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Estive pensando com meus botões. Ou melhor, com meu computador. “Se nós dois fôssemos escolher uma autoridade para representar o Brasil em uma reunião da ONU, em que estivessem presentes as maiores lideranças mundiais, quem seria essa pessoa? As exigências: tinha que ser alguém de lisura comprovada, capacidade de argumentação em nível de extrema sapiência, excelente grau de lisura, além da necessidade de uma postura moral e física capazes de nos encher de orgulho, quem escolheríamos?”. Meu amigo Mac OS X revirou, esforçou-se e não foi capaz de me dar uma resposta convincente.

Essas exigências foram seguidas com seriedade e tivemos, eu e o computador, muita dificuldade para eleger alguém com tais requisitos. Imaginei que seria uma tarefa quase impossível. E foi. Falta grandeza aos nossos pretensos líderes. Nosso representante tinha que estar fora do espectro das operações em curso que tentam, mesmo que tardiamente, passar o Brasil a limpo. Escolhamos, então, a Operação Lava Jato, Operação Juízo Final, Operação Zelotes (cinco fases), Operação Acrônimo, Operação Andaime II, Operação Pixuleco I e Pixuleco II, Operação Catilinárias, Operação Sangue Novo e Operação Asclépia. Na operação Asclépia a Polícia Federal investiga suposto desvio de verba que tem como centro o Hospital São Sebastião, em Santo Antonio do Amparo (MG) vinculado ao SUS, e envolve cinco cidades de Minas Gerais e uma do Ceará.

Ao final, eu e o computador constatamos algo de que já suspeitávamos. Aos que conseguiram escapar desses eventos da Polícia Federal, do Ministério Público e do poder judiciário, falta-lhes a grandeza que os elevaria à categoria de estadistas.

No contraponto, em Areia Branca dos anos 1950/1960 havia alguém de estatura moral e emocional a nos representar. Se alguma autoridade aportava na cidade, lá estava ele com seu garbo e sua altivez recepcionando a ilustre visita. Esse homem tinha plena aceitação da comunidade, apesar de não ocupar cargo público com indicação política. A cidade inteira sabia de sua capacidade de manter em nível elevado qualquer que fosse o assunto em pauta.

Quando garoto, tive o privilégio de trabalhar em seu consultório, onde aprendi, além de alguns cuidados odontológicos básicos, algo muito mais valioso. Tive contato com um homem digno, íntegro, elegante em casa, no trabalho e na vida social.

Dr. Vicente de Paula Gurgel Dutra, o nosso embaixador nas décadas de 1950 e 1960.

Alguém discorda?

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Esta reunião foi próximo ao Tirol. Veja a balaustrada.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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De repente, à nossa frente, uma foto datada de 1957 ou 1958. Nela, as figuras bonitas de boa parte das autoridades da cidade. Aqui, perfiladas, observamos pessoas influentes, personalidades de destaque. Esta foto, por ser corporativa, não contempla todas as pessoas influentes da cidade. São funcionários do Sesi.

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Percebe-se a ausência de outras pessoas igualmente influentes daquela época, como Julieta Calazans, Olga Brasil, José Brasil, José Tavernard, Dr. Gentil Fernandes, para citar algumas. Sabemos que esta é uma foto corporativa, mas não deixa de ser emblemática, por destacar a importância das pessoas que representavam a sociedade civil.

O Sesi de Areia Branca congregava boa parte dos melhores profissionais da cidade, desde os diretores, os coordenadores e os profissionais de cada área fim. Ali eram desenvolvidas atividades culturais, cursos dos mais diversos tipos (corte e costura, artesanato, gastronomia) destinados à melhoria de vida das pessoas, em especial das mais carentes. O Clube do Sesinho era apenas mais um dentro de um leque de opções. Nestes casos, bastava ter interesse e se inscrever. Apenas isto.

Contextualizando, naquela época, a Rua do Meio exercia sua influência de espaço sofisticado, com calçamento de carago, e o Cine Coronel Fausto funcionava como cineteatro. A Rua da Frente dominava o comércio da cidade, com um grande movimento de trabalhadores das barcaças e das lanchas, além de fornecedores de mercadorias e serviços. Por ser um porto, ali circulava uma fauna própria de bêbados, biscateiros e desempregados.

No alto da Rua da Frente, a enigmática imagem do Tirol conferia um ar bucólico e acolhedor àquela área, certamente um dos melhores locais para se morar; hoje, uma imagem de escombros e abandono. Ao lado, a pracinha do pôr do sol compunha um conjunto muito utilizado por Antonio do Vale – Toinho do Foto – para suas fotografias históricas que tanto valorizamos. Lembro que o Tenente Durval, símbolo de dureza e ordem, residia na esquina da pracinha. Pertinho dali ficava a bodega de Antonio Calazans, uma das mais bonitas da cidade. No outro extremo da Rua da Frente, a usina de luz e a prainha de Zé Filgueira eram os elementos fortes da paisagem.

Fotos de nossa infância, reflexões de hoje. Ah, não há políticos oficiais nestas fotos.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Ricardo Dimas, neto de Seu Dimas Ramos, não nasceu em AB, mas tem uma memória e uma saudável nostalgia dignas de um filho da terra. Tudo isso fruto de suas visitas durante as férias escolares da sua feliz adolescência. O comovente relato a seguir, alinhavado em texto de alta qualidade, tem valor histórico e sentimental merecedores de leitura por quem já passou dos 50 anos, para lembrar e deixar lágrimas correrem, e por quem tem menos de 40 para continuar com o pé na terra natal. Não tenho dúvida, esse texto vai tocar no coração de todos. Fica aqui meu registro pessoal: lamento profundamente não ter podido acompanhá-lo nessa viagem. (Carlos Alberto).

