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A primeira vez que assisti ao Projeto Pôr do Sol fiquei maravilhado com a ideia. A participação das pessoas e a beleza do pôr do sol, visto pros lados de Tibau, nos leva ao nível do encantamento.

Era uma tarde de sexta-feira, e estávamos no hotel em Upanema quando alguém nos avisou: Vai haver música lá no Marco Zero. Pedi que me explicasse melhor. Chave do carro na mão, logo estávamos no rumo da igreja matriz. O sol iniciara sua descida no canto do mundo, como em uma brincadeira de esconde-esconde. O vento forte ameaçou presença, mas errou o caminho e se perdeu no rumo de Mossoró, deixando-se levar por nuvens sem compromisso com a verdade.

Chegamos no início, ainda nos acordes pré-termo, e nos encantamos com o show de música e entretenimento ali apresentado, em especial a seleção de MPB. Ali, a confirmação viva do apoio da comunidade e do pároco, em uma sintonia que lembrou os tempos de padre Ismar.

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Por se tratar de um programa desenvolvido pela prefeitura, fica o temor de que a próxima administração decrete o encerramento de mais uma boa inciativa.

Projeto Pôr do Sol. Uma boa ideia aguardando maior engajamento da sociedade. Que não seja como esta belíssima e gigantesca flor do baobá, que só desabrocha a cada 50 anos.

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O turismo agradece.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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O Tirol era um equipamento comunitário que, desde o início, incorporado à vida dos moradores de Areia Branca, assumiu status de atração. Uma celebridade, se humano fosse. As pessoas chegavam e saíam de barcos e lanchas, tendo o Tirol como ponto refinado para embarque e desembarque. Aqui, com seus trajes de turista – homens vestindo calça de mescla ou brim coringa ou, com um porte garboso, exibindo um terno bem passado. Na cabeça, um elegante chapéu selava uma época em que as pessoas se comportavam com uma elegância e um garbo que hoje nos faltam.

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A Praça do Pôr do Sol trazia consigo uma aura de paz que forçava as pessoas a pararem, fosse chegando ou saindo do Tirol. Pequenina, localizava-se em um recanto bucólico, porém com ar de nobreza, e trazia consigo o encantamento que aproximava dois pontos: o ficar e o relaxar.

O manguezal em frente, a visão de Porto Franco à esquerda, o descortino da torre da igrejinha de Barra um pouco à direita e, forçando a visão mais para a direita, a igreja matriz se apresentava inteira à nossa contemplação.

Carl Alb 2013Foto Carlos Alberto

Maquete

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Praça do Pôr do Sol e Tirol. Uma dupla dinâmica riscada do nosso mapa.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Para os estudantes: Nesta locução, o pôr é verbo (o sol está se pondo), então devemos escrever Pôr do Sol (com acento).

Aqui, quando falo dos meninos da Rua da Frente, estou me referindo apenas àqueles garotos que moravam naquele trecho entre a igreja, descendo até onde havia uma barbearia, na esquina.

Quantos meninos e meninas moravam naquele trecho, hoje deteriorado e sem um único morador? São apenas trabalhadores do cais e servidores de algumas empresas ligadas ao transporte marítimo.

Havia os filhos de Chico Lino e dona Antônia (Horácio, Pedro, Aparecida e Maria Antônia), as duas filhas de Zé de Quincó (Edna e Margarida), os filhos de Ester e José Silvino (José Maria, Mauro, João, Eraldo, Evaldo, Francisco, Ivo, Isabel e Ana Maria), o filho de dona Hilda e José Leonel (Haroldo, o menino que queria ser paraquedista), os dois filhos de seu Josa (Bezinho e Vavá), as três filhas de Valdemiro e dona Noêmia (Valdeme, Luzia e outra de cujo nome não lembro), os filhos e netos de seu Izídio, os filhos de dona Branca (Tututa, Lázaro e Petinho).

Esses eram os meninos e meninas da Rua da Frente, a que me refiro com frequência. Total de 29, e incluía gerações diversas, muitos dos quais não brincavam com a gente. A idade das crianças que participavam de nossas brincadeiras variava de 10 a 12 anos.

A esse grupo dos meninos da Rua da Frente juntavam-se outros garotos, como Quiquico e Dedé Sodré, filhos de Lauro Duarte. Dedé de Zé Dantas, apesar de ser considerado rico, sempre participava de nossas brincadeiras, como Ivo, filho de Chico Germano. Toinho Quixabeira era outro que vez por outra participava de algumas brincadeiras de rua, tipo rodar pião e bater bola. Saiu de Areia Branca para se tornar ator. A amizade de Chico Novo era comigo, não com o grupo.

Traquinagens no rio Ivipanim, futebol na rua, jogos de pião, empinar papagaio, banhos de chuva, pescar no Tirol à noite, raramente.

Essa era a nossa pauta.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

De cara com o Ano Novo. De frente pro Marco Zero. Dois eventos, um fixo, que será brevemente conhecido, o Marco Zero. Outro, no domínio do etéreo, do por vir; o Ano Novo, com sua carga de incertezas.

