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O Tirol era um equipamento comunitário que, desde o início, incorporado à vida dos moradores de Areia Branca, assumiu status de atração. Uma celebridade, se humano fosse. As pessoas chegavam e saíam de barcos e lanchas, tendo o Tirol como ponto refinado para embarque e desembarque. Aqui, com seus trajes de turista – homens vestindo calça de mescla ou brim coringa ou, com um porte garboso, exibindo um terno bem passado. Na cabeça, um elegante chapéu selava uma época em que as pessoas se comportavam com uma elegância e um garbo que hoje nos faltam.

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A Praça do Pôr do Sol trazia consigo uma aura de paz que forçava as pessoas a pararem, fosse chegando ou saindo do Tirol. Pequenina, localizava-se em um recanto bucólico, porém com ar de nobreza, e trazia consigo o encantamento que aproximava dois pontos: o ficar e o relaxar.

O manguezal em frente, a visão de Porto Franco à esquerda, o descortino da torre da igrejinha de Barra um pouco à direita e, forçando a visão mais para a direita, a igreja matriz se apresentava inteira à nossa contemplação.

Carl Alb 2013Foto Carlos Alberto

Maquete

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Praça do Pôr do Sol e Tirol. Uma dupla dinâmica riscada do nosso mapa.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

Para os estudantes: Nesta locução, o pôr é verbo (o sol está se pondo), então devemos escrever Pôr do Sol (com acento).

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Esse trecho da Rua da Frente é uma área pouco visitada pelas pessoas de outras ruas. Trata-se, na verdade, de uma região diferente, mais calma, com uma igreja no início e o Tirol e a Praça do Pôr do Sol fechando o quadrilátero na outra ponta.

A parte de cima da Rua da Frente sempre perdeu para a parte de baixo quando o quesito é movimento, agitação. Em compensação, sempre levou muita vantagem no item charme e elegância. Essa dualidade me lembra aquele poema fescenino de autoria de Dr. Milton Ribeiro, A Bufa, que também se encerra na tentativa de esclarecer uma dualidade: Ganhando em cheiro o que em som perdeu, quem no cinema ou na igreja uma bufinha já não deu?

Saindo da igreja, confesso desconhecer quem é o morador desta primeira casa. Na segunda casa mora dona Cota, mãe de Manoel Avelino, que já foi prefeito. Na sequência, a bodega de Antônio Calazans, seguida de uma casa bonita, embora pequena. Aqui fica uma agência do Loyd Brasileiro. Nessa esquina funciona uma pensão, na casa onde morava o tenente Durval, que foi delegado da polícia. Era o terror dos foras da lei. No final da Rua da Frente, como que compondo o que em Brasília seria uma ponta de picolé, duas empresas de peso: a Mossoró Comercial e F. Souto.

Essas casas que ficam por trás da Praça do Pôr do Sol são o que há de charmoso e de ar pastoril em Areia Branca. Ficam aqui, protegidas por essas árvores, como que paradas no tempo, com aura de passado. É um dos lugares mais bonitos da nossa cidade.

Praça do Pôr do Sol hoje

Aqui na frente, duas estruturas que realmente tornam este lugar elegante, com ar bucólico e cheiro de saudade: o Tirol e a Praça do Pôr do Sol, aquela defronte a esta, as duas se misturando em um único encantamento. Parece até que uma não existiria sem a outra. Este local exerce um verdadeiro fascínio em mim. Às vezes penso que venho pouco aqui para não gastar minha dose de fascínio.

Fico por aqui. Vou sentar neste banco e assistir ao desembarque dos passageiros que estão chegando em uma lancha que acaba de atracar no Tirol. Esse som que vem dessa casinha branca tem tudo a ver com este momento. É a trilha sonora do filme Assim Caminha a Humanidade, recém lançado. O cais à frente, com o Tirol, é o cais da espera, que acolhe e dá abrigo. Vou ficar mais tempo aqui.

Foi uma das minhas últimas satisfações ao visitar aquele local.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

Há alguns anos havia aqui um equipamento comunitário belíssimo chamado Tirol, que ruiu sob o furacão do abandono e do desprezo. A cidade pulsava no Tirol, com os passageiros chegando de Grossos ou retornando depois de um dia de negócios em Areia Branca. No portar-se e no vestir, a marca de uma elegância também varrida pelo tempo.

