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Era final de uma tarde de sexta-feira, a quatro dias da Festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Estávamos reunidos no hotel de Upanema quando fomos avisados de que em frente ao Marco Zero, voltado para o patamar da igreja, estava ocorrendo a apresentação semanal de um conjunto musical que acontecia ao cair da noite. Um happy hour com direito a um belo pôr de sol. Saímos de forma estabanada no rumo da Rampa.

Uma pequena multidão se aglomerava entre o Marco Zero e a Rampa. Na frente da igreja, as pessoas, em postura viking, saudavam a apresentação do alto do patamar – agora em forma de um barco – e pareciam dispostas a invadir o rio, no resgate dos últimos fragmentos de um sol muito vermelho que agonizava pros lados de Tibau. A música como incentivo.

De fato, ali, em pleno Marco Zero, alguns músicos prestavam uma homenagem ao pôr do sol mais belo do Rio Grande do Norte.

Ao sairmos, assistimos a um sol confuso, cominutivo, tentando espalhar os restos de vermelho em um céu gris. Um convite à reflexão. Puro encantamento.

Somente depois viríamos saber que se tratava de mais uma apresentação do Projeto Pôr do Sol, iniciativa da Prefeitura Municipal para incentivar o deslocamento das pessoas nos finais das tardes das sextas-feiras para, de forma comunitária, curtir o pôr do sol do patamar da igreja, ao tempo em que assiste à apresentação de músicas de boa qualidade, sejam cantadas ou executadas por excepcionais instrumentistas.

Projeto Pôr do Sol. Um oásis de boa música. Uma sobremesa para a Poesia Nos Muros.

Uma seresta, ao final.

EvaldOOliveira

Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do RN

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No palco do Teatro Alberto Maranhão, a obra e a vida de Tico da Costa fluía de voz em voz, acompanhadas pelo dedilhar de violões bem afinados e pela emoção da platéia que lotava o recinto. Nas imagens que meu cérebro produzia, um menino andava calmamente pela rua do meio, com cabelos loiros e couro cabeludo avermelhado. Era filho de Dijesu, Titico de Dijesu, um dos tantos que ele botou no mundo. Mais velho do aquele menino com olhar vivaz, tinha Dedezinha, Getúlio, Conceição, Ribeiro, Gracinha e não lembro quem mais. Depois vieram outros que só ontem, tantas décadas depois, conheci homenageando o irmão que de “Titico de Dijesu, menino de olhar vivaz” , passou a ser “Tico da Costa, músico criativo”, e famoso além-mar.

No Natal de 1989, montei uma fita K7 com músicas brasileiras para presentear amigos franceses. Coloquei as músicas em ordem crescente de vibração, denominando a sequência de um andante moderato a um prestissimo, como na majestosa 9a. sinfonia de Beethoven. Começava com Maria D’Aparecida cantando Manhã de Carnaval e terminava com Cidade Maravilhosa.

Ontem, quando o coração batia no compasso da caminhada pela rua do meio, e os ouvidos deixavam passar a sonoridade ora suave, ora vibrante, mas sempre agradável, de Tico da Costa, me dei conta que a fita poderia ter sido feita só com suas músicas. Poderia ir de Una Canzione per Te a Fogueira. Ou então, da Canção do Capitão a Vou na Onda do Mar. Quem sabe, de Difícil é Viver a A Táboa?

Se você pensa que é complicado fazer uma seleção das músicas de nosso Bardo em função do tipo de movimento, ou da velocidade da música, imagine se quiser fazer em termos de estilo, que vai de quase uma canção de ninar ao frevo rasgado de um carnaval pernambucano. A complexidade da obra pode ser bem apreciada pela diversidade de tratamento ela mereceu dos admiráveis músicos que lhe prestaram a homenagem. De tratamentos jazzísticos a leituras clássicas viajamos embevecidos pela extraordinária obra de Tico da Costa, com o choro engasgado pela saudade de Titico de Dijesu, que nos deixou em 29 de agosto de 2009.