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Crônica de Francisco Rodrigues da Costa (Chico de Neco Carteiro), publicada no jornal Gazeta do Oeste, em 9/9/2010.

Acredito que toda criança, quer nascida ou não na cidade em que viveu, guarde na memória os seus becos, ruas e esquinas. Por mais importante que se torne quando adulta, suponho que não os esqueça. Fernando Pessoa, por exemplo, não lembraria os de sua Lisboa encantadora? De Salamanca, por Miguel de Unamuno idolatrada, ele os olvidaria? Qualquer um dos dois Alexandre Duma conheceria, certamente, os de sua romântica Paris.

E Castro Alves, o condoreiro abolicionista, de sua memória jamais se apagariam as esquinas da Bahia, onde tanta poesia cantou.  Carlos Lacerda que, em cada esquina procurava um presidente para depor, na sua cachola tinha desenhados todos os becos e esquinas da Cidade Maravilhosa.

Deixemos os que já partiram desta vida. Vamos a São Paulo. Fico imaginando a Mogi das Cruzes, do meu amigo Mario Silveira. Mogiano até a medula, será que ele esqueceu a esquina da Cel. Souza Franco, ou a da Senador Dantas? Garanto que não, como viva na sua cuca está a esquina da Livroeton.

Vamos dar uma voltinha aqui mais perto da gente: Por Osair Vasconcelos boto até a mão no fogo, sem receio de chamuscá-la, como carrega no pensamento a esquina da Rua do “gango”, ou daquela rua que servia de marco para as duas turmas dos meninos guerreiros. Nenhum garoto, de um dos bandos, a atravessaria, sob pena de haver um tremendo quebra-pau. Isso acontecia na inesquecível Macaíba de Osair.

O diabo é quem discute com Paulo Balá. Este, além dos becos ruas e esquinas, tem vivo na lembrança um punhado de curral de Acari de sua meninice! Conhece tudo sobre a terra do ex-Cardeal dom Eugênio Sales.

E o que dizer de Manoel Onofre, “de camisa aberta ao peito, pés descalços e braços nus”, em suas andanças, esqueceu os da sua Martins de clima agradável? Du-vi-d-o-dó.

E Aluízio Alves Filho? A memória lhe traiu a ponto de esquecer o estádio Juvenal Lamartine, na Hermes da Fonseca, ou o Café São Luiz, na Rio Branco? Não! Estas duas avenidas da cidade do Natal, que destoam do título deste texto, estão fixas no quengo de Aluízio; exemplo de pai e avô e um grande saudosista natalense.

Afinal, chego aos becos, ruas e esquinas de Areia Branca. E inicio pelo beco mais famoso, cuja popularidade ultrapassou os limites da cidade: o Beco da Galinha Morta. Também muito falado, foi o “Beco do Panema”, que deixou de existir quando o libertaram das cercas que o ladeavam. Um prêmio para o professor Wilson de Moisés, se souber o nome do beco onde dr. Vicente Gurgel Dutra tinha seu consultório dentário; também já não existe; desapareceu com a demolição daquele quarteirão que ia da esquina da Mossoró Comercial à esquina da oficina do “Ferreiro”, avô de Naldinho.

Outro beco, que nem nome tinha, iniciava na esquina do bar de Clodomiro, na Barão do Rio Branco, terminando na Travessa dos Calafates. [Como indica a placa, hoje o beco tem nome: Rua Padre Afonso Lopes. A foto é uma cortesia de A.F. Miranda. Nota do Editor]

E por falar em esquina, a da loja de Pedro Leite dando a frente para a Rua Cel. Fausto, e o oitão para a antiga Almino Afonso. A esquina do Conselheiro Brito Guerra, na Rua do Progresso com a antiga Getúlio Vargas; a esquina da loja de Pedrinho Rodrigues, na Rua Barão do Rio Branco com a Rua da Frente.

A esquina da casa de Caboclo Lúcio, de frente para esquina da casa de Manoel Bento, ambas na Rua Cel. Fausto.

A esquina do Sindicato dos Estivadores na Rua Almino Afonso com a Rua de Trás, que era Silva Jardim e hoje é Francisco Ferreira Souto. A esquina do antigo clube Democratas na Rua Cel. Liberalino com a Travessa dos Calafates. A esquina do Sindicato dos salineiros na Machado de Assis, com a Rua Joaquim Nogueira.

Muitos becos, ruas e esquinas não foram citados aqui, mas ficam guardados no cofre de minhas saudades para outra convocação.

Meu pai tinha uma forma bastante rígida de educar os filhos. Não sei bem se porque considerava o ensino em Areia Branca muito deficiente ou se desejava que tivéssemos um aprendizado diferenciado, o fato é que ele complementava as aulas que recebíamos na escola. Diariamente nos passava lições para estudar e à noite era a hora de “tomar a lição”, ou seja, verificar nosso aprendizado. Isso era rotina diária. E ai de nós se não estivéssemos com as lições na ponta da língua. Hoje conseguimos ver tudo isso com outros olhos, mas na época a aproximação da hora da lição era precedida de ansiedade e medo de não acertarmos todas as perguntas.

Mas durante a semana às vezes havia um “refresco”, uma folga, um dia sem esta prestação de contas. Era quando os amigos se reuniam em casa para jogar baralho. Lembro que faziam parte da turma do Poker Sr. Sérvulo Araújo, Sr. Jofre Josino, Dr. Dimas Pimentel, o Cônego Ismar. Nestes dias era uma alegria total, uma vez que enquanto jogavam nós podíamos ir brincar na rua.

Nossa vida era simples e nossa felicidade era proveniente desses momentos de descontração e lazer. Bons tempos aqueles…

outubro 2017
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