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De passagem por Zurique, deparei-me com algo moderno, que lembrava um cofre de banco ou uma entrada de elevador, ao ar livre. Era um sanitário público. Ri com a lembrança do nosso Botequim, que ficava na Rua da Frente, pros lados da bodega de seu Isídio.

Rememorei que, Menino da Rua da Frente, durante toda a minha infância convivi  com uma estrutura tosca construída na beira do cais, e por ter o uso que tinha era evitado por crianças e adultos que por ali passavam. Ou moravam, como eu. Era o Botequim da Bosta, estrutura jamais citada em qualquer texto escrito sobre a cidade. Foi o primeiro sanitário público de Areia Branca. Já falei disso aqui.

Em face do seu nome estranho e do seu uso restrito aos trabalhadores do cais, o Botequim jamais foi lembrado em qualquer lista de equipamentos comunitários. Este sequer deixou rastros. Uma foto sequer. Assim eu imaginava.

O Botequim era utilizado pelos calafates e tripulantes de barcos que ancoravam no porto, ou pelos trabalhadores que realizavam algum serviço de manutenção ou reparo em embarcações, além de uma miríade de pessoas que circulavam pela Rua da Frente, como Fernando, Casca de Ovo, Macaco, já citados neste blog.

O fedor e a sujeira chegavam a um nível que as mães, sempre preocupadas com a segurança dos filhos, diziam: Tomar banho pros lados da Rampa pode; pros lados do Botequim, não!

Nesta foto de Toinho do Vale, o Botequim aparece pintado de branco, na beira do cais, em frente à mercearia de seu Isídio. Observar a antiguidade desta foto. Deve ser anterior a 1950, pois ainda não havia os pés de fícus junto à calçada.

Os pés de fícus foram exterminados do Brasil em meados de 1960, quando uma praga de lacerdinhasinfestou essas árvores em quase todo o Brasil. Esses insetos atingiam os olhos, provocando intensa irritação e ardência. Eram chamados de lacerdinhasem referência ao político carioca Carlos Lacerda, que ficou famoso por sua raivosa oposição aos presidentes Getúlio Vargas e Juscelino.

rua-da-frente-botequim cópia 2Close Botequim

Um close no Botequim. Ele existiu. Eis a prova!

Subst. Boteqim

Hoje, esta estrutura ocupa o lugar do Botequim

Botequim, um equipamento comunitário mal falado e nunca lembrado.

No contraponto, um primo suíço de excelente aparência.

Suíça_056

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Nasci aqui

Uma pequena casa. Você está vendo aquela casinha pequenina? Foi ali onde eu nasci. Ela é amarelinha como as penas de alguns pássaros, na esquina da rua, em um contraponto bem humorado com a nossa cidade que, como sabemos, fica na esquina do mundo.

Essa casinha fica na Rua Coronel Liberalino, também conhecida como a parte de baixo da Rua do Meio. No quarteirão a partir da pracinha, ali moravam pessoas importantes da cidade, como os Tavernard, as três irmãs (Cristina, Clara e Dó), o cônego Ismar, Sérvulo e Arnaldo, Chico Germano. Esta semana descobri que ali, vizinho à casa dos Tavernard, morava Carlos Alberto, filho de Clodomiro. Alguém conhece?

Naquele trecho funcionava a gerência do Sesi e o posto de atendimento do IAPC, o Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários, onde Dr. Gentil e outros profissionais exerciam parte de suas atividades. Ao lado do IAPC passou a morar o gerente do Cine Coronel Fausto. A meninada, vez por outra, remexia no lixo e recolhia ingressos ainda inteiros para reusá-los no cinema, à noite. O porteiro Có,  desconfiado, fazia uma auditoria nos ingressos. Tudo legal. É bom lembrar que as cores variavam, ora vermelho, outras vezes azul ou amarelo.

A casinha a que me refiro fica ao lado do Círculo Operário, na outra esquina. Em minha última viagem a Areia Branca, Dondinho, filho de Antônio Quixabeira, era o morador daquela casinha amarela.

Naquele trecho ficava o velho muro do quintal da minha segunda casa, na Rua da Frente, com bodega de cara pro rio, capitaneando a moradia, que ficava na parte de trás. O muro continua de pé, agora remodelado. Mas continua muro.

Casa Rua da Frente

Aqui, parte da minha infância e adolescência, de frente para o rio Ivipanim e para os barulhos do cais. Esses barulhos das barcaças e dos barcos ancorados eram o terror das crianças nas noites de cruviana. Impossível esquecer.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

 

Na vida todos temos um segredo inconfessável,

 um arrependimento irreversível,

um sonho inalcançável e um amor inesquecível.

Diego Marchi.

Em Areia Branca, imagino ter sido ele o único garoto que realmente desejava ser paraquedista. Com apenas seis aninhos de idade, em suas conversas ele sempre dizia que ia ser paraquedista. Em seus sonhos, o voo em queda livre surgia com frequência, pondo em desordem sua inquieta cabecinha. O Papai Noel, renascido todos os anos, quando chegava o natal, saindo de uma lareira, para ele o velhinho descia de paraquedas, e escorregava fazendo marcas nas paredes do seu quarto. No alto do imenso pé direito, antigas pucumãs testemunhavam em silêncio.