Qualquer que seja a seleção, o que não pode faltar é Os Cumprimentos, a emocionante, tocante, doce, vibrante, gostosa, de rir e chorar, para refletir, enfim, sua obra-prima que encerrou o tributo de ontem.

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Encerramento do show, com a música “Cumprimentos”.

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Sara Fracchia, a Senhora Tico da Costa.

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Jornal Zona Sul

Recolho na crônica que Alcindo de Souza publicou em seu blogue a inspiração para fazer minhas rememorações e entrar na fila dos que sonham em ver o Ivipanim eternizado naquele cantinho de tantos sonhos, alguns feitos, outros refeitos, e quem sabe quantos desfeitos. Leio que Rogério Edmundo é o presidente do Clube, e fico imaginando, se tiver tanta energia administrativa quanto demonstrava ter na sua infância-adolescência, o Clube terá boa vida em suas mãos. Posso afirmar, do alto da minha idade, da posição privilegiada de quem mais velho observava aquela meninada entre a rua dr. Almino, rua do Meio, rua da Frente e Jardim, repito, posso afirmar: Rogério era um capeta! Do pai, Valquírio, herdou a vivacidade contagiante, e como geralmente acontece, a energia deve ter sido canalizada para atividades empreendedoras na vida adulta. Taí, o homem é o presidente do Ivipanim Clube.

Alcindo abre sua crônica com uma jóia, uma pérola maior, uma preciosidade, a letra de Bandeira Branca. Completo aqui esse toque nostálgico com a companheira inseparável de Bandeira Branca, nos carnavais de antigamente e de sempre: Máscara Negra, de Zé Keti e Pereira Mattos. E para provocar lágrimas, risos e suspiros, aqui vai a inesquecível interpretação de Dalva de Oliveira.

Quem tem mais de 50 anos e costumava ir a bailes de carnaval, sabe o que estou falando. Carnaval é festa para animação, todo mundo solto, cada um por si, certo? Errado! Quantos não passaram por uma reconquista ao som de Bandeira Branca?

Saudade, dor que dói demais / Vem, meu amor / Bandeira branca eu peço paz

E quantos não iniciaram ou reiniciaram uma arrebatadora paixão cantando Máscara Negra?

Foi bom te ver outra vez / Está fazendo um ano / Foi no carnaval que passou / Eu sou aquele pierrô / Que te abraçou e te beijou meu amor

O ritual era bem definido. A orquestra atacava de Máscara Negra e os casais se abraçavam para dançar agarradinhos. Uma maravilha! Juras e promessas de amor eterno com a voz sussurrante no pé do ouvido. Arrepios, arrepios e olhos revirados. Tudo tinha que ser rápido, para a explosão final de completa alegria e convencimento de que tudo era verdade, no momento que a orquestra entoava o alegro maestroso (desculpe Eyder, pela imagem mal ajambrada)

Vou beijar-te agora / Não me leve a mal / Hoje é carnaval

Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

Depois da alegria pela conquista do amor, só o prazer de uma sopa quente no bar ao lado do Clube. Aquilo sim, revigorava.

Obrigado, Alcindo, por me provocar essas lembranças.

Convidamos o visitante do blog a dar uma espiada na coleção de livros sobre Areia Branca (atualizada em 19.02.2011) Quem tiver sugestão de livros porventura não incluídos na nossa lista, pode enviar capa e detalhes editoriais (título, autor, editora, endereço para aquisição, etc) para cas.ufrgs@gmail.com.

Othon Souza me enviou uma apresentação powerpoint que circula anonimamente na internet. Com a belíssima música de Hair, Good morning starshine, como fundo musical, a apresentação é uma maravilhosa viagem aos anos 60 e 70. Você vai gostar. Clique na imagem para a apresentação. Não sei porque demora para carregar. Por isso, sugiro salvar o arquivo no seu computador e depois executa-lo. anos601

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