Festa de Nossa Senhora dos Navegantes de 2016. Depois de 45 anos, o retorno à cidade em que nascera. Fixou o olhar na igreja e por um segundo vislumbrou a pracinha de sua meninice, que o tempo não conseguira alterar. Tantos anos ausente de Areia Branca e, olhando para a pracinha, uma constatação. Estava diferente. Não no formato, que ainda é quase o mesmo, mas na aura que dela emana. É que, em sua mente, congelara a imagem de uma praça luminosa, viva, com um coreto no centro, onde sabia haver assistido a algumas manifestações culturais, mesmo não lembrando o quê.

Pracinha

E uma pergunta irrompeu em silêncio, formatada pelas notícias que lera sobre Areia Branca: Onde fica o Marco Zero? E por que marco zero? Logo saberia. Fica do outro lado da igreja, em frente à torre de onde saíam as badaladas do sino que, nas domingueiras manhãs de sua infância, atraíam sua mãe para as missas conduzidas por padre Ismar. Ele, pequenino, sempre estava junto.

No patamar da igreja, contemplando o mesmo manguezal de suas peraltices no rio Ivipanim, perguntou-se: Por que o marco zero logo aqui na beira do cais, ao lado da Rampa? É porque Areia Branca nasceu aqui –, respondeu o silêncio, para em seguida arrematar: A primeira igrejinha da Vila de Areia Branca foi erguida pelo povo exatamente aqui, no século XIX.

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De imediato, lembrou-se da imagem de um grupo de motociclistas de Brasília, a maioria composta por advogados que, justo aqui, agradeciam e comemoravam a conquista dos caminhos ensolarados que os levaram de Fortaleza a Mossoró e da capital do oeste saíram no rumo da esquina do mundo, sem que acontecesse um único acidente. De frente para o marco, sua curiosidade era saber o que ali estava escrito.

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Na placa de concreto, informações básicas sobre a cidade. Em sua mente, muita coisa por ser vista. Afinal, estava de volta à terra de sua meninice, e sua mente fervilhava.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

No ano de 1957, há exatamente sessenta anos, as Festas de Natal na cidade de Areia Branca tiveram uma característica comum a todos os anteriores: aconteceu sem pompa, sem festas ou qualquer movimentação fora da curva.

Nos natais de Areia Branca, além da movimentação entre as famílias, parece que apenas a igreja se movimentava para lembrar às pessoas que no dia 25 do mês de dezembro alguém muito importante aniversaria.

O prefeito de Areia Branca era Francisco Brasil de Góis, que sucederia a Manoel Avelino. O zelo pela coisa pública era tão arraigado em sua administração que ele ameaçou de demissão o tesoureiro, caso ousasse prorrogar, por qualquer motivo, a data de pagamento dos servidores municipais.

No Brasil, no início do ano de 1957, uma grande movimentação de máquinas, equipamentos e homens dava partida para uma grande e maravilhosa epopeia: a construção da nova capital do Brasil em pleno planalto central, no interior de Goiás.

Em março, Bélgica, França, República Federal da Alemanha, Luxemburgo, Itália e Holanda assinam, em Roma, os tratados que instituem a Comunidade Econômica Europeia (CEE).

No mês de julho, Pelé estrearia na Seleção Brasileira de Futebol, aos 16 anos, e marcaria um dos gols da partida da Copa Rocca contra a Argentina, no estádio do Maracanã, inaugurado havia 7 anos.

No dia primeiro de outubro, o presidente Juscelino Kubitscheck sancionava a lei que fixava a data da mudança da nova capital federal para Brasília.

No mês de agosto, morria Washington Luiz, ex-presidente do Brasil, que seria o último presidente da República Velha. No poder, viu-se desprestigiado, mas não dava sinais de que renunciaria. Frente ao impasse, chefes militares do Exército e da Marinha depuseram o presidente, instalaram uma junta militar que em seguida transferiu o poder para Getúlio Vargas, que governou o Brasil de forma provisória entre 1930 e 1934 (Revolução de 30), período este chamado Governo Provisório. Lembremo-nos de que Getúlio se suicidou em 1954, também no mês de agosto.

Finalmente, era Noite de Natal. A maioria das crianças da cidade não tinha uma ideia do real significado daquela data. Quando muito, a comemoração naquela noite se restringiria a uma reunião em casa, com o núcleo da família.

No dia seguinte, as crianças de famílias com melhores condições financeiras iam para as calçadas ostentar seus presentes de um Papai Noel ainda desconhecido da maioria dos meninos e meninas, em especial daquelas com muitos filhos, como a minha. Mas eu enfrentava a concorrência segurando meu balão colorido, desses de festas de aniversário, com a inocência típica da idade.

Pros lados da Ilha, no meio da tarde, o som de um velho sax animava algum salão distante, nas valsas, provocando o rodopio das meninas tentando alegrar rapazes acanhados, desprovidos de coragem para encarar uma contradança.

Assim eram os Natais de Antigamente em Areia Branca.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

janeiro 2018
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