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Ultimamente ando pensando nos quintais da minha meninice. Sempre gostei de conhecer quintais. E fiquei com esse pensamento represado. Seriam os quintais de hoje, aqui no planalto central, parecidos com aqueles da minha infância em Areia Branca?

No feriado do dia primeiro de maio, em conluio com um sol bem brasileiro, saí pelo quintal em busca de uma resposta. As formigas são as mesmas, com suas casinhas sempre arrumadas? E uma dúvida que agora se apresenta: Onde moram  os calangos que a toda hora passam à nossa frente em disparada? E os saguis que hoje nos espionam do alto de uma goiabeira, com aquelas carinhas de máscaras antigas?

Com essa ideia na cabeça, segui os passos de um calango pesado, animal que nos leva de volta ao mundo dos pequenos dinossauros. Acompanhei-o por um bom tempo, enquanto o mini dinossauro tentava me enganar em sua fuga. Logo ele desapareceria. Assim, sem que eu percebesse.

Tentei encontrar outro calango, mas nenhum apareceu para que eu continuasse minha observação. Nessa busca, deparei-me com verdadeiras edificações, onde centenas de elementos do reino das formigas trabalhavam forte, carregando em seus ferrões fragmentos de folhas bem maiores que elas. O ritmo era frenético, em um entra e sai incansável. De repente, saiu uma formiga soldado e fez uma varredura em torno do formigueiro. Retornou para sua casa, deu algum sinal da entrada e o entra e sai das formigas operárias recomeçou.

No mundo das formigas havia casas de muros altos, verdadeiras fortalezas, assim como outras no nível do chão, sem demonstrar preocupação com a segurança do grupo, que era extenso.

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Aqui, um condomínio gigante. Não dava para ver seus moradores, mas soube por algumas formigas que aquela moradia pertencia a um grupo de cupins da terra, metidos a bacana. Condomínio fechado.

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Revisitei a casinha-iglu das mini vespas, que eu sabia vazia. Elas saem de casa e na próxima estação constroem outra.

28-01-2018

Ao final daquela empreitada, descobri que o calango que eu perseguia se asilara em umas frestas nas pedras. Que os saguis vivem no alto das árvores, sem local demarcado, e que as formigas trabalham nos feriados nacionais.

Para coroar minha busca, uma esperança– louva-deus -apareceu e ficou junto de mim, em genuflexão.

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

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Sentado em meu escritório, interessei-me por um texto que, ao acaso, encontrei na internet. Nele, o professor Dagoberto José Fonseca, docente da Faculdade de Ciências e Letras, Campus UNESP/Araraquara, discute a questão da escravidão e o tráfico de grandes contingentes populacionais de africanos para diversas partes do mundo. No comentário, o estudioso demostra que não houve uma escravidão, mas distintos processos de expropriação sistemática de um homem sobre outro e de uma sociedade sobre outras. Houve escravidões conduzidas por alianças construídas comercialmente, entre grupos autóctones e estrangeiros.

O professor Dagoberto José comenta ainda que a imposição chegou ao ponto dos conceitos ideológicos adotados pelo colonialismo e pelo neocolonialismo atribuírem ao africano as marcas da inferioridade, da infantilidade e da incapacidade de gerir a própria existência social, política, econômica, cultural, mediados pela paz e não pelos conflitos antigos.

Passava da meia noite. Sob os efeitos de um vinho branco, e tendo à minha frente uma máscara africana antiga, adquirida em São Paulo em uma feira internacional de artesanato, fui tomado de uma estranha sensação de iminente arrebatamento.

De repente, imaginei ter ouvido um gemido raspado, gutural, vindo da parede em frente. Levantei o olhar um pouco acima do computador e tive a sensação, quase certeza, de que aquele ruído estranho viera daquela máscara que me encarava de frente. Nela, o belo rosto de uma princesa pertencente a uma tribo perdida em algum ponto do continente africano de repente pareceu mexer-se. E, tal qual um eflúvio, transfigurara-se em minha direção, sem se deter com minha cara de puro espanto, em uma atitude de provocação.

