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Bizarro é a característica do que é estranho, grotesco ou incomum. É assim que o Dicionário Online de Português conceitua esta palavra, adjetivo que é.

Em Areia Branca, na atualidade, considero duas estruturas, ambas construídas com o dinheiro do povo, às quais se pode acrescentar o adjetivo bizarro,por sua estranheza.

O mercado público atual, que fica ao lado do antigo e charmoso Mercado Público de nossa meninice, embora seja revestido de cores vivas e chamativas, poderia ter sido construído de forma mais simples, mais objetiva, oferecendo melhores condições para quem ali trabalha e aos consumidores que para lá se dirigem. Some-se a isso o agravo imperdoável de fechar no meio uma das melhores ruas da cidade, impedindo a passagem das pessoas e dos veículos.

A segunda estrutura é aquele monstrengo que ocupa o lugar da antiga pracinha do Tirol. Inacabado, sem utilidade, sem perspectiva.

Tenho em mãos duas fotos, a primeira feita por mim em São Miguel do Gostoso durante a festa em que comemoramos 45 anos de formados. Veja a estranheza deste arranjo.

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A segunda vem de um parque infantil na cidade de Petrolina-PE. Veja que esse escorrego termina bruscamente, deixando um espaço livre, de uns quarenta ou cinquenta centímetros, entre a ponta do escorrego e o chão duro. Agravante: o piso é calçado com tijolos de cimento. Tem tudo para provocar um trauma na coluna das crianças. É escorregar e se machucar.

Parque

Bizarrice, algo estranho em qualquer lugar.

Em Areia Branca, construções com o dinheiro do povo.

Nos outros dois casos, apenas a falta de bom senso.

Não sei onde esta foto foi feita

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

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Não tenho o dom nem o nível de conhecimentos de genealogia do nosso amigo Gibran Araújo. Se assim fosse, tal qual ele o fez quando tratou da família Calazans em uma de suas crônicas neste blog, iniciaria este texto referindo-me à origem da família, no início do século XX, em terras de São Fernando, assim como todo o emaranhado de nomes e sobrenomes que formaram essa família tão querida dos areiabranquenses.

Mas falarei dos que conheci quando criança. Julieta, que ajudou meu irmão João a transferir seu trabalho no Sesi de Areia Branca para Natal, quando nos mudamos. Já falei do incansável trabalho que Julieta desenvolveu no Sesi, e de sua ascenção profissional e técnica que todos conhecemos, baseada em seu esforço pessoal.

Jória é uma criatura doce e interessada nos meandros da cultura da nossa cidade. Foi Jória quem me permitiu entrar na casa de seus pais, há alguns anos. Um doce sonho de infância concretizado. Fui da Rua do Meio ao Beco da Galinha Morta por dentro da casa, visitando seus cômodos e seu quintal.

Jurineide foi a mulher mais bonita que Areia Branca já viu, quase todos estão de acordo. Quantas vezes passei em frente àquela casa da Rua do Meio, vizinha à casa de Dr. Vicente, com destino ao Cine Coronel Fausto e, de soslaio, dava uma olhada tentando avistar Jurineide, fosse sentada na calçada ou mesmo de longe, circulando perto da casa.

Também conheci Adário. Mas foi Toinho Calazans que melhor conheci. Era meu padrinho de crisma, junto com Vilani, filha de seu Assunção Barbeiro. Em uma de nossas conversas ele me contou que havia rolado um namorico entre os dois, por conta do meu apadrinhamento.

Toinho Calazans era uma pessoa agradável, preocupado com as coisas de Areia Branca. Em agosto de 1981 estávamos eu, Mauro e Zé Maria em Areia Branca e avistamos Toinho. Ele veio sorrindo nos abraçar e depois demos uma volta pelas salinas, conversamos, rimos muito e, como crianças, subimos em uma pirâmide de sal. Aquela foi a última vez que o vi.

Arquivo Escaneado

Arquivo Escaneado 4Eu era o fotógrafo

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituo Histórico e Geográfico do RN

Ahniat era um peixe corajoso, e gostava de demonstrar sua bravura provocando os tubarões ainda jovens que habitam a Praia do Meio. De uma cor branco nacarado, quase prata, Ahniat tinha um brilho especial nas escamas, o que o tornava estrela daquela região das águas rasas.

A técnica utilizada por Ahniat para provocar os pequenos tubarões era conhecida. Iniciava sua provocação planando altaneira até a região de média profundidade, saracoteava, saltava e dava gritinhos finos, no limite dos ultrassons, e retornava a toda velocidade no sentido da praia, já na região dos pequenos peixes e dos siris.

O tumulto se expandia por toda a região. Foi assim que os  pequenos tubarões se acostumaram a fazer suas primeiras investidas na direção da praia, região das águas rasas. Lá, ficavam assustados, davam meia volta e retornavam para a região das águas de média e alta profundidade, onde há muitos anos seus parentes reinam quase absolutos.

