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A praça do Tirol foi destruída.

PensaoDonaPrimitiva

A bucólica vista acima, será substituída por um projeto arquitetônico de gosto e funcionalidade duvidosos.

PracaTirolOut2014a

Não sei quantas recordações fluem do imaginário de quem hoje tem mais de 50 anos. Da Escola de Dona Julita, das viagens para Grossos, saindo do Tirol nas lanchas de Luiz Cirilo, conduzidas pelo seu genro Zé Cirilo. Tenho registrado no mais recôndito ponto da minha memória os três dias em que Toinho de Eneas pedalou sem parar em torno da praça. A façanha, contada nessa crônica https://areiabranca.wordpress.com/2010/01/14/horacio-de-chico-lino-e-toinho-de-eneas-ciclistas-de-resistencia/, me veio à mente porque hoje tive a tristeza de ter em mãos a foto acima.

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Na foto de capa deste blog são apresentados alguns monumentos destruídos ao longo desses últimos 40 anos. Em maio de 2013 estive em Areia Branca e fotografei os locais de alguns espaços públicos registrados por Toinho do Vale, ao longo dos seus mais de 60 anos de atividade profissional. Foi uma experiência dolorosa ver a destruição patrocinada pela incúria de nossos administradores públicos. As fotos obtidas de ângulos similares àqueles utilizados por A.Vale (a assinatura usada por Toinho do Vale) encontram-se neste link https://areiabranca.wordpress.com/2013/05/28/areia-branca-hoje-nos-passos-de-toinho-do-foto-ontem/.

A praça Dix-Sept Rosado, popularmente conhecida como praça do Tirol, sempre foi uma praça pequena e pouco arborizada, mas seus bancos de madeira compunham, com o tirol e o lindo pôr-do-sol um espaço bucólico que deve estar registrado na memória de quem viveu por ali até os anos 70.

tirol_1950-60

Na frente da praça o Tirol. Na foto de baixo o que restou do Tirol. Foto obtida em maio de 2013.
tirolDestruido

pracaTirol130525a

Na foto acima, a praça do Tirol, bastante reduzida em relação àquela dos anos 70, mas mais arborizada.

tirolSalmac

Outro ângulo da praça do Tirol.

Hoje recebi fotos da completa destruição da praça do tirol

PracaTirolOut2014aA foto abaixo é do arquivo de Miranda, na mesma perspectiva da foto acima. Venha o que vier sobre esse terreno, sempre vai dar uma pontada no peito de quem passou pela velha praça do tirol.

PensaoDonaPrimitiva

Post-Scriptum (um modo pedante de dizer PS): Depois que publiquei o texto, recebi fotos do projeto da nova praça. Fiquei sabendo que a Praça do Tirol, nome popular para Praça Dix-Sept Rosado, agora se chama Praça do Por do Sol. É uma pena que as marcas materiais e imateriais da nossa história tenham a volatilidade da mudança de administradores municipais. Em vez de conservar os espaços físicos e seu simbolismo histórico, deixa-se que a intempérie tome conta para justificar sua destruição e construção de novo espaço, com a esperança de que sua marca ali seja perenizada. Sonho pueril, pois se a regra é assim, novas administrações continuarão destruindo e deixando suas marcas para novas destruições, constituindo um perverso moto-contínuo.

Vale registrar, não se trata de culpa que se possa imputar exclusivamente à atual administração. Os vários monumentos que já perdemos foram abatidos, direta ou indiretamente, por diferentes gestores ao longo dos últimos 40 anos.

A nova praça pode ficar bonita, veremos depois da conclusão, mas nossa história que se fez em torno dela já está prejudicada.