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Naquele momento, uma imagem da infância em Areia Branca fluiu em minha mente, imagino que para me acalmar. Era a parede branca do quarto de Haroldo, meu vizinho da Rua da Frente, justo o menino que queria ser paraquedista. É que em um dia de Natal Haroldo entrou correndo em minha casa nos chamando para ver as marcas dos pés de Papai Noel na parede do seu quarto, quando ele ali estivera durante a madrugada. Na cama, um presente deixado pelo velhinho. Acho que exagerei nas taças do vinho, pensei.

Pelo sim pelo não, no dia seguinte, um sábado marcado por extensos nevoeiros que encobriam boa parte de Brasília,  um destino final àquela máscara. De longe, na parede da mansão das máscaras, uma olhada para trás e a sensação de que um olho triste piscava para mim.

Máscara de uma princesa africana. Hoje, fazendo parte do acervo pessoal de um  amigo colecionador, este sim, senhor de todas as máscaras.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Instituídos pelo Decreto 19.890, de 1931, este exame entrou na onda da Reforma do Ensino Secundário. Esse decreto determinava, para ingresso no primeiro ano do curso ginasial, a obrigatoriedade de aprovação em exame e obter classificação suficiente, isto é, o número de vagas na instituição deveria ser suficiente para efetuação da matrícula. Para se submeter ao exame, o estudante não poderia ter menos de onze anos de idade. O Exame de Admissão, por seu caráter seletivo, marcaria um período histórico de restrição no acesso ao ginásio, e perdurou até 1971.

Esse decreto foi assinado por Getúlio Vargas, que governou o Brasil de forma provisória entre 1930 e 1934. Em 1934 o próprio Getúlio foi eleito presidente constitucional do Brasil pela Assembleia Constituinte, com mandato até 1937. Porém, através de um golpe que teve apoio de setores militares, permaneceu no poder até 1945, encerrando assim o período conhecido como Estado Novo.

O aluno, depois dos quatro anos do curso primário, poderia fazer um quinto ano ou submeter-se ao Exame de Admissão, com conteúdos de Português, Aritmética, Geografia e História do Brasil. O exame de admissão funcionava como forma de restrição ao acesso, quando o Estado não conseguia oferecer vagas suficientes para todos os que concluíam o primário.

Em Areia Branca dos anos 1950, o Exame de Admissão representava uma difícil barreira a ser vencida pelos estudantes mais pobres, que desejavam continuar na luta pelo seu desenvolvimento pessoal. Lutavam, de forma desigual, com alunos de escolas particulares por uma vaga no Curso Comercial Básico, que funcionava à noite no Grupo Escolar Conselheiro Brito Guerra. As famílias com melhores condições financeiras enviavam seus filhos para estudar fora.

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Onde entra o nó Górdio nessa história? Foi na Frígia, província romana da antiga Anatólia, atual Turquia, que um camponês de nome Górdio foi coroado rei e, para não esquecer o seu passado humilde, colocou no templo de Zeus a carroça com a qual ganhara a coroa. E amarrou a carroça a uma coluna com um nó impossível de ser desatado.

Górdio reinou por muitos anos e, ao morrer, seu filho Midas – que transformava em ouro tudo que tocava – assumiu o trono. Midas não teve filho, e ao falecer ficou decidido que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor.

Quinhentos anos se passaram sem que alguém conseguisse realizar esse feito, apesar de sucessivas tentativas de algumas pessoas. No ano de 334 a.C., o jovem Alexandre ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Ficou intrigado, e pediu para ser levado até o templo de Zeus para observar o nó de Górdio. Pensou, analisou e, de súbito, sacou sua espada e cortou o nó. Assim não vale, disse alguém. E por que não? Era apenas uma solução nova para um problema antigo. O Grandefoi um epíteto juntado ao nome de Alexandre.

Exame de Admissão ao Ginásio. Um nó Górdio à brasileira com quarenta anos de duração.

