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De cara com o Ano Novo. De frente pro Marco Zero. Dois eventos, um fixo, que será brevemente conhecido, o Marco Zero. Outro, no domínio do etéreo, do por vir; o Ano Novo, com sua carga de incertezas.

Festa de Nossa Senhora dos Navegantes de 2016. Depois de 45 anos, o retorno à cidade em que nascera. Fixou o olhar na igreja e por um segundo vislumbrou a pracinha de sua meninice, que o tempo não conseguira alterar. Tantos anos ausente de Areia Branca e, olhando para a pracinha, uma constatação. Estava diferente. Não no formato, que ainda é quase o mesmo, mas na aura que dela emana. É que, em sua mente, congelara a imagem de uma praça luminosa, viva, com um coreto no centro, onde sabia haver assistido a algumas manifestações culturais, mesmo não lembrando o quê.

Pracinha

E uma pergunta irrompeu em silêncio, formatada pelas notícias que lera sobre Areia Branca: Onde fica o Marco Zero? E por que marco zero? Logo saberia. Fica do outro lado da igreja, em frente à torre de onde saíam as badaladas do sino que, nas domingueiras manhãs de sua infância, atraíam sua mãe para as missas conduzidas por padre Ismar. Ele, pequenino, sempre estava junto.

No patamar da igreja, contemplando o mesmo manguezal de suas peraltices no rio Ivipanim, perguntou-se: Por que o marco zero logo aqui na beira do cais, ao lado da Rampa? É porque Areia Branca nasceu aqui –, respondeu o silêncio, para em seguida arrematar: A primeira igrejinha da Vila de Areia Branca foi erguida pelo povo exatamente aqui, no século XIX.

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De imediato, lembrou-se da imagem de um grupo de motociclistas de Brasília, a maioria composta por advogados que, justo aqui, agradeciam e comemoravam a conquista dos caminhos ensolarados que os levaram de Fortaleza a Mossoró e da capital do oeste saíram no rumo da esquina do mundo, sem que acontecesse um único acidente. De frente para o marco, sua curiosidade era saber o que ali estava escrito.

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Na placa de concreto, informações básicas sobre a cidade. Em sua mente, muita coisa por ser vista. Afinal, estava de volta à terra de sua meninice, e sua mente fervilhava.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

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Esse trecho da Rua da Frente é uma área pouco visitada pelas pessoas de outras ruas. Trata-se, na verdade, de uma região diferente, mais calma, com uma igreja no início e o Tirol e a Praça do Pôr do Sol fechando o quadrilátero na outra ponta.

A parte de cima da Rua da Frente sempre perdeu para a parte de baixo quando o quesito é movimento, agitação. Em compensação, sempre levou muita vantagem no item charme e elegância. Essa dualidade me lembra aquele poema fescenino de autoria de Dr. Milton Ribeiro, A Bufa, que também se encerra na tentativa de esclarecer uma dualidade: Ganhando em cheiro o que em som perdeu, quem no cinema ou na igreja uma bufinha já não deu?

Saindo da igreja, confesso desconhecer quem é o morador desta primeira casa. Na segunda casa mora dona Cota, mãe de Manoel Avelino, que já foi prefeito. Na sequência, a bodega de Antônio Calazans, seguida de uma casa bonita, embora pequena. Aqui fica uma agência do Loyd Brasileiro. Nessa esquina funciona uma pensão, na casa onde morava o tenente Durval, que foi delegado da polícia. Era o terror dos foras da lei. No final da Rua da Frente, como que compondo o que em Brasília seria uma ponta de picolé, duas empresas de peso: a Mossoró Comercial e F. Souto.

Essas casas que ficam por trás da Praça do Pôr do Sol são o que há de charmoso e de ar pastoril em Areia Branca. Ficam aqui, protegidas por essas árvores, como que paradas no tempo, com aura de passado. É um dos lugares mais bonitos da nossa cidade.

