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Para falar de Carlos Alberto, invoco o filósofo Sócrates, que nasceu na Grécia no ano 469 a.C. No ano 399 a.C., Sócrates, após tomar cicuta, condenado que fora à morte pelas autoridades, disse aos seus seguidores: Não nos esqueçamos de que devemos um galo a Asclépio.

A morte de Sócrates

A asclépia era os local onde as pessoas procuravam atendimento médico na Grécia antiga. Hipócrates, o Pai da Medicina, desenvolveu seu trabalho na Asclépia de Cós. O ponto principal da consulta era o ritual da incubação. Ali, as pessoas que se sentiam doentes eram adormecidas com chás à base de ervas, no interior do templo sagrado. À noite Asclépio, o deus da Medicina, viria em sonho e, aí sim, indicaria a prescrição para a cura da doença. O próprio doente recebia a orientação que o levaria à cura. O lugar onde o doente adormecia era chamado kemiterio– as pessoas pareciam mortas. Daí, cemitério. Após a cura, o paciente escrevia seus sintomas e o tratamento determinado por Asclépio em uma tábua, colocava na sala das tábuas votivas; em seguida, matava um galo em sinal de agradecimento e retornava para casa. Asclépio teria vivido no século VIII a.C.

Carlos Alberto nasceu na Rua Coronel Liberalino, vizinho à casa onde mora a família de José Tavernard. Gostava de jogar futebol de salão na quadra entre o Correio/Ivipanim Clube e o Grupo Escolar. Nos finais de semana, vez por outra frequentava o Cine São Raimundo. O garoto estudou com alguns dos melhores professores de Areia Branca, mas coube à professora Maria Felipe prepará-lo para o exame de admissão no Marista de Natal, quando, em agosto de 1960, foi morar na casa de seus avós, na Travessa Paula Barros.

Jovem Jovem

Formou-se Bacharel em Física pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1973), Mestre (1978) e Doutor (1984) em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se aposentou em 2005.  No período entre os anos de 1989/91 fez pós-doc no Centro de Estudos Nucleares de Grenoble, França. O filho de Clodomiro exerceu o cargo de  avaliador de cursos de graduação e de instituições do ensino superior do MEC, de 2004 a 2014. Atual colunista de Ciência Hoje Online. 

Momento galã Momento galã

Autor do livro “O plágio de Einstein”, publicado por WS Editor, pelo qual recebeu os prêmios de Autor Revelação do Ano, categoria ficção, na 49a. Feira do Livro de Porto Alegre (2003), e 1o. lugar no Prêmio Literário Internacional Marengo D’Oro, categoria autor estrangeiro, concedido pelo Centro Culturale Maestrale, de Sestri Levante, Gênova, Itália (2004). Organizador do livro “Energia e Matéria: da fundamentação conceitual às aplicações tecnológicas”, publicado pela Editora Livraria da Física, tendo ganho o 3o. Lugar no Prêmio Jabuti 2016, na categoria Ciências da Natureza, Meio Ambiente e Matemática.

Premiaç  Premiação

Palestra  Palestra

Com todo esse portfólio, entendo que Areia Branca deve um galo a Carlos Alberto dos Santos, um de seus mais ilustres filhos em todos os tempos.

EvadOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Uma foto do pôr do sol de Areia Branca. Precisava de uma foto para contemplar um dos mais belos pores de sol do Brasil. Pode ser em qualquer praia da cidade, mas se for de Upanema será melhor. Pode ser do rio Ivipanim, feita da beira do cais da minha infância. Preciso de uma foto.

Neste blog, encontrei um texto escrito pelo nosso amigo médico areiabranquense Marcelo Almeida e lá estava uma foto, que replico abaixo, com a justificativa de que este seria um dos mais belos pores do sol do mundo.