Praça do Pôr do Sol e Tirol

Há alguns anos havia aqui um equipamento comunitário maravilhoso, utilizado pelas pessoas que saíam ou chegavam ao Tirol. Fosse de passagem obrigatória por este local ou curtindo seus momentos de lazer, boa parte dos areiabranquenses aqui parava para uma contemplação do movimento dos passageiros no Tirol, ao tempo em que aqui ficava, parado, a contemplar o pôr do sol pros lados do Tibau, um banco a instiga-lo. Era o momento da troca de plantão, em que o sol entregava à lua as chaves e os códigos do arsenal celeste. E lentamente uma luz com aura de um Olimpo salitrado substituía o amarelo hélio pelo prateado luna, justo aquele gris emblemático meio encantamento meio luz. Era a Praça do Pôr do Sol.Quadro de Antonio Tavernard

Há alguns anos havia aqui umas casas lindas, com cheiro de jasmim e com um ar bucólico, que despertavam aquela inveja benfazeja nas pessoas. Aqui, alguns areiabranquenses privilegiados cuidavam com orgulho de suas moradias. Quantas vezes o menino eu ficava encantado com aquelas casinhas coladas umas nas outras. À noite, cadeiras nas calçadas e, à frente, uma visão maravilhosa das sombras quase assombração do manguezal que ainda hoje tenta se ocultar do outro lado do rio. Virando a cabeça um pouco para o lado, a quase bênção de contemplar uma embarcação fugindo na noite para se aninhar próximo à Rampa, de frente para a igreja.

Há alguns anos havia nesta esquina uma pensão que recebia caminhantes de outras latitudes, navegantes de outras águas igualmente salobras. Tenho uma quase certeza de que, antes da pensão, aqui morou o Tenente Durval, policial sério e competente que valorizou com brio as cores da sua farda. O Tenente Durval era aquele delegado que dava voz de prisão ao indivíduo e determinava que ele o esperasse na delegacia. E todos ficavam à sua espera.

Hoje, destruídos o Tirol e a Praça do Pôr do Sol – e descaracterizada a antiga pensão –, resta o vazio com o gosto amargo da desesperança que a todos incomoda e assusta. É um esqueleto de cimento que acolhe todo tipo de elementos indesejáveis, da sujeira a viciados em drogas.

Puro desencanto onde em outros dias reinavam a alegria e o toque poético.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

Uma praça em frente ao Tirol, que ficava no Cais da Rua da Frente. Qual a força que pode ter uma praça em frente a um rio?

Voltemos ao ponto zero. Um banco. Uma praça – a Praça do Pôr do Sol. À frente, o Tirol. Emoldurando os lados e o fundo da paisagem, o belo rio Ivipanim. No nível do horizonte, um exuberante manguezal. Se houvesse um encontro/conluio com o inesperado, poderiam ser vistas três barcaças juntas, partindo para mais um dia de trabalho estafante.

Ainda sentado no banco, esticando o olhar para a direita, vislumbramos sinais do encontro do rio com o mar, que se sabe hoje formatado em uma tênue linha na superfície das águas. Neste ponto, basta virar à esquerda e temos a visão de Tibau, com suas areias multicoloridas. Forçando o olhar, agora à direita, a visão do Pontal.

No hoje que nos impacta, não há praça nem Tirol. Sumiram no irresponsável vento da insensatez. Em seus lugares, apenas o vazio. O mesmo vazio que sentimos ao perceber a ausência daquelas lanterninhas coloridas que enfeitavam a frente das casas nos são-joões de nossa infância, com o pipocar de peidos-de-velha e o brilho das estrelinhas. As coisas mais bonitas sumiram sem deixar rastros, como aconteceu com os pastoris de verdade. E por falar em sumiço, será que, em Areia Branca, ainda se encontram tatuís e taiobas?

Com esse mote na cabeça, resolvi caminhar pelas ruas do passado. Percebi que seus nomes foram trocados, e em boa parte por outros que pouco ou nada dizem, perdendo a cidade, a história e seu simbolismo.

Confuso, e como de medida de autopreservação, blindei minha cabeça com uma criptografia oriunda do mundo nano, utilizando técnicas da ciência noética. Isso me garante que nenhum hacker pode acessar meus sonhos. Por conta deles ainda estou vivo.

Uma praça, o Tirol, o rio, Tibau, o Pontal. E o mar.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

 

 

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