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Ontem, sábado, 6 de abril de 2013, nosso amigo Mano de Zé Barros nos deixou nesse mundo material para permanecer em nosso universo afetivo. Flávio de Pitita foi grande amigo de Mano e tem muitos causos vividos por eles. Flávio ficou de me enviar alguns para colocarmos aqui no blogue. Enquanto ele não se coça, reproduzirei um texto que publiquei aqui em 11.08.2011 (https://areiabranca.wordpress.com/2011/08/11/as-belas-meninas-e-os-ridiculos-conquistadores/).

Segue o texto.

Flávio de Pitita, preguiçoso de carteirinha, jamais entrou nesse blogue para colocar uma vírgula que fosse, mas, o que se há de fazer, é meu amigo do peito, um dos muitos que cultivei na minha feliz infância-adolescência em AB, e em conversa com Antônio José, outro desse bloco que habita meu coração, confessou uma das nossas adolescentes e ridículas façanhas. O “nossas” aí vai por conta da participação de Flávio, Mano de Zé Barros e este envergonhado relator.

Ali nas imediações da rua Dr. Almino, rua das Almas e rua da Frente, um quadrilátero com início no cemitério e fim na Salmac de um lado, e início no Cel. Fausto e fim na Mossoró Comercial, do outro lado do quadrilátero, tinha uma meia dúzia de belas meninas que habitavam nosso vigoroso imaginário libidinoso. Pois eu não sei quem dentre esses intrépidos don juans de araque (para ficar com uma expressão da época) levantou a hipótese de que facilmente as conquistaríamos se elas conhecessem nossas habilidades artísticas. E que habilidades artísticas eram essas? Ora, numa época de grande fama do Circo Garcia, arte era fazer acrobacias e palhaçadas. Pois não é que essa idiotice, de um de nós, fez a cabeça dos outros dois?

Criamos uma “companhia”, só os três, para não termos concorrentes na disputa das belas meninas. Fazíamos apresentações ora no quintal da casa de Mano, ora nos fundos da casa de Flávio. Não entrarei nos detalhes das nossas exibições para não alimentar as gozações de jovens e provectos leitores deste blogue. E você pensa que era gratuíto? Nada disso, era pago. Três ou quatro palitos de fósforos! Que coisa mais ridícula, hein, Flávio, e o que você me diz, Mano?

Pelo que me lembro, e ainda não estou com Alzheimer, não ganhamos nada com aquilo. Tivemos muitas namoradinhas em AB, mas não com aquela grotesca empreitada.

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Flávio de Pitita, preguiçoso de carteirinha, jamais entrou nesse blogue para colocar uma vírgula que fosse, mas, o que se há de fazer, é meu amigo do peito, um dos muitos que cultivei na minha feliz infância-adolescência em AB, e em conversa com Antônio José, outro desse bloco que habita meu coração, confessou uma das nossas adolescentes e ridículas façanhas. O “nossas” aí vai por conta da participação de Flávio, Mano de Zé Barros e este envergonhado relator.

Ali nas imediações da rua Dr. Almino, rua das Almas e rua da Frente, um quadrilátero com início no cemitério e fim na Salmac de um lado, e início no Cel. Fausto e fim na Mossoró Comercial, do outro lado do quadrilátero, tinha uma meia dúzia de belas meninas que habitavam nosso vigoroso imaginário libidinoso. Pois eu não sei quem dentre esses intrépidos don juans de araque (para ficar com uma expressão da época) levantou a hipótese de que facilmente as conquistaríamos se elas conhecessem nossas habilidades artísticas. E que habilidades artísticas eram essas? Ora, numa época de grande fama do Circo Garcia, arte era fazer acrobacias e palhaçadas. Pois não é que essa idiotice, de um de nós, fez a cabeça dos outros dois?

Criamos uma “companhia”, só os três, para não termos concorrentes na disputa das belas meninas. Fazíamos apresentações ora no quintal da casa de Mano, ora nos fundos da casa de Flávio. Não entrarei nos detalhes das nossas exibições para não alimentar as gozações de jovens e provectos leitores deste blogue. E você pensa que era gratuíto? Nada disso, era pago. Três ou quatro palitos de fósforos! Que coisa mais ridícula, hein, Flávio, e o que você me diz, Mano?

Pelo que me lembro, e ainda não estou com Alzheimer, não ganhamos nada com aquilo. Tivemos muitas namoradinhas em AB, mas não com aquela grotesca empreitada.

