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Texto enviado por Chico Brito. 

Algo que, desde há muito, venho compartilhando com minha família, são os festejos em louvor a Momo, o qual, para os gregos é o Deus do Sarcasmo e do Delírio e, para nós, brasileiros, trata-se simplesmente do Rei da Folia e da Alegria. Nessas ocasiões, nos esquecemos das azáfamas do dia a dia e aumentamos o consumo de magníficos churrascos regados a muitas e muitas cervejinhas. Uma vez saciado nosso apetite e sede, sempre junto aos entes queridos, incluindo aí a esposa, filhos, genros, noras e netos, costumo conceder-me alguns instantes de concentração, com o olhar fixo na telinha, apreciando os blocos dos carnavais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Num desses momentos, meus pensamentos empreenderam uma maravilhosa viagem rumo ao Nordeste querido, com o foco voltado para os Blocos Carnavalescos de Areia Branca.

Tentando ordenar as lembranças, em meio a forte emoção, parecia ouvir o som produzido pelo Bloco do Zé Pereira que desfilava no sábado, depois que os geradores de energia elétrica de minha terra Natal, Areia Branca, eram desligados, às 22:00. Era a abertura do Carnaval. A letra da música cantada pelos foliões, na semi-escuridão, era mais ou menos assim: “VIVA ZÉ PEREIRA, CALUNGA DE CERA, VIVA ZÉ PEREIRA VIVA O CARNAVAL”.

No domingo, ao raiar do dia, começavam as BAGACEIRAS. Havia uma corda cercando os participantes e uma pessoa desfilava vestida de urso (tal fantasia sendo de saco de estopa e fibra de agave, com uma máscara moldada em saco de cimento e embebida em grude feito de goma). Era uma gritaria quando o urso se dirigia a uma criança. Havia pessoas que convidavam a BAGACEIRA para entrar em sua casa. Lá havia bebida e comida para os participantes.

Na parte da tarde, era a vez dos blocos denominados “NEM QUEIRA SABER”, “SALENISTA”, “OS DEMOCRATAS”, “OS REMADORES” e “CENTENÁRIO”. Anos depois, desfilou a primeira escola de samba “BAFO DA ONÇA” criada por Joel. Tais blocos desfilavam junto a um palanque construído defronte à Prefeitura. Os blocos passavam pela Rua do Meio, seguiam pela Coronel Liberalino, Travessa dos Calafates, 30 de Setembro (hoje Silvério Barreto), Dr. Manoel Avelino, Rua do Meio e passavam novamente em frente ao palanque onde recebiam as notas dos jurados.

Todos os anos minha mãe comprava serpentinas, confetes e lança perfume da marca Rodoro para eu jogar nos blocos. Era maravilhoso ver os blocos passarem com suas lanças, estandartes e adereços.

De noite, aconteciam os bailes carnavalescos nos clubes. O principal era o Ivipanim Clube, somente para as pessoas da alta sociedade. Já para as pessoas das ruas de trás rolavam bailes populares no SINDICATO DOS ESTIVADORES, MOÇOS E MARINHEIROS, MESTRES ARRAIS, CÍRCULO OPERÁRIO e SINDICATO DOS CONFERENTES.

Eram bailes muito animados e sem violência. As pessoas que não tinham condições de frequentar qualquer deles ficavam, ‘no sereno’ como se dizia à época. Nos dias subsequentes, ouvíamos as fofocas:  – Quem fez isso ou aquilo?  – Quem bebeu demais?

– Quem beijou a boca de quem?

Não vamos nos esquecer de que os bailes eram animados com orquestras contratadas pelos clubes e só tocavam músicas carnavalescas, o que difere em muito do comportamento de hoje, quando a animação fica por conta de CDs de músicas que não têm nada a ver com o Carnaval, principalmente, o importado Funk.

Como uma odiosa fumaça, meu enlevo foi, repentinamente, interrompido por minha mulher, perguntando se eu gostaria de mais uma cerveja para acompanhar o desfile pela TV. Como bom marido que entendo ser, perdoei-a por ter cometido ‘esse atroz crime’ , qual seja o de  me ‘expulsar’ de um alegre bloco imaginário criado pelo meu estado ligeiramente etílico e animado pela minha intensa saudade dos carnavais da minha querida Areia Branca.

Recolho na crônica que Alcindo de Souza publicou em seu blogue a inspiração para fazer minhas rememorações e entrar na fila dos que sonham em ver o Ivipanim eternizado naquele cantinho de tantos sonhos, alguns feitos, outros refeitos, e quem sabe quantos desfeitos. Leio que Rogério Edmundo é o presidente do Clube, e fico imaginando, se tiver tanta energia administrativa quanto demonstrava ter na sua infância-adolescência, o Clube terá boa vida em suas mãos. Posso afirmar, do alto da minha idade, da posição privilegiada de quem mais velho observava aquela meninada entre a rua dr. Almino, rua do Meio, rua da Frente e Jardim, repito, posso afirmar: Rogério era um capeta! Do pai, Valquírio, herdou a vivacidade contagiante, e como geralmente acontece, a energia deve ter sido canalizada para atividades empreendedoras na vida adulta. Taí, o homem é o presidente do Ivipanim Clube.

Alcindo abre sua crônica com uma jóia, uma pérola maior, uma preciosidade, a letra de Bandeira Branca. Completo aqui esse toque nostálgico com a companheira inseparável de Bandeira Branca, nos carnavais de antigamente e de sempre: Máscara Negra, de Zé Keti e Pereira Mattos. E para provocar lágrimas, risos e suspiros, aqui vai a inesquecível interpretação de Dalva de Oliveira.

