceiro Manoel Souza Neto, o saudoso Souza, filho de Antônio do Vale.

Na página 16 ele menciona muitos conhecidos daquela época. Quero me fixar em Antônio Calazans. Sim, é verdade: Jurineida era lindíssima. Meu pai tinha laços familiares com Antônio Calazans. Não sei bem o grau de parentesco. Parece que Calazans era sobrinho da minha vó. Não importa. O fato é que aos 11 anos ele foi trabalhar no armazém de Calazans, mencionado por Evaldo. Quando criança eu não perdia a oportunidade de dar uma passada “despretenciosa” na casa deles. Nunca vi faltar um bolo e um refresco naquela casa. Parecia que D. Julinha fazia bolo diariamente. Quando conheci Julieta, ela já não morava em AB. Vinha todo final de ano. Pelo menos uma vez lembro que ela chegou num daqueles jeeps de guerra, verde oliva. Ela me adorava e me obrigava a chamá-la “Tia Êta”. Adário era outro dos filhos de D. Julinha que gostava muito das minhas traquinices, sobretudo das imitações que eu fazia de alguns adultos. Anos depois, quando fazia faculdade no Rio, juntamente com Chico Novo, ia vez ou outra no apartamento de Aldemir, na Glória, onde ele tinha um bar. Tomava umas boas biritas ali.

Acho que Evaldo faz uma pequena confusão na página 25. O “calmo” dono da mercearia não é Seu Firmino?

E por falar em José Tavernard e D. Didiz, nunca vi um casal fazer tantas filhas bonitas! E os picolés, ou polis que ela vendia? Quando minha mãe me mandava comprar algo, eu costumava ficar com o troco para gastar tudo à noite na casa de José Tavernard.

O cão buldogue mencionado na página 35, um dia me encurralou no beco da galinha morta. Veja aqui como foi isso.

Mas, Evaldo por que você foi logo esquecer de mencionar o jogo de bandeirinha? Quando parava a chuva todos corriam para a rua. Uns brincavam de fura-chão, magistralmente descrito por Evaldo, outros iam jogar futebol, mas não sei bem porquê, a maioria preferia brincar de bandeirinha. Era um jogo sensacional. Para quem também gostava de jogar futebol, a bandeirinha era como um treinamento para o drible de corpo.

O tamanho do campo dependia da quantidade de jogadores. Os dois times ficavam em lados separados por uma linha traçada no chão. No final de cada campo ficava uma bandeira. Na verdade um pequeno pedaço de pau enfiado na terra. Ganhava o jogo o time que conseguisse tirar a bandeirinha do adversário e trazê-la para o seu lado, sem ser tocado por nenhum adversário. Era aí que se precisava ter jogo de corpo. Se algum defensor tocasse no invasor, este ficava parado (“preso”) no local em que foi tocado. Tinha que ser tocado por um companheiro para se livrar. Ou seja tinha que ser tocado e correr para seu campo sem ser tocado novamente, tanto ele quanto seu salvador. Para ganhar o jogo, o time tinha que trazer a bandeirinha e não ter ninguém “preso” no campo do adversário.

É mentira, Terta?

dezembro 2017
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