Esses eventos de provocação, de um lado, e de desproporcional reação do outro, se  se repetiram ao longo de todo o verão, deixando aterrorizados os moradores da região das águas rasas, que não concordavam com as investidas de Ahniat em sua mania provocativa e perigosa contra elementos de outras regiões.

No verão seguinte, na flor de seus três anos de vida, Ahniat exibia-se provocando os tubarões que imaginava ainda em tamanho reduzido. Naquele meio dia do início de janeiro, a água do mar estava transparente, com uma tonalidade ligeiramente esverdeada, e o cheiro de sargaços tomava conta da região da beira mar. Aqui e ali, sirizinhos de casco cinza exibiam-se mexendo suas nadadeiras no chão, levantando um pouco de areia para chamar a atenção de outros grupinhos de siris.

De repente, um movimento brusco espalhava água de forma violenta, evento nunca percebido naquela região de águas rasas. Alguns tubarões de médio volume invadiram o recanto, até ali pacato, dos siris e dos pequenos peixes. Na frente, resfolegante e desesperada, Ahniat tentava escapar das inúmeras bocas escancaradas em sua direção, recheadas de dentes em serra, em uma velocidade muito superior às condições da pobre tainha. De quebra, os jovens tubarões dizimaram quase todos os pequenos peixes que moravam na região, em uma carnificina jamais ocorrida no território das águas rasas.

No final da tarde, após reunião emergencial dos moradores da região das águas rasas, o balanço da brutalidade: dezenas de peixinhos desaparecidos, siris com lesões pelo corpo, alguns faltando uma das patinhas, dois peixinhos sem cauda e um com uma mordida no dorso, o que dificultava sua movimentação.

Nessa reunião, ficou decidido que qualquer mobilização individualizada de elementos da região das águas rasas, com finalidades provocativas ou bélicas, na direção das águas médias e profundas, teria que ser assumida por quem a perpetrasse. Os moradores dessas regiões não poderiam ficar expostos ao resultado quase sempre desastroso de provocações de elementos isolados contra grupos de atitudes sabidamente violentas.

Ata carimbada e assinada.

No dia seguinte, na beira da praia, escamas de cor branco nacarado reluziam à luz de um sol abrasador, no vai e vem das pequenas marolas.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Texto publicado no blog AreiabranquiCidade em janeiro de 2015

 

Década de 1950. Em uma cidade cercada de água -pois fora uma ilha -, conseguir alimento não era uma tarefa muito difícil para os moradores de Areia Branca. As pessoas mais pobres podiam pescar, apanhar mariscos, taiobas ou siris. Havia frutas variadas, que brotavam na cidade, fosse nos quintais ou nos descampados, de acordo com a sazonalidade.

Mas chegava a Semana Santa, e uma cantilena voltava com força. Me dê um pouco de comida para eu jejuar. Me dê um pouco de farinha para eu jejuar. Era assim que as pessoas mais pobres, que durante todo o ano viviam de suas próprias posses. Mas agora era diferente. As mesmas pessoas pediam um pouco de solidariedade durante esse período.

Do mesmo modo, ladrões sazonais de galinhas aproveitavam o mesmo clima de enlevo para surrupiar frangos, galos e galinhas dos quintais dos incautos nas noites e madrugadas da Semana Santa, em especial na sexta-feira.

A iluminação pública, como sabemos, era cortada às dez e meia da noite, abrindo as portas da escuridão e oportunizando que a imaginação das pessoas de bem e a criatividade dos indivíduos fluíssem com renovado vigor.

A serração da velha obedecia, de certa forma, aos rituais da Semana Santa, com forte concentração de suas operações. A cruviana muitas vezes aparecia nesses dias.

A Semana Santa trazia consigo uma aura de paz e de expiação, como se fora uma ladainha anualmente posta pelo tempo na alma das pessoas. O rádio passava a semana inteira tocando músicas fúnebres. Em Areia Branca, a procissão da sexta-feira deixou marcas indeléveis em todos nós, em especial o encontro de Maria com seu filho carregando a cruz.

Semana Santa na década de 1950. Outra aura, outros costumes.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

No olhar do papafigo, o medo que ficou

Na incelença, a esperança que anima

Na serração, o terror na noite escura

Um barulho no escuro, temor, respingos da infância

buzuoco que passava, Bíblia na mão; intolerância religiosa

O vento que vem da várzea, salitre

O barulho do cata-vento, moinho de vento que jamais existiu

O manguezal que protege; a limpeza do Ivipanim

O homem que destrói; cicatrizes urbanas

Procissão dos Navegantes, a fé que anima

Barcaça no mar, velas ao vento

Os barcos no rio; lembrança dos beijus

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Buzuocos: os primeiros protestantes de Areia Branca, nas décadas de 1940/50.

maio 2018
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