Quem tem mais de 50 anos e costumava ir a bailes de carnaval, sabe o que estou falando. Carnaval é festa para animação, todo mundo solto, cada um por si, certo? Errado! Quantos não passaram por uma reconquista ao som de Bandeira Branca?

Saudade, dor que dói demais / Vem, meu amor / Bandeira branca eu peço paz

E quantos não iniciaram ou reiniciaram uma arrebatadora paixão cantando Máscara Negra?

Foi bom te ver outra vez / Está fazendo um ano / Foi no carnaval que passou / Eu sou aquele pierrô / Que te abraçou e te beijou meu amor

O ritual era bem definido. A orquestra atacava de Máscara Negra e os casais se abraçavam para dançar agarradinhos. Uma maravilha! Juras e promessas de amor eterno com a voz sussurrante no pé do ouvido. Arrepios, arrepios e olhos revirados. Tudo tinha que ser rápido, para a explosão final de completa alegria e convencimento de que tudo era verdade, no momento que a orquestra entoava o alegro maestroso (desculpe Eyder, pela imagem mal ajambrada)

Vou beijar-te agora / Não me leve a mal / Hoje é carnaval

Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Depois da alegria pela conquista do amor, só o prazer de uma sopa quente no bar ao lado do Clube. Aquilo sim, revigorava.

Obrigado, Alcindo, por me provocar essas lembranças.

Para que a festa seja organizada com aquele sabor de quero mais, você precisa indicar que pretende comparecer a este encontro de amigos e amigas de longa data, e de outros que ingressarão no círculo a partir da festa.

É simples, basta clicar aqui e seguir as instruções.

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Em 1966 chegava as telas de cinema o filme cult Django. Com direção de Sergio Corbucci e ator principal Franco Nero. Era mais uma contribuição ao surgimento do gênero western spaghetti, que ganhou notoriedade, principallmente com o também diretor , Sergio Leoni (Por um punhado de dólares ; O bom, o mal e o feio), dando-lhe fama e prestígio internacional. Trata-se de um bangbang com Franco Nero fazendo o papel do antiherói. Sempre vestido de preto, com o fato inusitado de Django arrastar com uma corda um caixão de defunto, feito em madeira. Carregava-o para todo lugar. Em seu interior se encontrava uma metralhadora ao invés de um cadáver (imagem extraída de http://www.costabrancanews.com/falamemoria.html).

django_cartaz

Nos últimos anos de 1960 em Areia Branca, existiu uma figura folclórica, o qual incorporou tão bem o personagem, que desde então, autodenominou-se como tal e passou a ser chamado pela população de Django.
Era um sósia perfeito. Sempre com a barba por fazer e de indumentária, das botas ao chapéu, idêntico ao personagem. A
semelhança era tão verossímil, que até hoje me pergunto: será que no seu íntimo, ele pensava mesmo que era o próprio ?
No último dia de carnaval, Django atingia o ápice. A pessoa e o personagem se corporificavam, assim como numa transmutação de Franco Nero. Pairavam dúvidas de quem era quem. Ele saía pelas ruas da cidade, arrastando o seu caixão de defunto (em madeira). Logo atrás, naquele cortejo fúnebre, seguia-o uma súcia de malfeitores, todos fortemente armados. Tudo encenação! Nada mais que uma cena de teatro ao ar livre. Eles em plena rua e nós, sua platéia, de um lado e do outro da mesma, nas calçadas. Seguíamos ansiosos por ver a cena final, digna de inclusão na obra de William Shakespeare.
Quando o féretro chegou nas imediações do sobrado de João Rolim, em frente à quadra (hoje, INSS), bem em frente à Viação Nordeste, o tiroteio começava.

Ali, na época, era a grande concentração e o maior movimento dos brincantes. Tudo acontecia lá: desfile de blocos, escolas de samba, bloco de sujos, ursos, anônimos, mascarados,etc…Verdadeiro carnaval, literalmente falando.

Django começou a atirar e a ser revidado. Eram balas de festim para todo os lados. Os mais desavisados pensaram se tratar de um autêntico massacre, tal era uma grande saraivada, com cheiro forte de pólvora e fumaça. Víamos ao vivo o que se vê nos filmes atuais. Os atores corriam, caíam feridos e se fingiam de mortos. A produção era tão bem elaborada, pois víamos brotar manchas de sangue, tingindo a roupa dos mortos e feridos. Verdadeira apoteose, digna de uma comissão de frente na Sapucaí.

Ao término do espetáculo, Django e o seus eram ovacionados pelo público em êxtase ! Os atores reverenciavam e agradeciam ao público, que se encontrava em estado de graça !

Com todos já refeitos e relaxados, Django abria o caixão, retirando do seu interior uma garrafa de aguardente, que servia a sua trupe.

Relação de adereços por ordem alfabética:

anéis, apito, argola

baton, bata, batina, bombo, boton, brilhantina, brinco, broche

carvão, cocar, colar, colar havaiano, colete, confete, corneta, chapéu, chapéu peruca, chupeta

diadema (tiara)

fantasia, farda, figa

gravata

lançaperfume (metal) , lançaperfume (plástico), lenço, língua de sogra

maizena, máscara , máscara de papelão do zorro, mamadeira, medalhas

óculos plástico todo branco de lentes verdes

peruca, pulseira, purpurina, pandeiro

serpentina

talco, tambor, tapa olho, tênis conga, touca, turbante

Bocos: Aztecas, Gregos, Hippie’s, Iguais, Os Metralhas, Nômades, Psicodélicas

Escola de samba : Bafo da onça

agosto 2017
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