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Lendo um texto de Carlos Alberto (Um Não Fala, O Outro Não Ouve), senti uma saudade com jeito de antiga do meu amigo Chico Novo, pessoa de alto astral, bom humor e aguçado senso criativo.

Não sei como conheci Chico Novo, apesar de um parentesco distante dos Avelino com minha mãe. A entrada triunfal de Manoel Avelino, seu tio, prefeito de Areia Branca, na Rua da Frente, conduzindo Mimosa, a cabra amada de dona Ester, para devolver à dona – Se ela fugir novamente, eu mandarei multar a dona da cabra -, falou ao entregar o animal a minha mãe, diz bem dessa relação. Imagina um prefeito, de paletó e gravata, entregando pessoalmente uma cabra à sua dona. Qual prefeito faria isso hoje?

Mas o fato é que Chico Novo era meu amigo. Eu tinha oito irmãos, mas ele era meu amigo. Juntos, participamos do inesquecível quebra-canela que fizemos próximo ao Cine Miramar, onde caiu um vendedor de sururu, que nos obrigou a lavar os mariscos um a um. E Chico morrendo de rir. Chico Novo ficava na Rampa olhando os meninos nadando em volta dos barcos dos beijus. É que sua mãe não o deixava tomar banho no rio, por ser filho único. Um garotão forte que prestava serviços em sua casa saía com ele, para garantir sua segurança. Chico dizia: Esse cara é forte. Ele abre o portão com a cabeça.

Visitando Areia Branca, no início década de 1970, encontrei-me com Chico Novo e juntos fomos a uma festa na praia de Upanema, montados em uma vespa que nos fora emprestada por Chico Cirilo, quando uma bela e jovem senhora ofereceu a Chico Novo a música que cantaria em seguida. Chico foi tomado de uma forte emoção, e tivemos que sair da festa para dormir na casa de Chiquinha de João Rodrigues.

Novamente me encontraria com Chico Novo em Brasília, pelos idos de 1973/74, quando passamos a dividir seu apartamento com outros dois amigos meus. Foi um período de farras e brincadeiras, difícil de esquecer.

Em família

Chico

Água MineralÁgua Mineral, Brasília

Um amigo de infância. Uma lembrança.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

A terra tem somente a Lua como satélite, enquanto Júpiter tem sessenta e três e Saturno tem sessenta. Olhando da Terra, nem imaginamos que a lua está a uma distância de 384.405 quilômetros de distância, a nos contemplar, silenciosa e bela, a reinar absoluta em torno desse lindo planeta azul.

A lua se afasta da terra três centímetros a cada ano, mas continua nascendo às dezoito horas e se pondo no dia seguinte às seis da manhã. Esta é uma visão um pouco técnica do nosso satélite. Fui atrás da visão dos poetas, sonhadores que são.

E descobri que há quem ainda enalteça a presença da lua cheia, quando aparece no meio dos coqueirais de Upanema, genérica, solta, sem medidas, refletindo sua luz na branca areia das praias e dos quintais. As noites de lua cheia têm o condão de evocar antigas estórias que falam de lobisomens e mulas-sem-cabeça, que nas  noites enluaradas rondavam pelos descampados, a mula soltando fogo no lugar onde deveria estar a cabeça, carregando o arrependimento por ter namorado um padre.

imagesFoto internet

O poeta, olhando a areia iluminada, em meio ao coqueiral de Upanema, consegue perceber um calango teimoso que, tomado de amor, insiste em subir e descer no velho Farol, atraído por seu brilho intermitente, acreditando ser sua luazinha particular. E lá vai o calango, representante de antigos dinossauros, novamente subindo na torre do Farol.

Convoquei alguns pensadores que participam deste blog para falar sobre o luar, e me vi diante de poetas em quarentena, neste momento corona de viver.

Jerônimo, nosso filósofo, comenta: Na calçada estava o menino deitado olhando maravilhado para a lua que brilhava no céu estrelado. As poucas nuvens formavam diversos desenhos. O menino via muitos carneiros, e até os contava; achava que os carneiros primeiro nasciam no céu, como aquelas nuvens, e depois se precipitavam para a terra, como as estrelas cadentes que ele encontrava na praia, coisa de criança. Minha avó dizia que na lua morava São Jorge, que lutava com o dragão, e naquele luar de Areia Branca dava para ver a figura do guerreiro montado em seu cavalo.E havia outros seres que a lua influencia. Ela falava que era comum, naquela época das lamparinas, as pessoas comentarem sobre os lobisomens (metade lobo, metade homem).

Aqui, a visão de Sônia, uma de nossas musas: A lua é mesmo uma das mais lindas paisagens vista da Terra. Nem todos dão o devido valor a esse astro, que recria a vida, inspira os poetas e nos reporta ao mundo dos sonhos. Ela também é responsável pelos efeitos da maré e, segundo nossos antepassados, influencia nos partos das mulheres e dos animais, na beleza dos cabelos e até na cabeça dos chamados “loucos”.

Dodora, a neta de dona Zefa, que hoje mora distante, nos incita a um passeio pela poesia, com seu sotaque carioca: Quando criança, eu também acreditava que São Jorge morava na Lua.Hoje, procuro me informar quando será a lua cheia.Moro perto da praia e não perco um dia de lua cheia.Levo a cadeira ,vinho, queijo, pão e bolachinhas, sento e fico esperando que ela venha a todos brindar com o clarão iluminando o oceano.

Lua, luar, lunático, aluado.

