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Toinho Tavernard ocupa espaço no camarote das lembranças da minha infância e juventude em Areia Branca.

Os garotos da minha geração tinham em Toinho duas identificações. A primeira, aquela ligada aos bons papos na pracinha, junto com José Jaime e outros nomes dentre o que havia de melhor na cidade.

Alguns estudantes da Escola Técnica de Comércio, depois das aulas,  gostavam de se aproximar daquele grupo de rapazes que conversavam na pracinha, enchendo de sons a noite, gargalhadas destravadas pela força da juventude e um especial o gosto pela vida, a música aí incluída.

Por seu lado, as garotas adoravam seu porte físico e sua boa pinta, além de sua voz especial de barítono, fazendo par com Ribamar, neste item.

Quando de uma viagem a Areia Branca, visitando o Passárgada, descobri, fruto da conversa na varanda, que meu amigo era também um pintor de quadros. E entrei em seu mundo particular, escondido em seu ateliê. Ali,  quadros finalizados pelo artista enchiam nossos olhos, e nossa alma se locupletava de boas lembranças da nossa cidade, pois retratar Areia Branca era uma das preocupações de sua bela e eternizada arte.

Apontei para um belíssimo quadro retratando antigas salinas, repousando sobre uma bancada, e perguntei se ele estava reservado para alguém. Respondeu: Se estava, deixou de estar. Acertado o preço, hoje ele repousa em minha sala junto a um grupo de amigos, todos de boa lavra.

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Toinho Tavernard, o rapaz boa pinta que sabia conversar, cantava e pintava quadros. E o sete, também, que ninguém é de ferro.

Por tudo isso, seu nome e acervo se perpetuarão na memória de quem gosta das boas coisas da vida. Um amigo. Um bom papo. Uma boa voz. Um artista.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Estamos iniciando um projeto para digitalizar fotografias de Toinho do Foto e pinturas de Toinho Tavernard. Para que o acervo seja o mais completo possível, solicitamos a quem tenha fotos e pinturas de locais públicos desses artistas, que nos autorize a escanear as fotos ou fotografar as pinturas. Os créditos de propriedade das obras serão dados no projeto. Posso ser contatado pelo endereço eletrônico cas.ufrgs@gmail.com. Desde já agradecemos aos interessados em preservar nosso acervo cultural.

O projeto proporcionará a admiração de diferentes perspectivas de um mesmo patrimônio histórico da nossa cidade, mesmo que já tenha sido destruído, como o Tirol.

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O olhar de Toinho Tavernard

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A perspectiva de Toinho do Foto

Surpreendi Toinho Tavernard concluindo esta tela que sua filha, Leila, encomendou para me presentear.

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A propósito, ele está planejando produzir séries numeradas de alguns monumentos areia-branquenses que desapareceram, ou foram modificados ou correm o risco de desaparecerem. Para quem não está habituado com esse tipo de produção, muito comum na serigrafia, trata-se de telas com numeração certificada pelo artista. O adquirente sabe a quantidade de cópias existentes, e qual é o número da que adquiriu.

Um dos monumentos em vista é o Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra, na forma em que se encontrava nos anos 60-70. Talvez ele produza apenas 10 telas 40×50 desse sacrossanto edifício da educação areia-branquense.

G.E. Cons. Brito Guerra

Nas telas de Toinho Tavernard, que vi reproduzidas nos perfis do Facebook de Leila Tavernard  e Rosa Tavares, me transportei para um tempo onde foram criadas minhas conexões com a família de Didiz e Zé Tavernard. As conexões se vão com o distanciamento têmporo-espacial, mas as origens ficam na memória que teima em desobedecer os mandamentos Alzheimianos. Nasci nessa casa da foto, parede e meia com a dos Tavernad. Do outro lado da casa de Zé Tavernard ficava a Casa Paroquial, onde pontificava Padre Ismar, que me batizou e três anos depois se divertia com minhas imitações do coelhinho da páscoa e de algumas personalidades areia-branquenses. Foi ali que vivi até os 5 anos de idade, mas tenho apenas a foto no meu segundo aniversário como registro.

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Foi bem naquela época que quase peguei coqueluche de uma das lindas filhas de Didiz. Não lembro mais quem era. Edna? Cleide? Ah, doutor Alzheimer, roubaste-me esses nomes! Na impetuosidade daqueles 4-5 anos de idade, ficávamos namoricando na cerca do quintal, cada um no seu lado, para desespero da minha mãe. Se o amor ali não levaria a casamento, bem que ela sabia, de uma bela contaminação eu não escaparia.

Foi também naquela época que tive meu primeiro embevecimento com a arte dos outros. Ficava horas aspirando aquela insalubre serragem na marcenaria no fundo da casa de Zé Tavernard, boquiaberto com a agilidade e maestria com que aqueles homens manipulavam formões, plainas, serra circular, serra de fita e tupia. Ainda não era capaz de apreciar a beleza do produto daqueles homens. Só uma década depois é que fui perceber que aqueles móveis estilo Chippendale eram obras de arte saídas da criatividade de Zé Tavernard e sua notável equipe de marceneiros. Não me perdoo pela complacência que me fez indiferente à contínua destruição imposta pelo tempo a alguns móveis da lavra de Zé Tavernard, adquiridos por meu pai nos anos 1950, como uma mesa similar a esta fotografada pelo nosso memorialista Antônio Fernando Miranda

mesaChippendaleTavernard

Os varões da família herdaram a veia artística do pai, mas um deles a fez jorrar em telas e cavaletes e ao som de uma bela voz que embalou serenatas juvenis nos românticos tempos das ruas de carago. Ao contrário do Tavernard pai, Toinho, o Tavernard filho não canalizou sua criatividade apenas para a rentável arte que fez do seu pai o mais bem sucedido marceneiro de Areia Branca. Foi na pintura, misturando estilos realistas e impressionistas, que ele resolveu se expressar com mais vigor, e assim vem, há mais de meio século, se comunicando com tantos quanto sensibilidade tenham para apreciar sua arte.

Assim como fui leniente na preservação das obras de arte do seu pai, adquiridas pelo meu, também deixei que o descuido lá em casa levasse à destruição um quadro pintado pelo jovem Toinho Tavernard, retratando o casal Albertina e Clodomiro em uma época que talvez eu ainda nem fosse nascido.

Didiz e Zé Tavernard também produziram, como poucos em Areia Branca, outro tipo de obra de arte. Guiados pela maquinaria genética trouxeram ao mundo algumas das mais belas areia-branquenses que eu conheci. Uma família tão bela e que também se destacava na arte de fazer amigos. Na virada da década de 1950 para 1960, o grande “point” de Areia Branca era a casa da família Tavernard, não apenas por causa das suas beldades, mas também pelos picolés caseiros que dona Didiz fazia tão bem. Ainda criança eu costumava ficar com os trocos das compras que minha mãe me pedia para fazer durante o dia, para torrar tudo à noite naquele ponto de concentração de beleza e bem-estar social.

 

agosto 2019
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