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Em 1892, o território que correspondia ao recente povoado de Areia Branca foi desmembrado do município de Mossoró, com a elevação da condição de povoado para a categoria de vila de Areia Branca. Naquela época, faziam parte das terras areiabranquenses o que hoje conhecemos como os municípios de Grossos e de Tibau.

Assim nascia a nossa cidade, como nos conta Gibran Araújo com seus detalhes de pesquisador. Areia Branca expandiu-se, acrescentando nossos pais e em seguida surgimos nós, os areiabranquenses das décadas de 1940, 1950 e 1960.

Nesse tempo, o progresso, as novidades. Na área das comunicações, a galena veio antes do rádio, que logo seria uma novidade, apesar da chiadeira e da escassez de emissoras. As do Rio de Janeiro eram as mais sintonizadas.

Certa manhã, na Rua da Frente, Tututa (marinheiro, filho de dona Branca, irmão de Lázaro) caminhava ao lado de um adolescente carregando na cabeça um rádio que funcionava sem o fio ligado à tomada. Na passarela da nossa História, o rádio portátil desfilava pela primeira vez sob a sombra dos pés de fícus benjamina. Eu devia ter entre seis a oito anos de idade.

No início dos anos 1950 a cidade já dispunha de um comércio exuberante, tendo como ponto de referência a Rua da Frente. Ali localizavam-se as principais lojas, bodegas, oficinas, e armazéns da cidade. Nessa época surgiria a geladeira movida a querosene. Uma novidade que nós, meninos da Rua da Frente e os da parte de baixo da Rua do Meio, conheceríamos na casa de Antônio Tavernard. Carlos Alberto,  morador da casa vizinha, que o diga!

Não tive o prazer de testemunhar a chegada da televisão em Areia Branca. Assisti à Copa do Mundo de 1958 pelo rádio. A televisão estava surgindo no Brasil, e eu viria conhecê-la em Natal.

Areia Branca foi uma das primeiras cidades brasileiras a conhecer a bicicleta, na década de 1930. De forma displicente, um marinheiro anônimo tumultuava a Rua da Frente montado em um equipamento estranho. Era a bicicleta, que surgira no Brasil no ano de 1898, aproximadamente 32 anos antes.

Nos anos 1950, a bicicleta se tornaria uma febre entre as crianças de famílias de melhor situação financeira. A Rua do Meio era pavimentada com carago, e por isso era o local preferido para um passeio à tarde, do Cine Coronel Fausto até a pracinha. Para resolver essa carência de bicicletas, os irmãos Popõe e Chiá, com sua visão empreendedora, passaram a gerenciar, mesmo que de forma precária, o nicho comercial rent a bike, que era disponibilizado na pracinha. Gerenciavam também um carrinho de bebidas e doces. Popõe é uma corruptela de dois tostões, pois era assim que ele falava.

Testemunhei, ainda pequeno, a alegria do povo de Areia Branca quando a água jorrou pela primeira vez de um poço artesiano, quente e de excelente qualidade. Não presenciei a chegada da água encanada.

Não pense que esqueci da construção do Porto-Ilha, da mecanização das salinas nem da motorização das barcaças e das canoas!

Areia Branca, a história do progresso passa por esses fios.

Da areia ao carago, e daí ao asfalto.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

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