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Nasci aqui

Uma pequena casa. Você está vendo aquela casinha pequenina? Foi ali onde eu nasci. Ela é amarelinha como as penas de alguns pássaros, na esquina da rua, em um contraponto bem humorado com a nossa cidade que, como sabemos, fica na esquina do mundo.

Essa casinha fica na Rua Coronel Liberalino, também conhecida como a parte de baixo da Rua do Meio. No quarteirão a partir da pracinha, ali moravam pessoas importantes da cidade, como os Tavernard, as três irmãs (Cristina, Clara e Dó), o cônego Ismar, Sérvulo e Arnaldo, Chico Germano. Esta semana descobri que ali, vizinho à casa dos Tavernard, morava Carlos Alberto, filho de Clodomiro. Alguém conhece?

Naquele trecho funcionava a gerência do Sesi e o posto de atendimento do IAPC, o Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários, onde Dr. Gentil e outros profissionais exerciam parte de suas atividades. Ao lado do IAPC passou a morar o gerente do Cine Coronel Fausto. A meninada, vez por outra, remexia no lixo e recolhia ingressos ainda inteiros para reusá-los no cinema, à noite. O porteiro Có,  desconfiado, fazia uma auditoria nos ingressos. Tudo legal. É bom lembrar que as cores variavam, ora vermelho, outras vezes azul ou amarelo.

A casinha a que me refiro fica ao lado do Círculo Operário, na outra esquina. Em minha última viagem a Areia Branca, Dondinho, filho de Antônio Quixabeira, era o morador daquela casinha amarela.

Naquele trecho ficava o velho muro do quintal da minha segunda casa, na Rua da Frente, com bodega de cara pro rio, capitaneando a moradia, que ficava na parte de trás. O muro continua de pé, agora remodelado. Mas continua muro.

Casa Rua da Frente

Aqui, parte da minha infância e adolescência, de frente para o rio Ivipanim e para os barulhos do cais. Esses barulhos das barcaças e dos barcos ancorados eram o terror das crianças nas noites de cruviana. Impossível esquecer.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

Quem viveu em Areia Branca nas décadas de 1950/1960 sabe bem como era a pirâmide social, e sabe do que estarei falando. De forma geral as pessoas eram pobres, salvas as raras exceções de praxe.

Havia a turma que estudava no Círculo Operário ou no Grupo Escolar, como eu, que frequentei os dois. Havia também aqueles que estudavam com professores particulares. Muitas vezes fico confuso quando alguém, neste blog, se refere a   mestres e mestras que jamais conheci. Os professores e professoras das crianças do meu convívio lecionavam nas escolas públicas, mesmo que às vezes pudessem  desenvolver atividades de ensino particular.

Não sei explicar por que nós, mesmo morando na Rua do Meio, desconhecíamos a existência de boa parte de crianças que moravam naquela rua. Imagino que até pudessem estudar em outras cidades, ou frequentar escolas particulares aqui em Areia Branca.

Daí a dificuldade que tenho em reconhecer mestres e mestras importantes de Areia Branca. Quando citados em textos publicados neste blog, tenho grande dificuldade de identificação dessas pessoas, que sei terem feito um trabalho de alta relevância em prol do ensino a muitas crianças de nossa cidade, e que hoje, certamente, desempenham funções de relevância no Estado ou nos mais diversos setores da sociedade, inclusive em universidades. Mauro, um irmão mais velho do que eu, sempre se refere a alguns desses professores com palavras de carinho e agradecimento.

Quanto a essas crianças, nem sei se tomavam banho na maré ou se chegaram a conhecer a prainha de Zé Filgueira. Suspeito até de que não tenham tido o prazer quase sonho de um banho na maré cheia, nadando no rio Ivipanim. Imagino que até desconheçam a fantasia que era passear de canoa pelo rio, ou de pegar taioba do outro lado, nos limites de Barra e Pernambuquinho. Somente muitos anos depois, quando citadas em nossas conversas através deste blog, é que percebo que essas pessoas existiram. Mas eu não as vi. Sinceramente, não as vi.

Percebe-se, porém, ontem como hoje, a importância de ser.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

Alguém comentou neste blog: Adultos que conheço tiveram um tipo diverso de experiência, e suas narrativas falam de fatos e pessoas que, em boa parte, não conheci. Falam de uma Areia Branca que não conheci. Duas faces de uma cidade que, embora pequena, englobava universos pessoais restritos, criando mundos díspares.

Antigamente, quando em noites quentes saíamos em grupo para fazer de conta que pescávamos no Tirol, pois o objetivo era se reunir e conversar, sem qualquer interesse com o resultado. O peixe? Que peixe?