No texto, Marcelo lamenta a perda do charme e da elegância de caminhar pela Rua da Frente à tardinha. E complementa que ao cair da noite, andar pelo Cais Tertuliano Fernandes, defronte à pracinha, é como atravessar uma planície vazia, onde se sente falta de tudo; de histórias e de lendas, de sonhos realizados e de ilusões, dos sorrisos e das lágrimas, e das viagens transcendentais dos boêmios, dos poetas e dos homens apaixonados.

Pôr do sol MarceloFoto de Marcelo

Mas eu precisava de uma foto recente, com um pôr de sol sereno, ciente de toda a sua beleza para tentar apaziguar o desencanto que me assolava o peito.

Ao final, Marcelo acrescenta fogo e tempero ao seu texto, ao dizer que ninguém se arrependerá se, numa tarde qualquer, resolver ir ao Cais e contemplar a cena. O certo é que quem já foi vê-la, ou quem um dia for, toda vez que a vir novamente noutros lugares do Planeta, pensará que um dia já assistiu, em Areia Branca, ao Pôr do Sol mais bonito do mundo. Satisfiz-me com esse epílogo do amigo escritor e colega de profissão.

Porém eu precisava de uma foto recente do pôr do sol em Areia Branca, até para medir a validade ou prescrição do que havia escrito Marcelo.

E eis que Sônia, mesmo sem que eu solicitasse, me enviou uma foto, digo, duas fotos, tecnicamente perfeitas, do pôr do sol na Rua da Frente, feitas à altura da alfândega, no final do cais, no sentido de Zé Filgueira.

Pôr do Sol 1

Na segunda foto, um pescador da perna de pau se intromete no momento do clic para anarquizar, porém o efeito foi benéfico. E o pôr do sol se agigantou com o elemento das pernas de pau, e ficou ainda mais bonito. Não foi enviado o nome do(da) autor(a) da foto, para os devidos créditos.

Por do sol 2

Marcelo tem razão. Difícil um pôr do sol mais bonito.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Meninos de Areia Branca, acostumamo-nos com os uivos  de um vento libertário, anarquista, trazendo consigo medos e satisfações. É que agosto traz uma réstea do mês de julho, onde a meninada dispunha de um bom período extra para suas estripulias.

Os temores do vento de agosto advinham das mini tempestades de areia, sujando a roupa do varal e formando pequenas dunas nas ruas sem calçamento. As noites de cruviana em agosto eram favorecidas pelo vento mais aterrorizante, levando a um exagero do barulho nas frestas das janelas e nos telhados, criando um mundo fantasmagórico e irreal que somente as crianças sentiam. Os meninos da Rua da Frente chamavam de assobio de fantasma.

As satisfações ficam por conta do clima de festa que tomava e ainda toma conta de corações e mentes de quase todos os areiabranquenses. Ainda com o gostinho de julho, a meninada corria para as várzeas e os descampados com suas pipas (papagaios) debaixo do braço para disputas no nível dos titãs.

Nesse vai-e-vem das pipas, grandes e pequenas, simples, com ou sem  o colorido que roubávamos de um arco-íris imaginário, já desbotado de tanta fuga de cores.

E ali surgiam acrobacias espetaculares, derrubadas de outras pipas, levando a discussões e brigas . Alguns colocavam uma gilete na ponta da rabiola da pipa para cortar o cordão de outra pipa, gerando novas discussões, empurrões e um tira-teima que todos conhecemos, com a mãe de cada um riscada no chão para que o opositor se dispusesse a apagar o risco da mãe do outro.

Sei que o mundo mudou, que o smartphone assumiu o comando da cabeça das crianças, cancelando seus momentos de real prazer e diversão. Sei também que a pandemia do novo coronavírus limita contatos pessoais e desestimula tentativas de aventura.

