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Não tenho o dom nem o nível de conhecimentos de genealogia do nosso amigo Gibran Araújo. Se assim fosse, tal qual ele o fez quando tratou da família Calazans em uma de suas crônicas neste blog, iniciaria este texto referindo-me à origem da família, no início do século XX, em terras de São Fernando, assim como todo o emaranhado de nomes e sobrenomes que formaram essa família tão querida dos areiabranquenses.

Mas falarei dos que conheci quando criança. Julieta, que ajudou meu irmão João a transferir seu trabalho no Sesi de Areia Branca para Natal, quando nos mudamos. Já falei do incansável trabalho que Julieta desenvolveu no Sesi, e de sua ascenção profissional e técnica que todos conhecemos, baseada em seu esforço pessoal.

Jória é uma criatura doce e interessada nos meandros da cultura da nossa cidade. Foi Jória quem me permitiu entrar na casa de seus pais, há alguns anos. Um doce sonho de infância concretizado. Fui da Rua do Meio ao Beco da Galinha Morta por dentro da casa, visitando seus cômodos e seu quintal.

Jurineide foi a mulher mais bonita que Areia Branca já viu, quase todos estão de acordo. Quantas vezes passei em frente àquela casa da Rua do Meio, vizinha à casa de Dr. Vicente, com destino ao Cine Coronel Fausto e, de soslaio, dava uma olhada tentando avistar Jurineide, fosse sentada na calçada ou mesmo de longe, circulando perto da casa.

Também conheci Adário. Mas foi Toinho Calazans que melhor conheci. Era meu padrinho de crisma, junto com Vilani, filha de seu Assunção Barbeiro. Em uma de nossas conversas ele me contou que havia rolado um namorico entre os dois, por conta do meu apadrinhamento.

Toinho Calazans era uma pessoa agradável, preocupado com as coisas de Areia Branca. Em agosto de 1981 estávamos eu, Mauro e Zé Maria em Areia Branca e avistamos Toinho. Ele veio sorrindo nos abraçar e depois demos uma volta pelas salinas, conversamos, rimos muito e, como crianças, subimos em uma pirâmide de sal. Aquela foi a última vez que o vi.

Arquivo Escaneado

Arquivo Escaneado 4Eu era o fotógrafo

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituo Histórico e Geográfico do RN

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Aproveitando a deixa das últimas crônicas, nas quais mencionamos a família Calazans, e Evaldo chamou a atenção para o fato de haver poucas bicicletas em AB, lá pelos idos anos 1950, lembro de uma novidade daquela época: a bicicleta de corrida adquirida por Toinho Calazans, que já era o verdadeiro administrador do Armazém do seu pai. A gente chamava de bicicleta de corrida porque tinha o guidon virado para baixo e as rodas bem fininhas. Eu, que aprendera a andar de bicicleta “roubada” de salineiros, lá do outro lado do rio, meia légua depois da barra, sofri o diabo com aqueles pneus finos da bicicleta de Toinho. Acho que, além do dono, apenas Chico Novo e eu tínhamos o privilégio de andar naquela bicicleta. De vez em quando ele ficava brabo comigo, porque chegava um pouco depois de tempo combinado para a devolução. Não sei que propósitos Chico Novo tinha quando pedia a bicicleta. Da minha parte, não tenho vergonha em declarar: pedia para me exibir na frente das casas das namoradas ou daquelas com quem estava flertando. Coisa boa uma flertada na praça da igreja, heim? Lembro que uma vez, a ciumenta mãe de uma namoradinha nos surpreendeu de mãos dadas, entre o Correio e o Grupo Escolar, esse que foi motivo da recente crônica de Evaldo. A menina ficou alguns dias de castigo. Para irritação da mãe eu passava várias vezes ao dia, chispando na bicicleta de Toinho Calazans. Santa bicicleta!

Sei que ficou nebulosa a história da “bicicleta roubada”. Era assim. Meus avós moravam num sítio, meia légua depois da Barra, para onde íamos nas férias. Na frente do sítio, meu tio tinha um armazém, que fornecia de tudo para os salineiros da região. Eles encostavam suas bicicletas, burros e cavalos, feito aqueles armazéns dos filmes de faroeste, e ficavam um bom tempo comprando seus mantimentos e tomando umas e outras. Nisso, a meninada que estava em férias no sítio aproveitava e “roubava” a bicicleta, e na falta desta, o animal que não desembestasse. Claro, de vez em quando um desprevenido pegava um burro-mulo mais tinhoso e era um Deus-nos-acuda. Geralmente só tinha duas alternativas: agarrar-se no pescoço do bicho até ele parar, ou pular, correndo o risco de quebrar pernas e braços.

Post-Scriptum (desculpe o aparente esnobismo, mas é que gosto tanto dessa expressão em Latim, que raramente escrevo PS) – Dois comentários, um de Evaldo e outro de Antônio José me motivaram a escrever nova crônica com o registro dos desafios de resistência de Horácio de Chico Lino e Toinho de Eneas.

Aproveito o texto de Marcelo para dar meus depoimentos sobre a família Calazans. Sim, é no plural mesmo, porque o farei na forma de pequenos verbetes sobre alguns membros da famíla. Tenho laços familiares com essa família. Do ponto de vista genealógico são tênues, mas foram emocionalmente intensos. Aos 11 anos de idade meu pai foi morar na casa de Antonio Calazans e trabalhar no seu armazém, que ficava na rua da frente, próximo à igreja. Pelo menos era lá quando eu passei a freqüentá-lo, no final dos anos 1950.

Durante minhas andanças infantis pelas ruas em torno do jardim (a praça entre a prefeitura e a igreja), costumava dar um pulo na casa de D. Julinha. A impressão que eu tinha era que ela fazia bolo todos os dias. Sempre tinha um diferente e saboroso. O generoso pedaço, devorado com aquele prazer que só o manjar dos deuses provoca, era sempre acompanhado de um suco de lamber os beiços.

Lembro bem da campanha de Antonio Calazans para a prefeitura de Areia Branca. Em algum momento da campanha quase houve uma tragédia. Não sei bem a história, e meu pai não está mais aqui para contá-la, mas lembro que em certa noite papai pegou seu revólver e saiu zangado para a rua. Tinha havido um comício e muitas provocações. Os Lúcios do outro lado. Ao contrário do meu pai, fiz boas amizades com todos meus contemporâneos de sobrenome Lúcio de Goes. Os filhos de Antonio Lúcio, Zé Lúcio e Manoel Lúcio.

O casal Calazans teve muitos filhos, alguns belos, outros nem tanto, e por esses últimos, surpreende a observação feita por D. Julinha a respeito de Marco Aurélio.

Julieta, Jória, Jurineide, Toinho, Adário e Aldemir foram os que conheci, e sobre os quais falarei em futuras mensagens.

A partir da esquerda: Julieta, Toinho, Seu Antônio e D. Julinha.

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