Lua azul, amarela, prateada, na cor da esperança.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Nós, meninos de Areia Branca, sabemos muito bem o que é correr pelos descampados de nossa meninice arrastando no céu um papagaio (pipa) e fazê-lo executar no céu diabruras semelhantes às que fazíamos em terra. E não se falava em cerol. Alguns garotos, em sua mais pura inocência, colocavam metade de uma gilete na ponta da rabiola, para assustar os concorrentes. Nunca vi um papagaio derrubado por uma dessas artimanhas. Nos meses de agosto o céu ficava tingido de pontos coloridos, serpenteando ao vento forte que vinha das várzeas.

Areia Branca mudou muito, como todas as cidades. Hoje, Areia Branca comemora sua emancipação política com um festival de Kite Surf, o KiteFest 2019.

Hoje, 19 de outubro/2010, a praia de Upanema estará repleta de pessoas, as idades a se misturarem junto com alaridos juvenis, relembrando os tempos dos pobres papagaios que ziguezagueavam pelas várzeas repletas de pirrixiu.

KITESURF

Os objetivos são desenvolver o turismo, o esporte e a economia do município, bem como proporcionar lazer às famílias de todas as latitudes, próximas ou distantes. Porque muita gente bonita virá. Vários estados já confirmaram participação nesse evento que, se houver interesse, poderá fazer parte de um calendário nacional.

Animando a festa, dois grandes shows acontecerão em um palco montado naquela área, e duas bandas estarão relembrando sucessos de hoje. A banda Paranoicos, de Areia Branca, executará um repertório diversificado, onde exaltará o melhor do pop rock nacional, com a excepcional cobertura do blog Costa Branca News. Na época dos papagaios, uma bandinha tocava nos intervalos dos filmes do Cine Coronel Fausto.

Que tal relembrarmos Manuel Bandeira? Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo. Quero apenas contar-te a minha ternura. Ah, se em troca de tanta felicidade que me dás, eu soubesse repor, eu te pudesse repor, no teu coração despedaçado as mais puras alegrias da tua infância.

 

Areia Branca, dos papagaios nas ruas e várzeas ao Kite Surf no mar de Upanema.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Criança que há em mim, faze os barulhos que encantaram meus dias de pequeno ser, para que eu não esqueça dos caminhos que aqui me trouxeram! Canta as músicas da minha infância, reinventa os ruídos das ruas da minha meninice. Sabe os xingamentos de Marciana? Vê se os repete. Recria os barulhos do rio Ivipanim, com seus barcos a vela a romper os silêncios das noites sob o sutil domínio da cruviana. Lembra do barulho das talhadeiras dos calafates abarrotando de sons a Rua da Frente? Mesmo que por um momento, faze retornarem as lembranças das noites de serração, com suas troadas aterradoras!

Lembra do ribombar dos trovões ao chicoteio dos relâmpagos, pros lados de Pedrinhas e Casqueira? Aqui no planalto central, ouvi o grito rouco de um tucano no alto de uma palmeira empertigada, sob os olhares cintilantes dos saguis, em uma manhã de domingo, provocando inveja em duas pitangueiras espraiadas, em sua prenhez de  flores, e em cujos troncos passeiam calangos desajeitados, trazendo à lembrança pequeninos dinossauros que se esgueiravam nos coqueiros de Upanema, deixando marcas nas dunas. Lá, como aqui, um jurassic world em miniatura. Ruídos benfazejos, os dois.

Criança que há em mim, lembra da gritaria da meninada empinando pipas nas várzeas, com o vento levantando nuvens de areia nos descampados do mês de julho? Relembro algo que já escrevi neste blog, somente para ti, menino que há em mim: Vento, quando fores brincar com as pipas dos meninos, seja nas várzeas poeirentas, nas ruas sem calçamento ou no Morro do Urubu, me leva contigo. Assim, sentirei o gosto da liberdade plena.

 Por fim, lembra da barulheira que havia na barraca de Zacarias, nossa Las Vegas na dimensão nano? Aqui, todas as formas de ruídos, vozearia, gritaria, alarido, algazarra, barafunda. Lembra da gritaria dos meninos da Rua da Frente, nadando em torno dos barcos dos beijus, pedindo para que eles atirassem mangas no rio?

Mas o ruído também se exaure. O silêncio nos observa de longe, e logo acampará em nós. Hora para reflexões. Que venham a calmaria, a quietude, a tranquilidade, o remanso, o sossego, a tranquilidade.

É assim que a vida pulsa.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

Chegamos a Areia Branca no final da tarde do dia 18 de maio de 2019. Depois de alguns dias de viagem, o desejo de caminhar pela beira da praia de Upanema. À nossa disposição, uma maré cheia se exibia inteira, parecendo esperar nossa visita.

À noite, por ser uma quinta-feira quase sem hóspedes, obtivemos a liberação de um passaporte para uma seresta improvisada na beira da piscina do Hotel Costa Atlântico, sem qualquer compromisso com os limites.

Seresta 1

Encomendamos uma panela de sopa feita na hora, abrimos nosso vinho trazido de Natal – e ainda no gelo – e a noite foi nada mais que uma criança, inocente e pura como nós.

Na beira da piscina, sob os eflúvios de um vinho tinto do Alentejo, Assis Câmara e Ivo promoveram um desfile de músicas dos bons tempos, acompanhadas pelo som de um plangente violão. Ao fundo, onde mora a escuridão, uma lua prenha de luz observava três setentões meio desafinados tentando replicar coisas do passado.

Seresta 2

Upanema. Encerramento da nossa romaria/2019 em grande estilo.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

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