PracaTirolProj2014a PracaTirolProj2014b PracaTirolProj2014c

PS2: Acho importantíssimo colocar aqui um link enviado por Jerônimo Maia. A praça em maio de 2012

Google Maps de 05/2012.
https://www.google.com.br/maps/@-4.9571567,-37.1372532,3a,75y,221.56h,81.81t/data=!3m4!1e1!3m2!1siwV7JRgR7Sv58KJ5dUmX7A!2e0

Naquela manhã de festa em Areia Branca, ele desceu da pequena lancha conduzida por Zé Cirilo, a Ida, que ainda não era Marta. Subiu os degraus do Tirol, margeou a praça e caminhou rápido pela rua da frente. Passou diante da casa de Georgino Queiroz, do armazém de Antonio Calazans, da casa de D. Cota, mãe de Manoel e Chico Avelino, contornou pela calçada a Capitania dos Portos até chegar ao Jardim. Era assim que os areiabranquenses chamavam a praça que ficava entre a igreja e a prefeitura.

jardim_19602

 

Vestia uma calça faroeste azul e uma camisa branca desabotoada do meio para cima. Tinha na cabeleira um topete sutil e uma leve camada de brilhantina glostora. No rosto, a expressão cafajeste de James Dean em juventude transviada. Mal caía a noite e já tinha em seus braços a bela menina de uma distinta família da alta sociedade. Foi um escândalo quando descobriram que suas raízes atravessavam o rio e estavam fincadas do outro lado do mangue, na pequena Grossos. Os meninos roendo de ciúmes, a ponto de tirar as calças e pisar em cima, não cansavam de repetir: e além do mais, fuma maconha, fuma maconha!

Ninguém sabe mais onde anda, nem qual era seu nome. Parece que o nome tinha a ver com um filósofo, Tales, aquele de Mileto, que mais de 600 anos antes de Cristo descobriu a eletricidade. Mas, este só descobriu como conquistar mulhers bonitas, fazer o estrago nos corações, deixar mágoas nas mentes e desaparecer.

Mais uma vez meu irmão Marconi pediu-me para postar aqui um texto dele. Estou tentando convencê-lo a participar como colaborador, onde ele mesmo pode fazer as postagens. Aliás podemos fazer isto com qualquer um que se disponha a escrever sobre a cidade. O texto é o seguinte:

“Fui alfabetizado e fiz o curso primário na Escola Santa Terezinha com a D. Julita. Ali também ela morava junto com suas duas auxiliares, sua irmã Natinha, e Percília ( acredito que o nome correto era Priscila) que cuidava mais das tarefas da casa.
Era uma professora diferente das de hoje, calma, dedicada e compreensiva, era respeitada por todos os alunos, e a quem sou muito grato pelos ensinamentos recebidos.
A Escola ficava ali na praça do Tirol e o curioso era que tinha dois nomes. Isso mesmo… Pela manhã se chamava Escola Santa Terezinha, freqüentada salvo engano pelos alunos ate o segundo primário. A tarde era a Escola Pereira Carneiro, dos alunos maiores talvez até a quarta série. Nunca entendi o porque da mudança, mas alguma razão deveria ter…
Lembro de alguns fatos pitorescos acontecidos nesta Escola.
Um deles era que o atraso na aula tinha sempre a mesma explicação. O aluno atrasado chegava na porta e dizia em voz alta já interrompendo a professora : “dá licença D.Julita… cheguei atrasado porque o leite lá de casa chegou tarde… ao que ela respondia de pronto: Entre”.
Como iria barrar a entrada em sala de aula de alguém com justificativa tão plausível !!!.
Para as festas escolares, era solicitado dos alunos para trazerem de casa “1 cruzeiro e um ovo para a festinha da Escola”, pedido devidamente registrado em um bilhete para ser entregue aos pais, o que era a garantia de um gostoso bolo regado a suco de umbu, tirado do quintal da Escola.
Lembro ainda da bronca dada em Giselda ( acho que era o seu nome ), aluna mais velha e digamos, de corpo já formado, que teimava em ir para a aula sem sutiã, no que D. Julita dizia sem qualquer cerimônia: “Giselda…. pra casa botar o sutiã”, que sem reclamar cumpria as ordens da professora e voltava pra Escola devidamente composta.
Que bons aqueles tempos…

Vejam uma foto da Escola Santa Terezinha, gentilmente cedida por Carlos Alberto”

escola_julita_1954

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