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Wellington, de saudosa memória, tinha a minha idade e Wilton era um pouco mais novo. Um era meu companheiro de farra, o outro era companheiro do meu irmão, Clécio. Mas, com a diferença de idade era muito pequena, frequentemente estávamos juntos nas costumeiras estripulias de antanho. Vou precisar de pelo menos três crônicas para falar deles, mas antes não posso deixar de dizer duas palavrinhas sobre o pai. Reinério era um artista com um maçarico na mão. Um ferreiro como poucos. A arte corria-lhe no sangue, filho que era de Neco Ferreiro. Dessa arte, Wellington herdou quase nada, mas Wilton tinha no DNA todos os códigos do pai.

Moravam na rua da frente, na ponta oposta àquela que Evaldo imortalizou nos seus livros e aqui no blogue. Essa foto de Antônio do Vale, com a sua amada Geraldinha em primeiro plano, parece que foi feita para o relato que farei a seguir. Excetuando a circunstância de ter sido obtida em um dia de maré extraordinariamente cheia, a foto representa exatamente o palco dos acontecimentos ocorridos nos anos 1960 com os irmãos Wellington e Wilton.

Vamos descrever o cenário. À esquerda tem, na esquina, o prédio que foi da Mossoró Comercial, gerenciada pelo “Seu” Adauto (informação que Miranda deu no seu comentário), pai de Gilton, Genildo, Suerda e Sônia (tinha outros filhos, cujos nomes não recordo). No andar superior desse prédio morava “Seu” João Jacinto, pai de Jacinto Filho, que foi meu colega de turma no Marista de Natal. Depois tem a casa de Reinério e a de Zé Cirilo, pai de Marta, que frequentemente escreve aqui nesse blogue. Não tinha me dado conta da perfeita simetria dessas duas casas; incrível, uma parece a reflexão da outra. Numa das outras casa morava Zé Barros, pai de Kléber, de saudosa memória. Ao fundo os prédios da Salmac e de F. Souto.

Wellington e Wilton resolveram construir um barco. Na verdade, acho que foi ideia de Wilton, que deve ter obrigado Wellington a ajudá-lo na espinhosa tarefa. Wilton, embora mais novo, tinha uma ascendência danada sobre o irmão. Era um barquinho pequenininho, não tinha mais do que um metro e meio de comprimento. Era também muito tosco, mais parecia um caixão triangular. Apesar de tudo isso, deve ter exigido muita engenhosidade dos meninos, ou pelo menos de Wilton. Cortar a madeira, pregar, calefatar, isso não era coisa para qualquer um que não fosse profissional.

Determinado dia foi anunciada a inauguração do barco. A maré estava cheia, não tanto quanto naquele dia da fotografia mostrada acima, mas as pequenas marolas faziam a água lamber a parte superior do cais. Não sei porque, diferente dos outros dias de maré cheia, naquele quase ninguém estava tomando banho na maré. Eu lembro que estava de roupa trocada. Ou seja, já tinha tomado meu banho de chuveiro daquele dia.

Ninguém ainda tinha visto o barco. Ele fora construído quase em segredo. Começamos rindo do formato triangular e tosco da obra náutica. Wellington, tímido como era, tinha a vergonha estampada no rosto. Wilton, voluntarioso que nem um rei, nos desafiava com o olhar, prenunciando a glória final e ordenando que Wellington tivesse mais cuidado, não deixasse que o barco caísse no chão. Cada um segurando um lado, colocaram o barco na água. Pegaram seus remos, sentaram-se e comecaram a remar. Não durou um minuto. O barco começou a afundar e dali não saiu.

A gargalhada, geral e estrondosa, deve ter ecoado para as bandas de Grossos, Barra, Pernabuquinho, Areias Alvas, quiçá Tibau!

É mentira Terta?

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