Antigamente, quando brincávamos nas calçadas sem sobressaltos, ou quando o medo ainda não havia se estabelecido em nosso ser; quando jogávamos bola no meio da rua sem corrermos o risco de ser atropelados;

Antigamente, quando circulavam apenas dois carros pelas ruas de Areia Branca,  e a Escandalosa era o único meio de viajar em segurança;

Antigamente, quando as crianças em férias escolares brincavam com barquinhos no açude em frente ao Morro do Urubu, com a terrível preocupação do que fazer à tarde: nadar na maré cheia ou soltar pipa na várzea;

Antigamente, quando no Círculo Operário nos esforçávamos para não errar a pergunta da professora, pois a palmatória estava bem ali, de olhos abertos, no aguardo de um vacilo para entrar em cena;

Antigamente, quando dormíamos cedo nas noites da cruviana, quando tudo era incerteza no breu da noite escura, com seus ruídos de fantasma;

Antigamente, quando nas quermesses que antecediam a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes ficávamos nós, meninos, parados na esquina da pracinha, depois da novena, observando as moçoilas circularem desinibidas no sentido contrário ao dos rapazes;

Antigamente, quando tínhamos poetas preocupados com a história do seu povo, como Deífilo Gurgel, que escreveu o poema Areia Branca, que abaixo se replica;

Naquele tempo vinham os beijus 

e espalhavam na areia vermelha do cais:

carneiros, galinhas, capados,

cajus, tapiocas, cocos verdes,

e a sua fala se arrastava cadenciada

nas calçadas da Rua da Frente.

e não sabia que por trás da Barra

o mundo era tão grande.

Antigamente, dizíamos antigamentépâra para fatos acontecidos há pelo menos dez a vinte anos. Hoje, meu neto de quatro anos falou: Vovô, antigamente eu chamava tomate de bambá. Lembra?

Antigamente; o ontem de hoje. Antiga… mente.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

São poucas as minhas referências em Areia Branca. Nasci em uma casinha da Rua do Meio, naquela esquina onde atualmente mora Dondinho. Ao lado, o prédio do Círculo Operário, onde estudei a Cartilha do ABC e iniciei os conhecimentos de tabuada e civismo, e ainda resiste ao tempo, embora o belíssimo edifício do início do século passado há muito não exista.

Circ. Oper

Mudei-me para a Rua da Frente ainda pequeno, e ali passei toda a minha infância, quando viajei com minha família para Natal. Outro local importante para mim é o Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra. Lá, concluí o ensino fundamental e, em seguida, estudei até o segundo ano do Curso Comercial Básico.

Casa Rua da Frente

O Sesi desponta em minhas lembranças como um local onde um grupo histórico de servidores desenvolvia um trabalho de boa qualidade em prol da população, em especial dos mais carentes. No Sesi, junto com essa meninada, participei das reuniões do Clube do Sesinho.

Foto Sesi

Clube Sesinho

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

A parte de cima da Rua do Meio, vista do lado que se inicia na Rua das Almas, foi uma das ruas por onde mais transitei na minha infância. Claro que todas as nossas brincadeiras eram feitas na parte de baixo, no trecho que se iniciava na prefeitura e terminava no Círculo Operário.

Dito isto, fica fácil entender minha dificuldade em identificar os moradores da parte de cima da Rua do Meio, na década de 1950. Para resolver essa lacuna, penetrei nos comentários postados neste blog e pedi ajuda a Dedé de Zé Lúcio, filho de Maria Venus (forma bonita de se identificar), Carlos Alberto e Miranda, o nosso Comandante.

Iniciando nossa aventura, temos do lado direito o Cine Coronel Fausto com toda a sua imponência de cineteatro. Vizinho ao cinema morava Huson Gois e sua esposa Enilza, irmã de Pantiquinho, tendo ao lado a casa de Manelzin Mucunza, pai de Chico Gurupi, vizinho do palacete de Zeca de Celso. Do lado esquerdo da rua, na esquina, ficava o armazém de de Pedro Leite; ao seu lado, em uma casa pertencente a Chico Souto, morava dona Edite Belém, que tinha como vizinho seu Adauto Ribeiro, pai de Sônia.

Descendo um pouco, tinha a casa de Antônio Calazans e dona Julinha e em seguida a casa de Dr. Vicente e dona Nenê, pais de Marcelo e Marconi. Do mesmo lado, o Cine Miramar dominava a paisagem, e muitas vezes perdia a hegemonia para as belas casas da Coletoria (onde morava a família dos Lúcio de Góis), tendo em frente a casa de Manoel Bento que, juntas, fechavam o quadrilátero.

Ainda do lado direito de quem desce, na casa ao lado da de Manoel Bento, onde morava Menezes, ficava a casa de Dr. Gentil e sua família, que não era pequena (a esposa e os filhos Ronald, Axel, Chico Zé e Haroldo).

Entre as casas dos Lúcio de Góis e o Maracangalha sempre houve uma edificação muito pouco citada nos comentários deste blog. Ali, várias atividades foram desenvolvidas, entre elas uma distribuidora de bebidas.

O Cine Miramar foi construído depois que o Maracangalha fechou; o prédio é o mesmo.

Sei que, em face do tempo, esquecemos pessoas muito importantes que residiam naquele trecho. Mas com certeza os comentários acrescentarão o que nossa memória deixou passar.

Evaldo de Zé Silvino, filho de Ester (com permissão de Dedé de Zé Lúcio, filho de Maria Venus)

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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