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Ricardo Dimas, neto de Seu Dimas Ramos, não nasceu em AB, mas tem uma memória e uma saudável nostalgia dignas de um filho da terra. Tudo isso fruto de suas visitas durante as férias escolares da sua feliz adolescência. O comovente relato a seguir, alinhavado em texto de alta qualidade, tem valor histórico e sentimental merecedores de leitura por quem já passou dos 50 anos, para lembrar e deixar lágrimas correrem, e por quem tem menos de 40 para continuar com o pé na terra natal. Não tenho dúvida, esse texto vai tocar no coração de todos. Fica aqui meu registro pessoal: lamento profundamente não ter podido acompanhá-lo nessa viagem. (Carlos Alberto).

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Não, não pense que ele fazia sofismas, qual o pensador grego. O “jogador socrático” aqui significa que ele possuía aquele físico longilíneo e refinada arte no domínio e no gingado com a bola, como o craque da seleção brasileira de 1982 e 1986. Só o vi uma vez em ação. Foi o bastante para jamais esquecê-lo. Tinha esquecido seu nome, mas Celso Luiz, com sua memória de elefante, me socorreu: era Felinho. Deve estar beirando os 70 anos hoje em dia.

Naquela época, 1957-1959, eu, com meus 10 anos de idade morava na Silva Jardim. O Ypiranga ia enfrentar um time de fora, Mossoró, Macau ou Açu, não lembro. Acho que era de Mossoró, mas isso tem pouca importância. O fato importante é que o jogo se anunciava difícil, previsão comprovada ao longo de boa parte da partida. Não lembro de quanto ganhamos, mas a jogada que selou nossa vitória não me sai da memória.

Felinho era centroavante, “center for”, como diziam os contemporâneos do meu pai (Center forward é a expressão correta). Estava na sua posição de ofício quando a bola lhe chega na altura do peito. Faz o movimento clássico de quem conhece o metiê: estufa e encolhe o peito rapidamente; a bola, magnetizada pela beleza do movimento torácico, ali gostaria de ficar parada, mas Felinho a deixa escorregar até o seu pé direito, dá um balãozinho no adversário e estufa a rede. Lembra aquele gol que Pelé fez na Suécia? Foi igualzinho!

Foi uma gritaria no Campo da Saudade, diria mesmo uma quase histeria naquela ensolarada tarde de domingo. Não sei se aquilo aconteceu no último minuto do jogo, mas tudo que me aparece na memória diz que o jogo acabou em seguida. Felinho foi rodeado de admiradores, na maioria crianças e adolescentes, eu entre eles, para testemunhar e contar essa história. Ele jogava como Pelé, e sambava como um passista carioca, sambou ali mesmo na roda de seus admiradores.

Mas, quem era Felinho, esse prodígio areia-branquense? Pelo que lembro, era de Aracati, estava de férias em AB, coincidentemente na casa de alguém que morava na Silva Jardim, entre a esquina da nossa casa e a travessa dos Calafates. Mais do que isso não lembro.

No final dos anos 1990 estive em Areia Branca, oportunidade em que consultei o extraordinário acervo fotográfico de Chico de Janjão. Essa foi a parte alegre da visita. A parte triste foi o estado de saúde de “Seu” José Solon. Na visita simbólica que lhe fiz, fiquei na calçada com meus diletos amigos, Dedé (filho), Carlos Soares (genro)  e Celso Luiz (vizinho). Foi nessa conversa de rememorações que discutimos o primeiro filme no Cine Miramar, e Celso me lembrou o nome de Felinho. Disse que ainda costumava visitar AB.

Alguém lembra desse acontecimento?

Crônica publicada no jornal Primeira Mão
Ano II, n. 3, 1998
Fotos de Antônio do Vale
Aproveitando a deixa do artigo assinado pelo Rodrigues, quero dizer que tenho diversas e belas recordações do Cine Miramar e do Cine São Raimundo, principalmente porque, fazendo minhas as palavras da titia roqueira Rita Lee, “ No escurinho do cinema / chupando drops de anis / longe de qualquer problema / perto de um final feliz ”, era como nos sentíamos naqueles anos sessenta. Não lembro qual o primeiro filme que assisti. Certamente foi numa vesperal do Cine São Raimundo, pois em meados dos anos cinqüenta este era o único cinema em Areia Branca. O Cine Cel. Fausto, como cinema, é uma imagem difusa na minha mente. Não lembro de ter aí assistido filme. Lembro do prédio ainda inteiro, e com o passar dos anos acompanhei seu progressivo desmoronamento. No canto direito da foto à esquerda, um dos últimos registros do Cel. Fausto, pra variar, foto de Antônio do Vale.

Com a completa transformação do prédio do Cine São Raimundo, o Cine Miramar é o que resta de registro arquitetônico da sétima arte em Areia Branca. Na foto à esquerda, Antônio do Vale pretendia registrar uma enchente nos anos sessenta, mas captou, ao fundo (à direita) o antigo prédio do Cine São Raimundo.

Ao que me lembro, esses foram os únicos cinemas de Areia Branca. A propósito, quem lembra o primeiro filme projetado no Cine Miramar? Tenho a impressão que foi “Folhas Secas”. Terá sido isso mesmo? O Celso Luiz, que tem memória de elefante, bem que poderia tirar essa dúvida.

Estado lamentável do Cine Miramar, nos anos 1990 

Logo após a inauguração do Cine Miramar (prédio de 2 andares), um colega nosso conseguiu roubar uma chave que abria a porta dos fundos, que ficava no beco da Galinha Morta (ah! Que memória horrorosa! Tenho dúvidas se estou falando do beco correto. Ocorreu-me que o beco da Galinha Morta poderia ser aquele que desembocava na “rua da Saudade”, em cuja esquina ficava a oficina de Reinério -saudades de Wellington!). Enfim, correto ou não o apelido do beco, o fato é que entrávamos com a maior tranqüilidade e assistíamos filmes e mais filmes gratuitamente. Não lembro exatamente como essa história terminou, mas sei bem que perdemos a chave. Creio que Clécio lembra disso. Perguntarei depois.

Outro dia acompanhei um debate num programa de rádio aqui em Porto Alegre , sobre o “escurinho do cinema”. Descobri que, tantos anos passados, tecnologia virtual, DVD, vídeo laser, liberdade sexual, camisinha (e uso de), nada disso foi capaz de acabar com a mística do namoro no cinema. Neste particular, o mezanino do Cine São Raimundo era imbatível. Todos sabíamos, para se ver um filme bem acompanhado no Cine São Raimundo, teríamos que sentar lá em cima, de preferência na última fila de cadeiras, ao lado do box onde ficava a câmara de projeção. Tinha-se que chegar bem cedo, para sentar na última cadeira do mezanino.

A propósito, lembro de uma história bem interessante. Lá pelos anos 60, dois amigos namoravam duas amigas. Costumavam ir juntos ao cinema. As meninas, muito assanhadas, insinuavam as possibilidades de carícias mais apimentadas. Chicletes rolavam de uma para outra boca, atingindo o clímax num incomensurável prazer. Aparentemente, o mais jovem dos meninos não tinha conhecimento dessa prática, corriqueira entre os mais velhos. Na saída do cinema o mais velho perguntou ao mais jovem:

– Sua namorada lhe deu um confeito?

– Deu, respondeu o mais jovem.

– O que você fez com ele?, perguntou o mais velho.

– Comi , respondeu o mais jovem, com a candura de um amante neófito.

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