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Criança que há em mim, faze os barulhos que encantaram meus dias de pequeno ser, para que eu não esqueça dos caminhos que aqui me trouxeram! Canta as músicas da minha infância, reinventa os ruídos das ruas da minha meninice. Sabe os xingamentos de Marciana? Vê se os repete. Recria os barulhos do rio Ivipanim, com seus barcos a vela a romper os silêncios das noites sob o sutil domínio da cruviana. Lembra do barulho das talhadeiras dos calafates abarrotando de sons a Rua da Frente? Mesmo que por um momento, faze retornarem as lembranças das noites de serração, com suas troadas aterradoras!

Lembra do ribombar dos trovões ao chicoteio dos relâmpagos, pros lados de Pedrinhas e Casqueira? Aqui no planalto central, ouvi o grito rouco de um tucano no alto de uma palmeira empertigada, sob os olhares cintilantes dos saguis, em uma manhã de domingo, provocando inveja em duas pitangueiras espraiadas, em sua prenhez de  flores, e em cujos troncos passeiam calangos desajeitados, trazendo à lembrança pequeninos dinossauros que se esgueiravam nos coqueiros de Upanema, deixando marcas nas dunas. Lá, como aqui, um jurassic world em miniatura. Ruídos benfazejos, os dois.

Criança que há em mim, lembra da gritaria da meninada empinando pipas nas várzeas, com o vento levantando nuvens de areia nos descampados do mês de julho? Relembro algo que já escrevi neste blog, somente para ti, menino que há em mim: Vento, quando fores brincar com as pipas dos meninos, seja nas várzeas poeirentas, nas ruas sem calçamento ou no Morro do Urubu, me leva contigo. Assim, sentirei o gosto da liberdade plena.

 Por fim, lembra da barulheira que havia na barraca de Zacarias, nossa Las Vegas na dimensão nano? Aqui, todas as formas de ruídos, vozearia, gritaria, alarido, algazarra, barafunda. Lembra da gritaria dos meninos da Rua da Frente, nadando em torno dos barcos dos beijus, pedindo para que eles atirassem mangas no rio?

Mas o ruído também se exaure. O silêncio nos observa de longe, e logo acampará em nós. Hora para reflexões. Que venham a calmaria, a quietude, a tranquilidade, o remanso, o sossego, a tranquilidade.

É assim que a vida pulsa.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Desde pequeno, quando estudava no Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra, eu imaginava coisas impossíveis, como subir de avião e recolher aquelas nuvens que passavam pelo céu. Como brincadeira, pensei em uma forma de me comunicar com algumas pessoas sem o perigo de ter meus escritos vazados, e me iniciei no obscuro mundo da encriptação. Idealizei, então, uma forma  para me comunicar com segurança, ao criar um código simples, que depois viria saber já ter sido utilizado por Celso, o todo poderoso imperador de Roma.

Em outro momento, imaginando o universo dos pequeninos, penetrei no mundo nano. Na crônica Nanomedicina, o Futuro Chegou, enfoco os benefícios e os riscos dos nanoprodutos. Ali, um pouco do que nos espera nessa área do conhecimento. Em outra ocasião, em um texto sobre Ciência Noética – Ciência Noética, o Futuro da Cura ou Instrumento do Terror?– eu chamava a atenção para um mundo  de esperanças, sem esquecer os perigos que cercam este tema.

Porém dois elementos sempre me intrigaram: o silêncio e a escuridão. Minha  medida para o breu total acontecia depois das dez da noite, quando ela, a escuridão, em conluio com a cruviana e a serração da velha, apagava a cidade para os raros aviões. Ali, o império dos grilos; se no inverno, também dos sapos.

Haveria um nível de ultra escuridão? A resposta é sim. O cosmo era totalmente escuro, antes e depois do Big Bang, que aconteceu há treze bilhões de anos. A luz visível aos nossos olhos somente iluminaria o cosmo depois de 400 milhões de anos, coincidindo com o surgimento das primeiras estrelas. Uma dedução bem elementar e antiga: a escuridão não existe; é criada pela ausência da luz. A quantidade de luz presente em um espaço define o nível da escuridão.

Do mesmo modo, haverá o silêncio absoluto, em que o ruído produzido pelo voo de uma libélula possa até nos apavorar, por sua intensidade? A entrada em uma câmara anecoica acústica poderia nos fornecer elementos para reflexão. Em uma dessas câmaras você pode se assustar ao ouvir com clareza os batimentos do seu coração, o ruído do sangue correndo em suas artérias cranianas, o ronco da sua respiração.

Escuridão, ausência da luz.

Silêncio, necessário até no nível do cochicho das muriçocas. E somente até aí.

Os dois juntos, loucura.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

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