Muitos ficaram pelo caminho, desistindo frente àquele desafio.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Bizarro é a característica do que é estranho, grotesco ou incomum. É assim que o Dicionário Online de Português conceitua esta palavra, adjetivo que é.

Em Areia Branca, na atualidade, considero duas estruturas, ambas construídas com o dinheiro do povo, às quais se pode acrescentar o adjetivo bizarro,por sua estranheza.

O mercado público atual, que fica ao lado do antigo e charmoso Mercado Público de nossa meninice, embora seja revestido de cores vivas e chamativas, poderia ter sido construído de forma mais simples, mais objetiva, oferecendo melhores condições para quem ali trabalha e aos consumidores que para lá se dirigem. Some-se a isso o agravo imperdoável de fechar no meio uma das melhores ruas da cidade, impedindo a passagem das pessoas e dos veículos.

A segunda estrutura é aquele monstrengo que ocupa o lugar da antiga pracinha do Tirol. Inacabado, sem utilidade, sem perspectiva.

Tenho em mãos duas fotos, a primeira feita por mim em São Miguel do Gostoso durante a festa em que comemoramos 45 anos de formados. Veja a estranheza deste arranjo.

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A segunda vem de um parque infantil na cidade de Petrolina-PE. Veja que esse escorrego termina bruscamente, deixando um espaço livre, de uns quarenta ou cinquenta centímetros, entre a ponta do escorrego e o chão duro. Agravante: o piso é calçado com tijolos de cimento. Tem tudo para provocar um trauma na coluna das crianças. É escorregar e se machucar.

Parque

Bizarrice, algo estranho em qualquer lugar.

Em Areia Branca, construções com o dinheiro do povo.

Nos outros dois casos, apenas a falta de bom senso.

Não sei onde esta foto foi feita

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EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

 

 

Não tenho o dom nem o nível de conhecimentos de genealogia do nosso amigo Gibran Araújo. Se assim fosse, tal qual ele o fez quando tratou da família Calazans em uma de suas crônicas neste blog, iniciaria este texto referindo-me à origem da família, no início do século XX, em terras de São Fernando, assim como todo o emaranhado de nomes e sobrenomes que formaram essa família tão querida dos areiabranquenses.

Mas falarei dos que conheci quando criança. Julieta, que ajudou meu irmão João a transferir seu trabalho no Sesi de Areia Branca para Natal, quando nos mudamos. Já falei do incansável trabalho que Julieta desenvolveu no Sesi, e de sua ascenção profissional e técnica que todos conhecemos, baseada em seu esforço pessoal.

Jória é uma criatura doce e interessada nos meandros da cultura da nossa cidade. Foi Jória quem me permitiu entrar na casa de seus pais, há alguns anos. Um doce sonho de infância concretizado. Fui da Rua do Meio ao Beco da Galinha Morta por dentro da casa, visitando seus cômodos e seu quintal.

Jurineide foi a mulher mais bonita que Areia Branca já viu, quase todos estão de acordo. Quantas vezes passei em frente àquela casa da Rua do Meio, vizinha à casa de Dr. Vicente, com destino ao Cine Coronel Fausto e, de soslaio, dava uma olhada tentando avistar Jurineide, fosse sentada na calçada ou mesmo de longe, circulando perto da casa.

Também conheci Adário. Mas foi Toinho Calazans que melhor conheci. Era meu padrinho de crisma, junto com Vilani, filha de seu Assunção Barbeiro. Em uma de nossas conversas ele me contou que havia rolado um namorico entre os dois, por conta do meu apadrinhamento.

Toinho Calazans era uma pessoa agradável, preocupado com as coisas de Areia Branca. Em agosto de 1981 estávamos eu, Mauro e Zé Maria em Areia Branca e avistamos Toinho. Ele veio sorrindo nos abraçar e depois demos uma volta pelas salinas, conversamos, rimos muito e, como crianças, subimos em uma pirâmide de sal. Aquela foi a última vez que o vi.

Arquivo Escaneado

Arquivo Escaneado 4Eu era o fotógrafo

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituo Histórico e Geográfico do RN

maio 2018
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