Praça do Pôr do Sol hoje

Aqui na frente, duas estruturas que realmente tornam este lugar elegante, com ar bucólico e cheiro de saudade: o Tirol e a Praça do Pôr do Sol, aquela defronte a esta, as duas se misturando em um único encantamento. Parece até que uma não existiria sem a outra. Este local exerce um verdadeiro fascínio em mim. Às vezes penso que venho pouco aqui para não gastar minha dose de fascínio.

Fico por aqui. Vou sentar neste banco e assistir ao desembarque dos passageiros que estão chegando em uma lancha que acaba de atracar no Tirol. Esse som que vem dessa casinha branca tem tudo a ver com este momento. É a trilha sonora do filme Assim Caminha a Humanidade, recém lançado. O cais à frente, com o Tirol, é o cais da espera, que acolhe e dá abrigo. Vou ficar mais tempo aqui.

Foi uma das minhas últimas satisfações ao visitar aquele local.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

O ano, 1959. O local, a igreja em frente à Rampa. No contraponto, o manguezal que nos encanta. O que fazer, então? Enquanto penso, vou caminhando por essas calçadas no sentido da prainha de Zé Filgueira.

Na esquina, ao lado da igreja, a loja de Pedrinho Rodrigues chama a atenção pela variedade de produtos em suas prateleiras. Antonio José nos lembra que Maria Odete trabalha aqui.

Em seguida, a sortida bodega de seu Quidoca; na sequência, as bodegas de José Batista e a de Antonio Noronha. Chico Lino, homem sério e de pavio curto, logo aparece no balcão de sua mercearia, também uma das melhores daquele trecho. Ao lado, a casa onde morava com seus filhos Horácio, Araci, Concebida e Pedro. Vou parar um pouco. Está entrando um iate branquinho com listas escuras nas laterais.

A loja de tecidos de seu Quincó fica bem aqui, ao lado de sua casa. Vizinho à loja de seu Quincó fica a padaria de seu Lalá, seguida das Lojas Paulista, onde o irmão de Bobô é gerente. Esta mercearia pouco sortida é a de seu José Silvino e dona Ester, pais de Ivo, Mauro, João Alves, Eraldo, Evaldo, Zé Maria, Francisco, Isabel e Ana Maria. Aqui ao lado, a bodega de José Leonel e dona Hilda. Aqui fica a bodega de seu Josa, sempre com uma piada engraçada na ponta da língua. Ele é o pai de Bezinho e Vavá. A mercearia de Valdemiro fica aqui. A esta hora dona Noêmia, com certeza, deve estar assando algum bolo com cobertura açucarada grossa, geralmente vermelha. Aqui fica a mercearia de seu Isídio, controlada com muita sabedoria por Queca. Esta é a mercearia de dona Branca, mãe de Tututa, Lázaro e Petinho. Eles fabricam vinagre de forma artesanal. Na esquina, seu Eduardo tem como vizinho uma barbearia logo no início da rua que corta à direita.

Conheço pouco o trecho que se segue, mas vou seguir a orientação de Miranda, que é um sujeito que não conheço, mas entende muito de Areia Branca. Da rua Joaquim Nogueira à rua dos Calafates, vejamos, tem seu Eduardo, a mercearia de Vicente Simão, a casa de Quinca Pereira, a de Toinho de Chico Inácio, que é o pai de Alzenir Rolim, a cooperativa dirigida por Quiquinho Lúcio, a casa de Quinca Semeão e esta bela mercearia ao meu lado direito, que me faz lembrar de um episódio contado por Evaldo.

É a bodega de Sebastião Amorim. Evaldo e sua turminha tinham como costume vender garrafas aqui na mercearia de Sebastião Amorim. Um empregado dessa mercearia, sabendo muito bem com quem tratava, tinha o hábito de cheirar a boca de todas as garrafas, para afastar aquelas que tinham sido utilizadas para guardar querosene. Certo dia, os meninos esperaram até que alguém estivesse preparado e soltasse um pum na garrafa, sendo tapada com a mão logo em seguida. Ao chegarem com cara de anjo, o rapaz foi logo cheirando a boca das garrafas. Alguém falou: Não tem querosene em nenhuma. Ele respondeu: De fato, não tem querosene, mas nesta tem bosta, e eu não quero nenhuma delas. E a turma voltou sem o dinheiro das cocadas. Porém comemorando a vingança.