No meu texto Elegia ao Vento de Agosto, publicado neste blog, fiz dois pedidos ao vento de agosto: Na festa de Nossa Senhora dos Navegantes, leva-me contigo para o alto da roda-gigante, lá onde brilham as luzes, bem no alto, onde aquela linda menininha sorri, e acho que é para mim. Se não for, valerá pelo alçar-me livre. Quando fores brincar com as pipas dos meninos, seja nas várzeas poeirentas, nas ruas sem calçamento ou no Morro do Urubu, leva-me contigo. Assim, sentirei o gosto da liberdade plena.

Que em 2020 possamos desfrutar de um agosto sem quarentena, com gosto de antigamente. E que o vírus seja varrido das plagas areiabranquenses, liberando nossas várzeas e nossos descampados para as brincadeiras dos meninos de hoje.

Agosto. Vento rimando com evento.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

O medo não é sinal de fraqueza. Crianças em Areia Branca, quantos de nós teve que enfrentar o medo da cruviana, o pavor dos comunistas e do temível bicho-papão? É uma reação involuntária que pode ser desencadeada pela visão de uma barata, por exemplo. Há liberação de substâncias que aceleram o coração e a respiração e contraem os músculos, caracterizando uma reação de fuga, ligada ao instinto de sobrevivência.

Toda criança atravessa seus períodos de medo, reais ou imaginários, que diferem de criança para criança, mesmo entre irmãos que moram na mesma casa.  Quando criança, eu tinha muito medo da alma dos gatos que morriam. Meu medo de adulto é de ser agredido com uma faca.

No Amazonas a cruviana está associada a lendas e contos fantásticos, induzindo ao medo. Esta lenda, em Roraima, permeia as estórias que as crianças ouvem nas noites escuras. Lá, a cruviana é percebida como uma agradável e amena brisa que vai se ampliando e dominando o ambiente na forma de um intenso frio ou friagem que dura a noite toda.

Compilei referências de areiabranquenses, expostas a seguir, sobre momentos de medo nos comentários deste blog, e os trouxe de volta para nossa apreciação.

Jerônimo: Depois do papo na calçada rezava um Pai Nosso e uma Ave Maria; deitava na rede mas havia gente em cima da cumeeira da casa, ouvia os passos em cima do telhado e o medo aumentava quando a coruja passava rasgando mortalha. Quando fechava os olhos alguém mexia na rede mas não via ninguém; o que era aquilo; Ave Maria, chamava minha avó Antônia; ela vinha e ficava segurando o punho da rede e todos os fantasmas iam embora e o sono chegava… mais uma noite.

Chico Brito expõe seus medos de criança: Eu só ouvi falar na Cruviana nas crônicas deste querido blog. Quando criança, só ouvi falar na Mula Sem Cabeça, Lobisomem e Papa Figo. Tínhamos que dormir cedo para não sermos atacados por esses seres.

Dodora: Fui criada ouvindo falar na Cruviana. No Rio de Janeiro, como faz pouco frio, eu sempre ouvia minha avó Josefa dizer: Menina vem para dentro que hoje a noite vai ser com cruviana, ou esta noite vai ter cruviana. Sempre pensei que existia alguma coisa com este nome. Então me foi dito que a Cruviana é quando fica muito frio e venta. Meus filhos cresceram ouvindo a mesma historia da cruviana. Hoje à noite vai ter cruviana, sempre eu dizia quando esfriava. Minha primas, todas nascidas no Rio de Janeiro, sempre ouviram a historia da cruviana, tanto pela vovó como também pelas mães que nasceram em AB. Cruviana é uma palavra que nunca vai desaparecer do nosso vocabulário.

Em outro momento, Dodora assim se expressou: Cresci acreditando que ela existia e assim ensinei a meus filhos, que hoje passam a mesma crença para os filhos. Na minha imaginação, ela é uma mulher de idade, com os cabelos brancos e longos, vestida com uma saia comprida e levando na mão um cajado para castigar quem se atrevesse a ficar do lado de fora nas noites frias de inverno, fosse em Areia Branca ou no Rio de Janeiro.