Wellington de Reinério era um menino pacato como poucos, sem qualquer ambição de liderança. Estava sempre na dele, sem incomodar ninguém. Já Wilton, voluntarioso, briguento como parte da família, estava sempre incomodando seu irmão mais velho. Isso era uma constante nas nossas peladas.

Wellington jogava uma bola redondinha. Era um jogador habilidoso e elegante. Não fazia as habituais trapaças, como puxar o calção do adversário, levantar o pé acima da bola, armando o que se chamava de chapa, não dava uma cotovelada. Era ele e a bola, tentando apenas se esquivar dos adversários. Franzino e com esse espírito angelical, jamais conseguiu despertar interesse dos vários times de futebol em AB. Mas, nas peladas era sempre um dos primeiros a ser escolhido por quem ganhava o par-ou-ímpar.

Wilton tinha muitas dificuldades no trato com a bola. O que a natureza lhe deu de inteligência e habilidade com um maçarico, lhe tirou dos pés. De vez em quando ele obrigava Wellington a participar do par-ou-ímpar para ser um dos selecionadores, algo que violava a natureza do irmão. A estratégia tinha objetivo: ser um dos primeiros escolhidos. E ai de Wellington se não o obedecesse. Ameaçava dizer à mãe que Wellington estava jogando na rua. Sim, algumas mães não gostavam que seus filhos sujassem pés e canelas com a areia salitrosa que tomava conta da rua no embalo daqueles ventos areia-branquenses. Nunca entendi porque Wellington se preocupava tanto em respeitar as ordens da mãe, enquanto Wilton não estava nem aí! Se fosse hoje, ele ficaria cantando: Tô nem aí, tô nem aí . . .

Quem teve oportunidade de jogar bola na rua, naquela época, vai lembrar que a areia misturava-se com o suor e grudava no pé e em parte da canela. Parecia uma meia. Pois bem, para não deixar essa prova de que estivera jogando, Wellington passava o tempo todo limpando os pés. Era muito engraçado ver aquela cena. Ele dava uma corridinha e se encurvava. Passava as duas mãos, da ponta dos pés até o meio da canela. Primeiro no pé esquerdo, depois no direito, ou seria o contrário? Mas o danado jogava bem, e tinha tempo de fazer isso e executar as tarefas que lhe cabiam: dominar a bola, passar para um companheiro e fazer gol.

Já está evidente que Wilton não tinha grande intimidade com a redondinha, qualquer que fosse, de pano, de borracha ou de couro número 1 (a pequena) ou número 5 (a profissional). Mas, tinha um senso de humor discreto, sutil e refinado. Uma vez estávamos na sua pequena oficina, no fundo da casa. Em vão, ele procurava o martelo escondido em algum lugar daquela monumental desordem. De repente, estalando os dedos começou a chamar, como se a ferramenta fosse um animal doméstico:

– martelinho, martelinho, onde você se escondeu? Martelinho, martelinho, venha cá!

Com esse jeito engraçado ele fazia as ameaças a Wellington durante as peladas. Ninguém se animava em passar-lhe a bola. A chance de uma sequência bem sucedida era quase nula. Um dia, irritado com isso, aproveitou o momento em que Wellington estava de posse da bola, correu em sua direção com uma havaiana (chamávamos sandália japonesa) na mão, pronta para ser atirada, e gritou:

– Passe a bola, passe a bola senão jogo a sandália!

Não lembro quem testemunhou as cenas acima. Acho que a última também foi presenciada por Clécio. Para concluir, vou relatar uma história envolvendo Flávio de Pitita.

Era costume naquela época grupos de meninos desafiarem outros para uma partida de futebol no meio da rua. Os locais preferenciais eram a rua do meio (Cel. Fausto),

a dr. Almino (atual Dep. Manoel Avelino)

e a rua das almas, bem na frente do cemitério (olhaí, Evaldo, falei no cemitério!). Claro, isso antes do calçamento dessas ruas. Tenho várias historinhas com relação a isso. Vou relatar uma delas. Wilton, Clécio e não sei quem mais, desafiaram Wellington, Flávio de Pitita e este relator. Cada grupo deveria formar um time de 6 jogadores (um no gol e 5 na linha). Decidimos fazer um treino de 3 contra 3, no campo da saudade, logo depois do almoço! Só a energia de adolescentes para suportar tamanha loucura. O campo da saudade era o campo de futebol de AB, onde jogavam 11 contra 11. Agora, 3 contra 3 às 2 horas da tarde é uma insanidade.