Agora vem a casa de Zé Braz, a casa de João de Pixico, Chico Carvalho, Chaguinha Carvalho, Chico Ludugero (pai de Cleodon), Luiz Mariano, Adauto peixeiro e Liberato. Ainda temos a bodega de Pedrinho Duarte, que fica aqui defronte ao mercado do peixe, a casa de Vicente Besouro, Antonio Pimenta, Zé Cazuza, Manoel Gonçalves, Chico de Neco, Antero Xixico e outras cujos moradores desconheço.

O tempo é cruel, e sei que esqueci algumas. Mas a memória é curta, e o sol está muito forte.

Voltemos ao patamar da igreja, que a parte de cima da Rua da Frente nos espera.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Caríssimos internautas amigos e filhos de Areia Branca, que amam a sua cidade e fazem parte da sua história.

Sinto-me no sagrado dever de bem informá-los da razão e do processo de restauração da principal peça patrimonial de nossa cidade, símbolo e sinal de unidade da fé do nosso povo que é a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.

Sabemos que na mídia há muitos “comunicadores” que têm o prazer de atear fogo com emissão de más notícias, omitindo, distorcendo ou deturpando a verdade.

É bom e oportuno dizer para os desinformados que o templo que tem uma história tão bonita, já as portas do seu centenário, em 2007 ameaçava ruir. Informado por engenheiros e mestres locais da situação de risco, o Pároco, no caso é 1ª. e maior responsável, junto ao seu conselho administrativo resolve interdita-la para a restauração. Diante da urgência iniciamos os trabalhos sem 1 real em caixa. Confiamos na Providência Divina. Muitos paroquianos de Fé se envolveram na Campanha “S.O.S.” Restauração. Paulatinamente, começando pela torre, fomos fazendo. As novas necessidades litúrgicas nos obrigaram também a uma pequena reforma interna sem mexer com a estrutura nem linhas arquitetônicas do prédio. Fez-se um projeto que depois de analisado e aprovado pelo Bispo e a comunidade, contratou-se uma firma construtora que consciente de que não tínhamos o recurso financeiro suficiente, se dispôs assumir o empreendimento. O essencial para reabrirmos para celebrarmos a festa, foi feito, embora esteja faltando muito para a conclusão, este muito, deixamos para depois que pagarmos os R$47.000,00 que devemos a firma construtora. Foram muitos os corações generosos e amantes que colaboraram para deixar a Igreja no ponto que se encontro, atraindo turistas e causando admiração a todos.

Aqueles, que por amor, desejar nos ajudar a pagar, coloquem sua contribuição na conta-corrente do Banco do Brasil:

Ag 1469-9 / CC 5740-1.

Pe. Luiz Sampaio do Rêgo

Paróquia Nossa Senhora da Conceição
Rua Jorge Caminha, 208 – SOMOBAN
CEP: 59655-000 / Areia Branca – RN
CNPJ: 08.264.111/0016-01
Skype: paroquiaareiabranca
E-mail: paroquiaab@yahoo.com.br
Msn: paroquiaab@hotmail.com
Tel.: (84) 3332-2251 FAX: (84) 3332-2393

A situação em que se encontrava a igreja:

Como ficou depois da obra:

Acabei de ler o seguinte comentário de Mirabô:

NÃO VI AINDA. Eu soube que detonaram a igreja. Um predio histórico! E ninguem impediu isso? Cadê o povo de Areia Branca, que não se manifestou ? E aí, vai ficar assim mesmo?

Alguém pode relatar exatamente o que fizeram com a igreja?

Depois de alguns comentários de colegas do blogue, recebi esta foto enviada por Marconi Dutra. Ele a encontrou no Portal Costa Branca

É provável que a expressão “detonaram a igreja” usada por Mirabô tenha a ver com preferências estéticas. Mas, pelas manifestações aqui expostas, muitos gostaram do resultado. Pessoalmente, considero relevante que estrutura arquitetônica da igreja, pela menos a externamente visível, foi preservada.

janeiro 2018
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