Em Areia Branca, a cruviana é entendida como um vento noturno, que vaza das fresta do tempo, trazendo consigo uma aura de mistério, com uma estranha sensação de um frio que corre fino pelo corpo, como uma pizza metafísica meio mágica meio mística. Quando crianças, nas noites de cruviana, até imaginávamos ouvir um som agudo, fininho, tipo assobio, fazendo com que nos encurvássemos ainda mais em nossas redes com cheirinho de Upanema.

Sônia: Recordo-me da cruviana por ocasião do período de férias, em Pernambuquinho. À noite, quando o medo chegava, enrolava-me toda com a rede, forçando a chegada do sono. Hoje, meu medo maior é desse incontrolável violência que assola esta cidade, com 35 homicídios em menos de três meses.

Medos de criança; temores de adultos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Conforme relata Gibran Araújo em seu belo texto Areia Branca, Suas Famílias e Seus Patriarcas, tudo teria começado quando, no ano de 1870,o mossoroense João Francisco de Borja, comerciante, conhecido por Joca Soares, mudou-se com a esposa e os cinco filhos para o local que hoje corresponde ao município de Areia Branca. Em 1872, quando foi criado o Distrito de Paz de Areia Branca, Joca Soares foi eleito seu primeiro Juiz.

Continua Gibran: Filhos de Joca Soares: 1. Coriolano Soares de Borja. Faleceu jovem e ainda solteiro; 2. Maria Cândida Soares. Casou-se com Francisco Fausto de Souza. Sem descendência; 3. Maria Praxedes Soares. Casou-se com Manoel Lúcio de Góis, primo de Francisco Fausto de Souza; 4. Maria Soares do Couto. Casou-se com Antônio Bento de Souza, irmão de Francisco Fausto de Souza; 5. Ana Soares do Couto. Casou-se com André Corsino de Medeiros, natural de Macau/RN. Espero não haver confundido algum nome.

E assim nascia a cidade de Areia Branca, com seu futuro baseado no trabalho dos seus fundadores e de seus descendentes. Daí, foram se sucedendo gerações de areiabranquenses que trabalharam para que a nossa cidade chegasse à posição que hoje ocupa no cenário do Rio Grande do Norte. Imagino as dificuldades que esses pioneiros tiveram que enfrentar para a realização desse sonho.

Hoje, a população de Areia Branca vive em uma cidade com ruas limpas, asfalto revestindo suas ruas, o Cais da Rua da Frente com estrutura agradável, agências bancárias, boas escolas, o rio Ivipanim ainda limpo e o manguezal preservado. A população conta hoje com o Hospital/Maternidade Sarah Kubitscheck a se impor do alto de sua importância real para nossa cidade; talvez a maior conquista dos anos 1950.

Aqui, falo de pessoas que eram adultas durante os anos 1950 e 1960, quando a minha geração andava de calças curtas. Acredito que a maioria dessas pessoas já se foi. Aqueles homens e mulheres testemunharam momentos únicos em suas vidas, como a chegada da geladeira, do rádio, do rádio portátil, do fogão a gás, da bicicleta, dos automóveis e da televisão. Na década de 1950 a água finalmente chegaria a Areia Branca, e ainda lembro dos banhos que tomávamos no local onde um poço fora descoberto, pros lados da Ilha. Uma festa para a cidade.

Nesse período foi construído o Porto Ilha, com toda a sua importância para a vida econômica do Estado do Rio Grande do Norte. A política se agigantou, e a visita de Juscelino Kubitscheck veio serviu como marca  desses avanços. Dali nasceria o germe para construção da Maternidade, que contou com o envolvimento de toda a sociedade areiabranquense, em uma efervescência até então desconhecida, salvo no ano de 1938, quando aconteceu o Congresso Eucarístico Paroquial em Areia Branca.

A chegada de Joca Soares e família. Seus descendentes. A participação de homens e mulheres no harmonioso arranjo social e político do município.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente

 

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