Clécio, Wilton e o terceiro que não lembro, não eram páreo para Wellington, Flávio e eu. Sabíamos que no jogo prá valer era páreo corrido, como se diz no turfe quando um cavalo é claramente superior aos outros. Com essa certeza em mente e o sol na moleira, Wellington e eu decidimos amolecer. Toca a bola prá lá e cá, sem grande esforço, displicentemente, deixando os intrépidos adversários tomá-la, não fazendo qualquer esforço para recuperá-la. Flávio espumava de raiva. Wilton e Clécio se divertiam com os gols que faziam, um atrás do outro. E o pobre do Flávio correndo sozinho atrás dos 3 adversários, nos fulminando com seu olhar raivoso. No finalzinho, faltou-lhe o ar e ele ficou quase em estado de choque, parecia que ia ter uma convulsão, enquanto corria atrás de  Wilton, que se aproximava celeremente do nosso gol. Wellington e eu, assustados com a cena, ficamos parados na zona intermediária do campo. Wilton fez o gol e gritou, todo sorridente e provocativo:

– Se no treino foi assim, imagina no dia do jogo!

Flávio, com a pouca energia que lhe restava, correu em sua direção e agarrou-lhe o pescoço. Foi uma luta para evitar o enforcamento!

Crônica publicada no jornal Primeira Mão
Ano II, n. 12, 1998
Atualizada em 2 de maio de 2008

Há muito que venho alimentando a idéia de compilar fatos e boatos ocorridos ou ditos na Areia Branca dos anos sessenta. O plano tem sido discutido, aqui e acolá, numa ou noutra mesa de bar (ei, Flávio de Pitita, diga aí, não me deixe mentir sozinho, homem!). Agora, com a leitura dos livros de Zé Jaime e Wilson de Moisés a vontade de realizar o plano tornou-se obsessiva.

Em recente visita que fiz ao Mirabô, ouvi dele a promessa de participar ativamente do projeto, coletando depoimentos (orais e escritos) e escrevendo suas “memórias” daquela época (ei, Bobô, você prometeu escrever sobre as músicas que fizeram nossas cabeças; aquelas para serenatas e aquelas para o “rala-bucho”).

Para a nossa geração, a obra poderá servir como agradável e nostálgica volta aos felizes dias de adolescência e juventude. Mas, mais importante do que isso, o resgate de regras e comportamentos sociais proporcionará a montagem de um texto sociologicamente significativo. Por exemplo, na época em que as ruas de Areia Branca não eram calçadas (nem com paralelepípedo, nem com asfalto), os meninos costumavam praticar jogos hoje desaparecidos, tais como tica-bandeira (ou bandeirinha), fura-chão e pião, além das disputadíssimas partidas de futebol, acirrando as rivalidades entre os times da rua do meio e das ruas de trás. Certamente teremos histórias a contar sobre esses jogos. Como eram mesmo o nome e a regra daquele jogo de pião em que o vitorioso tinha o direito de bicar o pião do adversário? Recentemente, Evaldo Alves de Oliveira, hoje médico em Brasília, fez uma interessante contribuição, com seu livro Reaprendendo a Brincar: uma viagem à minha infância. Em breve deverei me ocupar dessas e outras publicações, mas a idéia aqui é provocar amigos e amigas de antanho.

Com a extraordinária fama da Canoa Quebrada de nossos dias, seria interessante que alguém relatasse como era vista essa praia nos anos sessenta. Ei, Altair o que é que você achava de Majorlândia? Conta pra gente! A propósito de praia, o que dizer das nossas caminhadas dominicais (alguma vezes com namoradas!), indo pela praia de Zé Filgueira, atravessando o Pontal e a Costa, para chegar em Upanema? Alguém tem uma história (fato ou boato) sobre os piqueniques escolares, aquele ingênuo lazer que passou a caracterizar os farofeiros de hoje? Quem lembra de Casca-de-ovo (o meu coração é só de Jesus / a minha alegria é o…)? Alguém lembra o último filme do Cine Coronel Fausto?

E o primeiro filme do Cine Miramar?
Qual o local preferido dos namorados no Cine São Raimundo?

A propósito de lembrança, uma pequena provocação ao Zé Jaime: homem, você esqueceu Dona Alice Carvalho, minha primeira professora, na Escola de Dona Chiquita do Carmo. Depois fui aluno da prof a Maria Felipe na 3a e 4a Série. Na 5a Série fui estudar com a prof a Geralda Cruz, cujo rigor disciplinar nos deixava arrepiados. Lembram daqueles tarugos de madeira, com formato triangular, que eram colocados sobre os papéis nas escrivaninhas? Pois certa vez a prof a Geralda Cruz arremessou o exemplar que estava sobre sua mesa, em direção às costas de um aluno malcriado, cujo gemido deve ter sido ouvido na rua.

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