No quintal de sua casa, na Rua da Frente, a observação cuidadosa do voo dos raros passarinhos era uma tarefa de todos os dias. Quantas vezes, sentado sobre o quarador de roupas, imaginou-se, qual menino-passarinho, em voos pelos céus de Areia Branca, fosse em rasantes pelas várzeas, pros lados de Pedrinhas, assustando os maçaricos e contemplando antigos cataventos. Talvez, imaginava, pudesse chegar a Mossoró.

Hoje, o menino entende que os sonhos são, em boa parte, determinados pelas ideias formadas em nosso dia a dia, e em Areia Branca dos anos 1950, era muito difícil manter certas ideias com a mesma formatação por muito tempo. É que, face às dificuldades, essas ideias perdem força, esmaecem e somem. No futuro, apenas a lembrança de um sonho que a realidade tratou de abortar, deixando apenas restos placentários.

Ao sumirem tais ideias, em seu lugar pode restar um vácuo no espaço-tempo, ou aos poucos serem substituídas por novas propostas. Para isso, é essencial que  se reforce o conhecimento, que se conte com o exemplo e o apoio da família, além de muito estudo e esforço pessoal. Do contrário, acomodação e desistência. Aqui, a necessidade de criação de novos repertórios para formatação de outros voos, só que desta vez sem o paraquedas.

E assim o menino fez. Mudou de Areia Branca para uma cidade grande, estudou engenharia robótica e hoje está se aposentando de seu trabalho em uma empresa que desenvolve software para aviação comercial.

O voo. A mesma paixão. O mesmo sonho em nova formatação.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

(*) Aqui, um sonho, uma alegoria, uma metáfora baseada em fatos reais

 

 

 

 

 

O rio Potengi passa pela costela mindinho de Natal, acompanhado de sua vasta corte de manguezais, até desaguar no Oceano Atlântico, ali mesmo, bem perto do Forte. O rio Ivipanim chega cansado e poluído a Areia Branca, caminha por toda a Rua da Frente e desagua no Oceano Atlântico, um pouco à frente, pros lados do Pontal.

O rio Potengi é o principal curso de água do Rio Grande do Norte. Sua nascente se localiza no município de Cerro Corá. Daí, percorre 176 quilômetros, passando por oito municípios: Cerro Corá, São Tome, Barcelona, São Paulo do Potengi, São Pedro, Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante e Natal. Aqui, junta-se ao rios Jundiaí, Golandim e rio Doce, formando o estuário do rio Potengi.

O rio Ivipanim nasce na serra de Luiz Gomes, com o nome de rio Apodi. Dali, o rio passa pelas idades de Luiz Gomes, Pau dos Ferros, Itaú, Apodi, Felipe Guerra, Mossoró e Areia Branca. Ao chegar a Mossoró, o rio é batizado com o nome da capital do oeste. Já debilitado pelas sujeiras do caminho, aqui que recebe suplementação extra de esgoto e lixo. Resfolegante, chega a Areia Branca em busca de socorro.Rio Potengi x Rio Ivipanim

Em Areia Branca o rio muda de nome novamente. A partir daqui, passa a chamar-se rio Ivipanim. Com esse novo registro, recebe tratamento intensivo realizado pelo manguezal, ganha volume e, maré, namora com o mar e tem muitos filhos, aqui chamados de  peixes, caranguejos e siris, que tentam driblar voos rasantes  de aves marinhas em busca de almoço. E assim, revigorado, anda a passos lentos seus 15 quilômetros até chegar ao mar, em conluio com embarcações de todos os calados. O sal por testemunha.

Quando criança, imaginava que o rio Ivipanim morria no Pontal, engolido pelo mar. Depois de ver de perto aquela linha divisória rio-mar, o mistério se desfez. Hoje sei que a impenetrabilidade de um Olimpo nordestino parece indicar que, do outro lado daquela linha, Caronte vigia as águas do rio, sob o olhar atento das sereias.

O rio Potengi nasce na cauda do elefante. O rio Apodi/Mossoró/Ivipanim nasce bem na tromba.

Dois rios, dois caminhos, dois destinos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

Tirol não é somente uma cidade, mas uma região histórica da parte ocidental da Europa Oriental. Inclui o estado do Tirol, na Áustria, e uma Região Autônoma da Itália (Trentino-Alto Ádige). A porção meridional do Tirol se subdivide em duas províncias autônomas (Bolzano e Trento).

Na Áustria, o Tirol é um dos estados federados, localizado no oeste do país, tendo como capital a cidade de Innsbruck, próximo a Salzburgo, na região dos Alpes Suíços. É em Salzburgo que se encontra enterrado o corpo de Paracelso, médico e  alquimista, nascido no ano de 1493 e assassinado em 1541. Seu nome de batismo era Teophrastus Bombastus Von Hohenhein.Tirol

Esta é, imagino, a origem do nome do nosso Tirol, equipamento comunitário que marcou de forma indelével toda a parte de cima da Rua da Frente. Ao seu lado, o apoio da Praça do Por do Sol para  encantar poetas e pessoas do povo, em todas as épocas, em especial os passageiros que, vestidos de forma elegante,  tinham o prazer de utilizar as lanchas de Luiz Cirilo, fosse embarcando ou aqui chegando de sua viagem entre Grossos e Areia Branca.

Uma parada para contemplar, da pracinha, um dos pores de sol mais bonitos do Brasil, logo à direita, no final do risco traçado pelo manguezal. Ao fundo, o brilho ofuscante das areias multicoloridas de Tibau.

Barcacas tirolsalmac

Com a palavra o nosso pesquisador maior, Gibran Araújo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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