You are currently browsing the tag archive for the ‘zé lúcio’ tag.

ToninhoZeLucioAssim ele era conhecido na Areia Branca dos anos 60. Não precisava do complemento, com o nome do pai. Não havia outro Toninho em Areia Branca, mas tínhamos esse hábito de associar o nome do pai ou da mãe aos nossos nomes ou apelidos. Era um menino bonito, de causar inveja e raiva aos menos afortunados pela genética apolínea. Como todos da nossa geração, primava pela elegância. Goleiro de encher os olhos de quem o via jogar, costumava usar, até mesmo nas peladas de rua, uma camisa de fio helanca com gola rolê. Uma década depois, Raul, goleiro do Cruzeiro, ficou conhecido como pioneiro dessa forma elegante de se uniformizar. Os repórteres esportivos da época não sabiam que um menino em Areia Branca era o verdadeiro pioneiro.

Final dos anos 60 saímos da juventude e de Areia Branca para trilhar caminhos da vida adulta. Os quatro filhos de Zé Lúcio, Dedé, Aristides, Toninho e Fernando foram para o Rio de Janeiro, cidade para onde também fui fazer meu curso de física na PUC. Não tivemos contato naquela cidade, a não ser por um breve e inusitado momento. Num domingo do início dos anos 70, na saída do Maracanã, onde fui assistir um jogo do Botafogo contra Vasco ou Flamengo, entrei num ônibus para a zona sul, com gente saindo pelo ladrão, ou como se dizia em Areia Branca, gente em banda de lata. Lá no outro lado do ônibus, vejo os filhos de Zé Lúcio. Foi aquela alegria típica de conterrâneos se encontrando em terras distantes.

Por entre a multidão que nos separava, nossos gritos tentavam em vão atravessar aquele ônibus que voava em velocidade alucinante. Entendi que eles moravam em Copacabana, e acho que eles entenderam que eu morava no Flamengo. Depois disso jamais nos encontramos.

Recentemente, Antônio José me falou do grave estado de saúde de Toninho. Não tive coragem de visita-lo nos últimos momentos de sua vida, certo de que as lágrimas me impediriam de dizer o que quer que fosse, como agora elas quase me impedem de compartilhar essas recordações.

Se isso pode servir de consolo, Antônio Lúcio Gois Neto descansou do sofrimento que a enfermidade lhe impingia.

Toninho de Zé Lúcio era um menino bonito. Na adolescência causava irritação na turma da sua idade, porque as meninas só tinham olhos para ele. Para muitos foi um alívio, um concorrente a menos, quando decidiu ir para o seminário, ser padre. Não demorou muito estava de volta. Chegou à conclusão que gostava mesmo era da vida mundana. Certa época era goleiro do nosso time de rua. Costumava se vestir elegantemente, mas naquele dia extrapolou todas as medidas do razoável. Íamos jogar não lembro conta quem, nem qual foi o resultado, nem se ganhamos ou perdemos. Tudo que lembro foi o espanto de todos quando Toninho apareceu com uma camisa de fio helanca, manga longa e gola rolê. Sim, senhoras e senhores, é isso que estou dizendo: camisa de fio helanca, manga longa e gola rolê. Depois dele, o único goleiro que vi se vestir assim foi Raul, que jogou no Cruzeiro e no Flamengo. Repito, Raul usou camisa de manga rolê depois de Toninho.

Como parte do meu ganha-pão vem das hipóteses que me atrevo a apresentar, vou largar mais uma: alguém falou para o Raul que em Areia Branca, um goleiro jogava com camisa helanca de manga rolê. Raul não titubeou, plagiou.

É fácil comprovar a hipótese. Basta ir a Curitiba e perguntar ao Raul. Ele é comentarista esportivo na terra de César Lattes e Jaime Lerner.

Aproveito o texto de Marcelo para dar meus depoimentos sobre a família Calazans. Sim, é no plural mesmo, porque o farei na forma de pequenos verbetes sobre alguns membros da famíla. Tenho laços familiares com essa família. Do ponto de vista genealógico são tênues, mas foram emocionalmente intensos. Aos 11 anos de idade meu pai foi morar na casa de Antonio Calazans e trabalhar no seu armazém, que ficava na rua da frente, próximo à igreja. Pelo menos era lá quando eu passei a freqüentá-lo, no final dos anos 1950.

Durante minhas andanças infantis pelas ruas em torno do jardim (a praça entre a prefeitura e a igreja), costumava dar um pulo na casa de D. Julinha. A impressão que eu tinha era que ela fazia bolo todos os dias. Sempre tinha um diferente e saboroso. O generoso pedaço, devorado com aquele prazer que só o manjar dos deuses provoca, era sempre acompanhado de um suco de lamber os beiços.

Lembro bem da campanha de Antonio Calazans para a prefeitura de Areia Branca. Em algum momento da campanha quase houve uma tragédia. Não sei bem a história, e meu pai não está mais aqui para contá-la, mas lembro que em certa noite papai pegou seu revólver e saiu zangado para a rua. Tinha havido um comício e muitas provocações. Os Lúcios do outro lado. Ao contrário do meu pai, fiz boas amizades com todos meus contemporâneos de sobrenome Lúcio de Goes. Os filhos de Antonio Lúcio, Zé Lúcio e Manoel Lúcio.

O casal Calazans teve muitos filhos, alguns belos, outros nem tanto, e por esses últimos, surpreende a observação feita por D. Julinha a respeito de Marco Aurélio.

Julieta, Jória, Jurineide, Toinho, Adário e Aldemir foram os que conheci, e sobre os quais falarei em futuras mensagens.

A partir da esquerda: Julieta, Toinho, Seu Antônio e D. Julinha.

agosto 2017
S T Q Q S S D
« jul    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Para receber as novidades do blog